Prevenção

Desporto tem de ajudar a combater o abuso sexual

Desporto tem de ajudar a combater o abuso sexual

Especialistas da área clínica, desportiva e policial alertaram esta sexta-feira para a necessidade de combater o tabu em torno do abuso sexual no desporto, defendendo a implementação de medidas de prevenção para combater aquele crime no contexto desportivo.

Os temas foram abordados durante um seminário virtual intitulado "Abuso Sexual no Desporto", organizado pelo Departamento da Atividade Física e do Desporto da Câmara Municipal de Lisboa.

A psicóloga Rute Agulhas, uma das oradoras, realçou que o abuso sexual no desporto "continua a ser um tema pouco falado" e que "enquanto for tema tabu a probabilidade das situações continuarem a acontecer aumentam".

"É importante começarmos a ter a coragem e a disponibilidade de trazer a temática para o topo da agenda política e desportiva", assinalou.

Como exemplo da necessidade de criar medidas de prevenção, Rute Agulhas referiu o caso de uma equipa futsal que foi toda abusada sexualmente pelo treinador, sendo que cada atleta pensava que era o único abusado.

"O caminho começa por aqui: começarmos a falar sobre isto e perceber exatamente o que é que se passa e criar espaços de partilha para se criarem contextos de oportunidade de revelação", declarou.

E acrescentou: "Também é preciso começar a trabalhar numa perspetiva de prevenção primária, de 'guidelines' de prevenção, no fundo, para que toda a comunidade desportiva possa ter também algumas ferramentas e alguns conhecimentos sobre como abordar o tema".

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A membro do Comité Olímpico de Portugal, Joana Gonçalves, destacou que "algumas autoridades públicas atuam com alguma negligência perante sinais evidentes" de abusos sexuais e que o "problema ganha contornos cada vez mais silenciosos" devido à "ausência de uma atuação mais robusta".

"Verifica-se de forma muito clara uma ausência da capacidade instalada por quem tem capacidades de prevenir e regular esta ameaça", afirmou.

Joana Gonçalves alertou para a dificuldade de "demarcar a fronteira" entre aquilo que são "comportamentos admissíveis" e os inadmissíveis em termos de contacto físico no desporto.

Como forma de prevenir o abuso sexual, Joana Gonçalves sugeriu a elaboração de códigos de conduta, a criação de "ações de sensibilização", a implementação da "obrigatoriedade legal da apresentação de registo criminal para agentes desportivos" ou a inclusão de módulos de "prevenção do assédio sexual" nas formações desportivas.

Em representação da Polícia Judiciária, Carlos Farinha considerou que é "tabu" falar de crime sexual no desporto porque as "atividades desportivas são exatamente o contrário em termos de valores daquilo que significa o crime de abuso".

Carlos Farinha realçou as especificidades do contexto desportivo onde existe a "intimidade do balneário", a "proximidade física" e a existência de contacto.

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