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Crise no Benfica: dança de treinadores e os falhanços no mercado

Crise no Benfica: dança de treinadores e os falhanços no mercado

Desde o despedimento de Rui Vitória em 2019 que o Benfica tem passado por um período de instabilidade, com uma indefinição na política de contratações e sem conseguir fixar um treinador por vários anos.

Depois de duas épocas a sagrar-se campeão nacional, Rui Vitória teve uma primeira metade da época 2018/19 bastante abaixo das expectativas. Os maus resultados ditaram o despedimento do técnico e o começo de uma história de sonho para Bruno Lage.

Lage manteve a aposta na formação, sendo que o maior destaque foi para João Félix, conseguiu recuperar sete pontos de desvantagem ao líder F. C. Porto e conquistou o campeonato, feito que parecia impossível uns meses antes.

Em 2019/20, apesar de algumas contratações de peso, como Weigl ou Raul de Tomás, a ideia de Lage passava na mesma por um foco na formação. No entanto, apesar de uma primeira metade de época de qualidade, a derrota com o F. C. Porto em fevereiro mexeu com a equipa e o rendimento da mesma caiu drasticamente.

Com o surgimento da pandemia da covid-19 pelo caminho, o trabalho de Lage complicou-se e o técnico nunca conseguiu reerguer o conjunto vermelho e branco. Em junho de 2020 o Benfica comunicou a saída de mais um treinador, com Nélson Veríssimo a assumir o comando de forma interina.

Para o começo de 2020/21, Luís Filipe Vieira anunciou ao universo benfiquista o regresso de Jorge Jesus, com um contrato de dois anos e promessas de "jogar o triplo". O Benfica fez um avultado investimento, esquecendo a aposta na formação, com contratações como Everton, Darwin e Waldschmidt, mas não conquistou nenhum título.

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No arranque da presente temporada, as águias mostraram serviço com a vitória (3-0) frente ao Barcelona, mas a derrota por 3-1 contra o Sporting e 3-0 frente ao F. C. Porto criaram maior instabilidade no seio da equipa, o que culminou num desentendimento entre Jorge Jesus e Pizzi, que levou à rescisão do técnico.

De 2019 a 2021 o Benfica teve quatro treinadores e desde Rui Vitória, mais nenhum durou mais que um ano e meio. As águias não conseguem encontrar, ou dar tempo de trabalho, a um técnico que comande um projeto com pés e cabeça. Talvez porque esse projeto também seja uma miragem, visto que o paradigma mudou em poucos anos na Luz. O que antes foi uma aposta nas camadas jovens do Seixal, com talentos recentes como João Félix ou Renato Sanches, passou para investimentos avultados, que pouco trouxeram ao clube em rendimento desportivo, com o maior caso a ser o de Everton Cebolinha.

A detenção de Luís Filipe Vieira também deixou um marco no clube, visto que Jorge Jesus foi contratado pelo antigo presidente das águias.

Ao contrário do que tem acontecido com os rivais, sobretudo o F. C. Porto, o Benfica não tem estabilidade no banco de suplentes nem parece ter quem consiga definir um projeto claro para o clube. Os dragões, apesar do pouco investimento comparado aos encarnados, deram confiança ao trabalho de Sérgio Conceição, mesmo nos períodos mais difíceis para o clube, o que resultou em dois campeonatos, uma Taça de Portugal e duas Supertaças desde 2017/18.

No Benfica, Nélson Veríssimo volta a ser o "bombeiro" de serviço até ao final da temporada. Resta saber quais serão os planos de Rui Costa para a próxima temporada visto que, à semelhança do que aconteceu em 2019/20, a presente época parece dada como perdida pelos dirigentes das águias.

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