Desporto

Comissão Administrativa do Trofense quer fazer auditoria mas não tem dinheiro

Comissão Administrativa do Trofense quer fazer auditoria mas não tem dinheiro

A Comissão Administrativa cessante do CD Trofense, clube da Liga de Honra de futebol, quer pedir uma auditoria externa às contas do clube, mas confessa não ter verbas disponíveis.

O CD Trofense tem até quinta-feira, 5 de julho, para pagar cerca de 60 mil euros às Finanças de forma a conseguir obter a declaração exigida pela Liga de Clubes para inscrição da equipa na Liga de Honra.

De forma poder "responsabilizar" a anterior direção do clube da Trofa - liderada por Rui Silva, que esteve no emblema trofense durante três anos (de 2006 a 2011), um dos quais com o clube a militar na Liga Principal - pelas "muitas" dívidas do Trofense, a Comissão Administrativa, que sábado cessou funções, pondera recorrer a uma auditoria de contas.

José Leitão, que foi presidente do Trofense durante 11 anos (de 1996 a 2006 e na época 2011/12) decidiu abandonar o clube após a assembleia geral de sábado.

À agência Lusa o ex-presidente Trofense reconheceu que o cenário de realização de uma auditoria às contas será talvez o "único caminho possível" para perceber o "valor real das dívidas do clube", que, no entanto, "não tem dinheiro para isso".

"São muitas surpresas. São surpresas atrás de surpresas. Penhoras e jogadores e empresas a reclamar dinheiro. Não tínhamos conhecimento da real extensão do problema. Fazer uma auditoria é a única solução e pedi ajuda a amigos do clube para tratarem disso. Mas não há dinheiro", disse José Leitão.

Cerca de dez milhões de euros era quanto a Comissão Administrativa cessante estimava ter de desembolsar para garantir que a auditoria de contas fosse "independente" e feita por uma "empresa rigorosa".

"É essencial fazer essa auditoria mas não é possível. Chegámos a ver os valores que uma empresa independente, a mesma que fez a auditoria às contas do Sporting, exigia e seria muito dinheiro. Não temos e existem outras prioridades", descreveu Luís Calmeirão, advogado trofense que, até sábado, acompanhou José Leitão, dando apoio à Comissão Administrativa.

Falta ainda conseguir as garantias bancárias que têm de acompanhar o processo e resolver casos de dívidas e penhoras que ascendem a três milhões de euros.

Os casos mais conhecidos são os pedidos, por alegado "incumprimento salarial", dos ex-jogadores Charles Chad (cerca de 200 mil euros), Milton do Ó (cerca de 118 mil euros) e de Gégé (33 mil euros). Estas dívidas já resultaram na penhora do estádio do clube trofense e na decisão da LS Soccer, empresa brasileira que tinha em vista estabelecer um protocolo de cinco anos para gestão da equipa sénior do clube, de cancelar o contrato de parceria.

O CD Trofense terminou em oitavo lugar a época 2011/12. A sua participação na Liga de Honra na temporada 2012/13 está ameaçada.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG