Alerta

Corridas de automóveis em Vila Real em risco de acabar

Corridas de automóveis em Vila Real em risco de acabar

Presidente da Câmara Municipal de Vila Real diz que a continuidade no próximo ano vai depender do apoio do Governo e de maior envolvimento de outras entidades parceiras

O Circuito Internacional de Vila Real pode estar em risco de acabar. O presidente da Câmara Municipal, Rui Santos, lançou "um grito de alerta", este domingo, frisando que as corridas de automóveis só vão continuar se houver apoio do Governo, de financiamento europeu, de maior suporte por parte de entidades parceiras, como a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) e do canal Eurosport, e até dos vila-realenses que pedem pulseiras para verem as provas sem pagar.

Rui Santos frisou que faz este alerta num fim de semana em que "as coisas estão a correr muito bem", com "bancadas oficiais esgotadas", enchente esperada à volta do circuito, hotelaria, restauração e bares ao rubro. Mas fê-lo porque é necessário perceber que em Vila Real se faz "um grande esforço para manter um circuito" com provas da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR) e de vários campeonatos nacionais que batem "recordes de participação de pilotos".

"Para quem vem de fora não é fácil perceber como é que uma cidade do Interior do país e desta dimensão organiza este circuito urbano", explica Rui Santos, antes de realçar que "fazer as corridas em Vila Real, em 2022, foi muito difícil".

O autarca socialista nota que o circuito foi montado "sem fundos comunitários e Orçamento do Estado" e, "ao contrário do que aconteceu até 2013, em que o Turismo de Portugal sempre garantiu apoios para este tipo de provas no circuito da Boavista, no Porto, este domingo ainda não há garantia de apoio do Estado central ao circuito de Vila Real".

Rui Santos vai mais longe e acha também "estranhíssimo que o Governo se tenha disponibilizado a apoiar as corridas em Portimão, que tiveram 20 mil espetadores, e não se predisponha a apoiar Vila Real em termos proporcionais".

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O montante justo para Rui Santos seria "um milhão de euros", valor que já foi atribuído nos circuitos de 2015 e de 2016. "Não seria demais para uma prova que tem um retorno financeiro de 80 milhões de euros para Vila Real, para a região do Douro e para o país".

Rui Santos lançou ainda críticas à FPAK, que certifica o circuito para que possa receber provas internacionais. "Cobra uma percentagem (mais de 25%) da certificação", o que o autarca considera "incompreensível". "Não entendemos como é que num ano com estas dificuldades [decorrentes da crise pandémica e das geradas pela guerra na Ucrânia] isso é possível", insistiu.

O presidente da FPAK, Ni Amorim, entende que as declarações do presidente da Câmara de Vila Real "não são, propriamente, um ataque à Federação, mas antes à falta de apoio que ele sente por partes das entidades".

Amorim concorda que as corridas no circuito vila-realense são "uma grande festa, um fim de semana absolutamente fantástico para os amantes do desporto automóvel e para os pilotos", pelo que "ele [Rui Santos] tem razão". "O Governo e o Turismo poderiam comparticipar com mais dinheiro num evento que é realmente muito caro e que requer da Câmara um esforço muito grande", aduziu.

Relativamente ao circuito de Vila Real, a FPAK cobra uma taxa de "240 mil euros", dos quais "170 mil são entregues à Federação Internacional de Automobilismo (FIA)". Ou seja, a FPAK fica com o restante, 70 mil euros, embora Ni Amorim diga que é um valor bruto e que se destina a cobrir "muitas despesas" da presença de diversas pessoas da Federação no circuito de Vila Real. Acrescenta que é "uma taxa bastante inferior ao que se paga, por exemplo, em Espanha (90 mil euros)". Mesmo assim, admitiu, "as taxas da FIA são muito caras".

Em contrapartida, a FPAK "prescinde de taxas adicionais para os pilotos dos campeonatos nacionais, ao contrário do que se passa no resto do país". Ou seja, "a Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real faz o preço aos promotores, estes debitam aos pilotos nacionais e a Federação não ganha um euro com isso, já que estão integrados num fim de semana muito importante no qual já ganha dinheiro".

Por outro lado, o presidente da Câmara de Vila Real não se conforma com o facto de as pessoas "darem as corridas como um dado adquirido". Indigna-se com o facto de "estando disponíveis para gastarem 400 euros para irem a Lisboa ao Rock in Rio, andem a pedir à organização do circuito pulseiras de acesso que valem 10 euros e não se predisponham para comparticipar para que as corridas possam acontecer".

Rui Santos assegurou também "esperava mais da Eurosport/Discovery", embora sem especificar o quê. "Não queremos continuar com o mesmo, queremos mais", frisou.

Uma vez que "esta pressão tem vindo a aumentar", a Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real e o Clube Automóvel de Vila Real, bem como pessoas que há muitos anos estão neste projeto, começam a ficar cansadas destas situações".

"No final das corridas deste ano vamos ponderar todos estes factos, analisá-los e refletir sobre eles", acrescentou o autarca, sublinhando que, "provavelmente", a realização do circuito internacional "vai ter de ser repensada", dado que "um tango se dança sempre a dois". Ora, "quando os nossos parceiros não querem dançar connosco é muito difícil realizar o circuito", concluiu.

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