Opinião

Devolver a tranquilidade

O jogo de uma equipa de futebol também é o reflexo do estado de espírito dos protagonistas. Quando há confiança, tudo flui de forma espontânea e quase mecânica, mas quando falta esse precioso ingrediente o futebol pode transformar-se numa perigosa montanha russa de emoções constantes.

Foi o caso do Portugal-Gana, um jogo em que a equipa das quinas esteve mais intranquila do que seria de supor, cometeu mais erros defensivos do que era esperado e terminou com o coração nas mãos à espera do último apito do árbitro para poder respirar de alívio. Quando se vê os jogos de Portugal fica sempre no ar uma sensação estranha e uma enorme dúvida sobre a origem de tantas intermitências. A seleção tem jogadores de enorme qualidade, a atuar nas melhores equipas do Mundo, mas essa matéria-prima de valor insuspeito não rende o que seria de esperar em campo. Há um enorme bloqueio que o selecionador precisa de resolver para devolver a criatividade, a acutilância, a fantasia e a eficácia, predicados que nem sempre estiveram presentes frente ao Gana. O primeiro caminho será devolver a tranquilidade que há muito parece ser uma miragem nos momentos de maior aperto, depois lá surgirá o debate tático e até as escolhas do onze. Quando a seleção sofre um golo, desmancha-se como um castelo de cartas. E só respira de alívio quando marca. Assim, neste sobe e desce de emoções fortes, será difícil ser consistente no Mundial.

*Editor

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