I Liga

De Weigl a Lucho González. A influência dos reforços de inverno

De Weigl a Lucho González. A influência dos reforços de inverno

Julian Weigl é a mais recente contratação do Benfica. O que esperar da contratação do alemão, tendo em conta o rendimento dos reforços de inverno da última década?

É difícil pensar que os reforços de inverno tenham assim tanta influência nas equipas portuguesas, visto que desde o início do século, apenas quatro equipas que não estavam em primeiro a meio da época foram campeãs no término da mesma. São elas o Benfica de 2018/2019, de 2015/2016, de 2004/2005 e o F. C. Porto de 2011/2012.

Nestas épocas, apenas em duas pode-se concluir que os reforços tiveram um peso relevante. Isto porque o Benfica do ano passado não contratou ninguém no inverno, apesar de ter beneficiado da aposta em Bruno Lage e nos vários jogadores da formação, principalmente João Félix. O Benfica de 2015/2016 beneficiou igualmente da entrada de Renato Sanches e outros durante a época, contudo, reforço a sério foi apenas um - Grimaldo - e teve pouquíssimos minutos de jogo.

As épocas com notabilidade dos reforços foram a dos dragões em 2011/2012, quando Marc Janko e principalmente Lucho González foram contratados para fazer a diferença na segunda metade da liga. Em 2004/2005, os encarnados contaram também com Nuno Assis a partir de janeiro e foi um jogador útil na caminhada para o título.

Por aqui percebe-se que poucas equipas conseguiram reverter a situação através do mercado de inverno, embora, possa haver reforços que tenham sido importantes para equipas que já estariam em primeiro lugar no final da primeira volta e foram campeões na mesma. A realidade é que são muito poucos os jogadores que realmente contribuíram para isso, e muitos deles poucos minutos fizeram desde que foram contratados até ao final do campeonato.

Em 2010/2011, o campeão foi o F. C. Porto, numa época dominante e com segurança no campeonato e com uma grande diferença pontual. Não contratou nenhum jogador no mercado de inverno.

Em 2011/2012, os dragões venceram novamente o título, naquela que foi a época mais representativa de todas na última década a nível de reforços de inverno. Isto porque os azuis e brancos estavam atrás do rival Benfica, mexeram-se no mercado, e contrataram um conhecido da casa e capitão de equipa, Lucho González. Além do argentino, um avançado era necessário e a solução foi o austríaco Marc Janko. Mais o primeiro do que o segundo, tiveram ambos uma importância tremenda, principalmente a nível psicológico no reerguer do dragão.

Em 2012/2013, o F. C. Porto completou o tricampeonato, num ano dramático, com disputa até à ultima jornada. A época ficou marcada pelo jogo no Estádio do Dragão contra o Benfica, com um golo de Kelvin aos 92 minutos, seguido de passe de Liedson. O avançado brasileiro foi um reforço de janeiro e completou apenas 12 jogos. No entanto, teve um dos mais importantes momentos da sua carreira, dando a assistência para o golo que lhe viria a dar o primeiro título nacional. A par deste, Izmailov, proveniente do Sporting, foi o outro reforço de Vítor Pereira e um jogador útil para entrar na partida, contando com 15 jogos e um golo.

Em 2013/2014, o Benfica estava com as condições todas reunidas para a conquista do campeonato e não contratou ninguém no defeso intermédio de transferências.

Em 2014/2015, os jogadores contratados pelo Benfica, em ano de bicampeonato, foram Hany Mukhtar e Jonathan Rodríguez. Nenhum deles teve espaço na equipa principal.

Em 2015/2016, Benfica é novamente campeão, desta vez na primeira época de Rui Vitória, e foram mais importantes os "reforços" da casa do que propriamente os do papel. Grimaldo foi contratado em janeiro, mas viria a realizar apenas cinco jogos até ao final da época. Apesar disso, tornou-se importante e hoje é um dos melhores das águias. O outro reforço foi Luka Jovic, que embora os encarnados o tenham vendido por uma quantia considerável de dinheiro, nunca explodiu no clube. Mais importantes foram Renato Sanches, Lindelof e Ederson, opções da equipa B e do banco, que nunca tinham jogado e quando foram opção tornaram-se cruciais.

Em 2016/2017, o Benfica chega ao tetracampeonato e faz três transferências no mercado de inverno: Filipe Augusto, Pedro Pereira e Marcelo Hermes. Os dois últimos contabilizaram apenas um jogo cada, enquanto o primeiro realizou apenas 13 jogos e poucos a titular. A realidade é que a estrutura estava montada e os reforços pouco ou nada vieram acrescentar.

Em 2017/2018, o F. C. Porto travou o pentacampeonato do Benfica, numa época consistente, apesar de ter ficado apertado no final. A equipa dos dragões estava confiante e preparada para os desafios. O plantel não era vasto e havia nitidamente falta de soluções, a juntar às lesões que surgiram ao longo da temporada. As contratações de inverno foram Majeed Waris, Paulinho, Yordán Osorio e o regresso de Gonçalo Paciência. Apesar de Gonçalo ser útil e Waris entrar regularmente, nenhum dos quatro se afirmou como opção regular e os protagonistas dos azuis e brancos continuaram a ser os mesmos.

Em 2018/2019, outro caso de uma equipa campeã depois de recuperar desvantagem pontual a meio do calendário. O Benfica de Bruno Lage surpreendeu e apresentou um registo notável. No mercado de inverno não contratou jogadores, no entanto, surgiram reforços internos, como João Félix, que apesar de já ter jogado com Rui Vitória se assumiu na equipa principal. Houve ainda estreias na equipa A que ganharam o seu espaço e chegaram a ser titulares até ao final da temporada, como é o caso de Ferro e Florentino.

Especialmente o F. C. Porto e o Sporting, nos anos em que não foram campeões, compraram sempre jogadores em janeiro para tentar melhorar a performance e alguns deles até se tornaram importantes para o clube a médio prazo, como é o caso de Tiquinho Soares, Pepe, Marega, Loum, Quaresma, Ilori, Luiz Phellype, Renan Ribeiro, Borja, Idrissa Doumbia, Wendel, Coates, Zeegelar e Bruno César. No Benfica, apenas Jardel.

A aposta nos reforços a meio da época não é tão rentável como parece. Por vezes, são contratados para preencher lacunas do plantel, contudo, a fazer a diferença são poucos os casos existentes. Até mesmo nas três épocas referidas que uma equipa deu a cambalhota na classificação e foi campeã, só mesmo na do F. C. Porto em 2011/2012 é que se notou o valor dos reforços.

Nos dois exemplos do Benfica, em 2018/2019 e em 2015/2016, quem fez maior diferença foi a prata da casa. Nota-se que nas épocas em que o campeão de inverno carimbou o título no final do ano raramente houve investimento no mercado, porque a direção se sentia confortável com o plantel. A exceção foi no último título do F. C. Porto com a contratação de quatro jogadores, devido à falta de soluções aparente, mas nenhum dos jogadores se mostrou imprescindível.

A dúvida passa agora por perceber o rendimento que terá Julian Weigl em Portugal. Vem rotulado como um jogador de grande qualidade, com experiência no campeonato alemão numa equipa como o Borussia Dortmund e poderá ser uma peça fundamental dos encarnados. Geralmente nas últimas épocas de título do Benfica não fez grandes contratações a meio delas e as que fez não foram soluções viáveis, pelo menos até ao final da temporada, porque houve jogadores como Grimaldo que tomaram conta do lugar, mas apenas no ano seguinte à transferência.

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