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Dakar 2022 vai para a estrada a 1 de janeiro com novidades

Dakar 2022 vai para a estrada a 1 de janeiro com novidades

A 44.ª edição do Rali Dakar arranca já este sábado, primeiro dia do ano 2022, na Arábia Saudita, com a novidade de competirem, pela primeira vez carros elétricos.

Em 2022, o percurso da prova terá um total 8177 quilómetros, 4258 deles cronometrados, menos 500 do que na edição anterior, e será o pontapé de saída de um novo campeonato do mundo, o de todo-o-terreno, que se junta aos de Fórmula 1, Ralis, Resistência, Fórmula E e Ralicrosse como campeonatos com esse estatuto.

Quanto aos pilotos em prova, o catari Nasser Al-Attiyah (Toyota) é o principal favorito à vitória na vertente dos automóveis, enquanto nas motas a Honda, gerida pelo português Ruben Faria, é a equipa a abater.

Num ano em que a estreia dos modelos elétricos da Audi provoca curiosidade, até por serem pilotados pelos titulados Stéphane Peterhansel (14 vitórias) e Carlos Sainz (três), é a Toyota Hylux de Al-Attiyah, numa renovada categoria principal, agora denominada T1+, que procura uniformizar as prestações dos carros de duas e quatro rodas motrizes.

Com pneus mais altos e mais largos (37 polegadas), com maior curso de suspensão (350mm contra os 280 anteriores), os carros desta nova categoria deverão sofrer bastante menos furos do que os antecessores, fator que custou a vitória ao piloto do Catar em 2021.

"Esse problema deverá estar resolvido", frisa Al-Attiyah, sobre a mudança de regulamentos na corrida que arranca no sábado, em Jeddah, para terminar no dia 14 na mesma cidade da Arábia Saudita, que, pela terceira vez, acolhe a totalidade do percurso.

O espanhol Carlos Sainz é, aos 59 anos, uma das referências da prova, até pelas três vitórias já conquistadas em 2010, 2018 e 2020. Mas, este ano, o madrileno parte sem grandes ambições.

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"Este projeto é um dos mais importantes em que já estive envolvido desde que comecei a correr, devido à complexidade de dar o passo para competir com um carro elétrico numa prova como o Dakar", disse, citado pelo sítio oficial da prova na internet.

O piloto espanhol, por outro lado, acredita que, quanto à competitividade, será "difícil estabelecer um objetivo antes de começar".

Já o francês Stéphane Peterhansel, que pensou acabar a carreira após o 14.º triunfo conquistado em 2021, mudou de ideias devido ao convite da Audi para pilotar o carro elétrico (que tem um motor a gasolina para alimentar as baterias).

"O que torna isto interessante é estar no início deste projeto e ter contribuído para a sua arquitetura", frisou o piloto gaulês.

Nota ainda para o regresso do francês Sébastien Loeb ao Dakar, com o BRX mais desenvolvido do que no ano de estreia (2021).

Nas motas, a Honda parte com o peso de duas vitórias, com a equipa a ser gerida pelo português Ruben Faria.

"Este ano partimos como favoritos pelo que temos de estar bem preparados para tentar o 'tri'", frisou o algarvio, que perdeu o vencedor de 2021, o argentino Kevin Benavides (mudou-se para a KTM), mas que manteve o norte-americano Ricky Brabec (vencedor em 2020), o espanhol Joan Barreda (recordista de triunfos em etapas ainda em competição, com 27 etapas ganhas), o chileno Jose Ignacio Cornejo, tendo recebido o chileno Pablo Quintanilla, seu antigo companheiro na Husqvarna.

A KTM, que se reforçou com Benavides, manteve o britânico Sam Sunderland (vencedor em 2017), o australiano Toby Price (vencedor em 2019), o austríaco Mathias Walkner (vencedor em 2018), fazendo ainda alinhar o norte-americano Daniel Sanders (melhor estreante em 2021) com uma Gás Gás. Ou seja, duas equipas concentram os cinco vencedores das últimas cinco edições.

Outro dos pontos de atração da prova será a estreia dos "estradistas" Carlos Checa e Danilo Petrucci. O espanhol Carlos Checa, antigo piloto de MotoGP e campeão mundial de Superbikes em 2011, faz a estreia num Optimus MD na competição dos automóveis.

Petrucci teve uma transição mais mediática, pois ainda este ano compartilhava as pistas do Mundial de MotoGP com o português Miguel Oliveira.

Quase 20 portugueses em prova

Em 2022 o Rali Dakar vai ter 19 pilotos lusos a competir: sete em motas (Rui Gonçalves, António Maio, Joaquim Rodrigues Jr., Mário Patrão, Alexandre Azinhais, Arcélio Couto e Paulo Oliveira), quatro em automóveis (Felipe Palmeiro, navegador do lituano Benediktas Vanagas, Paulo Fiúza, navegador do lituano Vaidotas Zala, e a dupla Miguel Barbosa/Pedro Velosa), quatro na categoria de veículos ligeiros (Rui Carneiro/Filipe Serra e Mário Franco/Rui Franco) e quatro em SSV (Luís Portela de Morais/David Megre e Rui Oliveira/Fausto Mota).

Deste lota, destaque para o antigo piloto de motocrosse Joaquim Rodrigues Jr. (Hero), que chega a esta prova depois de ter terminado no pódio de uma prova do campeonato do mundo de TT pela primeira vez, no Abu Dhabi Desert Challenge, em novembro.

Esta é a sexta participação do português, na qual se estreou em 2017, depois de uma bem-sucedida carreira em motocrosse e supercrosse, com vários títulos nacionais conquistados nas duas modalidades e passagens pelo Campeonato do Mundo de motocrosse (com a VOR e a Honda) e pelos campeonatos norte-americanos, com a KTM.

"Sabe muito bem regressar ao Dakar após um ano de crescimento consistente para mim e para toda a equipa. Os resultados também foram positivos", disse o piloto português, antes da partida para a Arábia Saudita.

O 11.º lugar conseguido em 2021 foi o melhor resultado do barcelense no Dakar desde o 10.º do ano de estreia. "O objetivo principal é sempre o Dakar. Temos de treinar no deserto e, este ano, tentámos fazer o máximo de corridas que pudemos. Acho que estamos mais bem preparados para o próximo Dakar", acredita o piloto da Hero.

Depois de ter sido 11.º classificado na edição de 2021, o piloto de Barcelos recupera, ainda, do trauma provocado pela morte do cunhado, o também piloto Paulo Gonçalves, que sucumbiu após uma queda sofrida na sétima etapa da edição de 2020, mas aponta a um lugar entre os dez mais rápidos.

"Correr é o melhor que se pode fazer. Sempre que saio com a mota, o Paulo vai comigo, em todas as corridas. Têm sido tempos difíceis, para a minha família e os meus sobrinhos. Mas levá-lo comigo dá-me mais motivação para continuar e não desistir", conta.

Nos automóveis, o antigo campeão nacional de todo-o-terreno Miguel Barbosa (Toyota) volta a participar na prova 12 anos depois da última vez, ainda na América do Sul.

O piloto lisboeta, que em 2020 se sagrou, pela oitava vez, campeão nacional de TT, estreou-se em 2006 quando a competição teve partida de Portugal. Repetiria a experiência em 2007. Regressou em 2010 quando a prova já se disputava na América do Sul e volta agora a marcar presença, quando a competição se disputa pelo terceiro ano consecutivo na Arábia Saudita.

"O Dakar é o que de mais importante e desafiante se faz a nível de desporto motorizado no mundo. É uma espécie de Jogos Olímpicos do todo-o-terreno e, para mim, é uma enorme satisfação poder participar de novo neste desafio", refere Miguel Barbosa, que irá competir aos comandos de uma Toyota Hilux, navegado por Pedro Velosa.

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