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Depois de ter sido herói na reconquista, Lage sai pela porta pequena

Depois de ter sido herói na reconquista, Lage sai pela porta pequena

O treinador Bruno Lage conquistou em 2018/19 um campeonato que muitos já davam como perdido, e foi elevado a herói, mas, um ano depois, comprometeu um bis que parecia bem encaminhado e sai pela porta pequena do comando técnico do Benfica.

Dois jogos em casa com o Santa Clara são o paradigma da passagem de Bruno Lage pelo Benfica, do 4-1 de 18 de maio de 2019, que valeu a reconquista, numa Luz em festa, ao 3-4 de 23 de junho de 2020, num adeus ao título vazio e silencioso.

A saída parecia óbvia, há seis dias, mas Bruno Lage quis ter mais uma oportunidade e esta segunda-feira, voltou a perder, no reduto do Marítimo, com estrondo (0-2), para um total de duas "míseras" vitórias nos últimos 13 jogos pelo conjunto da Luz.

Um ano, cinco meses e 22 dias depois de assumir, então "provisoriamente", o comando da equipa, Bruno Lage sai, assim, da pior forma, ainda que com um balanço global de dois títulos, a Liga da época passada e a Supertaça, conquistada a abrir 2019/20, com uma goleada (5-0) ao Sporting, no Algarve.

Nascido em Setúbal em 12 de maio de 1976, há 44 anos, Bruno Lage também conseguiu outros resultados marcantes e registos ímpares, uns positivos e outros negativos, os que conduziram à saída, depois de ter renovado até 30 de junho de 2023.

Para a lenda, entraram o 10-0 ao Nacional ou o 2-1 no Dragão, na Liga 2018/19, na qual conseguiu 18 vitórias, mais um empate (2-2 na receção ao Belenenses), em 19 jogos, o primeiro também marcante (0-2 para 4-2), face ao Rio Ave.

No campeonato, também fez história com 85 pontos nos primeiros 30 jogos, algo que nenhum treinador conseguira, e 18 vitórias seguidas fora, numa série iniciada na época passada e que prosseguiu na presente, terminando no Dragão, com um desaire por 3-2: então poderia ter ficado com 10 pontos à maior, à 20.ª ronda.

Esse encontro, a 8 de fevereiro de 2020, marca a viragem no trajeto de Bruno Lage no Benfica: apenas duas vitórias em 13 encontros, como em 2007/08 (dois triunfos, seis empates e cinco derrotas, entre 21 de fevereiro e 20 de abril de 2008).

Neste ciclo, os cinco jogos seguidos sem vencer na Luz, três antes e dois após a paragem devido ao covid-19, só não inéditos devido ao Regional de Lisboa de 1930/31, sendo que a última vitória data de 04 de fevereiro (3-2 ao Famalicão).

No total, o técnico que transitou da equipa B e que, no Benfica, já tinha passado por quase todos os escalões inferiores, antes da experiência nos Emirados Árabes Unidos e Inglaterra, somou 51 vitórias, 12 empates e 13 derrotas (181-76 em golos).

O primeiro dos 76 jogos da era Lage aconteceu a 6 de janeiro de 2019: três dias após substituir Rui Vitória, trocou o 4-3-3 pelo 4-4-2 e bateu o Rio Ave por 4-2, depois de estar a perder por 2-0, com bis de João Félix e Seferovic.

Depois de quatro vitórias, sofreu o primeiro desaire, com o F. C. Porto (1-3), nas meias-finais da Taça da Liga, mas a resposta foi muito positiva, em forma de seis vitórias consecutivas, incluindo duas face ao Sporting e um 10-0 ao Nacional.

Após este ciclo, renovou em 19 de fevereiro até 30 de junho de 2023 e, a 2 de março, arrebatou no Dragão a liderança da Liga, com um 2-1, numa reviravolta selada por João Félix e Rafa.

O jogo seguinte no campeonato deu empate, com o Belenenses SAD (2-2), mas esse acabou por ser o único deslize no campeonato: em 19 jogos, ganhou 18 e tornou-se o segundo campeão no Benfica em ano de 'chicotada' e o primeiro após recuperar sete pontos.

A reconquista acabou por secundarizar os falhanços na Liga Europa (eliminação nos "quartos", face ao Eintracht Frankfurt) e na Taça de Portugal (nas "meias", frente ao Sporting).

O grande objetivo da época 2018/19 foi alcançado e a atual temporada não poderia ter começado melhor, com um 5-0 ao Sporting, na Supertaça, já depois de uma pré-época com uma vitória de prestígio na International Champions Cup.

No campeonato, o Benfica também arrancou da melhor forma e, mantendo a bitola da época anterior, desde a entrada de Lage, venceu 18 dos primeiros 19 jogos, construindo uma vantagem de sete pontos sobre o F. C. Porto, a ameaçar o "bis".

O desaire caseiro face aos dragões (0-2) perdurou, então, como um acidente, mais do que nova eliminação na fase de grupos da Champions, num trajeto marcado pelas poupanças, nunca assumidas, de jogadores, sempre a dar prioridade ao campeonato.

Um 1-2 com o Leipzig e um 1-3 em São Petersburgo cedo comprometeram, os dois jogos com o Lyon não ajudaram (2-1 em casa e 1-3 fora) e o sonho do apuramento morreu na Alemanha, onde o Benfica deixou fugir um 2-0 sobre o final (2-2). A finalizar, o 3-0 ao Zenit valeu a Liga Europa.

O falhanço na Taça da Liga, com três empates na fase de grupos, não fez grande mossa, face à liderança firme no campeonato, mas, com novo desaire face ao F. C. Porto (2-3), agora no Dragão, na 20.ª ronda da Liga, tudo começou a mudar.

O Benfica entrou num ciclo muito negativo, que a paragem devido ao covid-19 não alterou e, em 13 jogos, só conseguiu vencer em Barcelos (1-0) e em Vila do Conde, face a um Rio Ave reduzido a nove (2-1), somando mais seis empates e cinco derrotas.

A final da Taça salvou-se, com um empate aflito em Famalicão (1-1), mas o campeonato complicou-se irremediavelmente, com 20 pontos perdidos em nove jogos, e a Liga Europa acabou nos 16 avos, perante o Shakhtar (1-2 fora e 3-3 em casa).

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