Desporto

Doping: João Cabreira reitera inocência

Doping: João Cabreira reitera inocência

O campeão nacional de ciclismo de estrada, João Cabreira, esta sexta-feira suspenso por dois anos pela "pratica de viciação de amostra do controlo de dopagem", reiterou a sua inocência, avançando que vai levar o caso até às últimas instâncias.

"Estou inocente. Não cometi qualquer acto ilícito, sempre agi de boa-fé, nunca de má-fé, tenho pena que as pessoas não façam o mesmo comigo", desabafou o ciclista à Agência Lusa.

João Cabreira começou por lembrar o processo de há cerca de quatro meses, em que era acusado de ter faltado a um controlo e ter dado morada falsa no País Basco, mas do qual sempre reclamou inocência. Recorreu e foi ilibado pelo Conselho Jurisdicional da Federação Portuguesa de Ciclismo.

O ciclista da Póvoa de Varzim considerou "inadmissível" o que lhe estão a fazer e aproveitou para dar "um grito de alerta de desespero", lembrando que tem "família que vive e sofre" com os seus problemas.

"É inadmissível. As pessoas vão ter de se responsabilizar na íntegra por aquilo que me estão a fazer", manifestou.

João Cabreira adiantou ainda à Lusa que a sua equipa, o CC Loulé-Louletano-Aquashow, não rescindiu o contrato, mas que o mesmo está suspenso, contrato esse assinado por um ano em Dezembro. Esta assinatura ocorreu depois de ter sido ilibado no outro processo que o suspendeu por 10 meses.

"Há um acordo de cavalheiros com o CC Loulé, não quero prejudicar a formação. Tenho um contrato com eles cujos termos são entre nós. Depois, na altura e local certos, as pessoas vão ter de se responsabilizar pelos danos causados nesse contrato", advertiu.

Quanto à substância mascarante designada protease que a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) alega que o ciclista utilizou num controlo realizado há quase um ano, João Cabreira afirmou peremptoriamente desconhecer.

"Desconheço esse pó. Nunca ouvi falar, nem nunca o vi na minha vida", asseverou, interrogando como é que seria possível "alguém meter um pó com o médico do CNAD e toda a gente à nossa volta (durante o controlo antidopagem). É inadmissível, mirabolante".

João Cabreira sublinhou que irá lutar pela sua inocência até às últimas instâncias, recorrendo para o Conselho Jurisdicional da FPC e depois para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausana, Suíça.

"Irei para onde tiver que ir até às últimas consequências para provar a minha inocência e defender o meu bom nome", afirmou, mostrando-se esperançado que o recurso seja rapidamente apreciado para poder competir "o mais cedo possível, já em Albufeira ou na Clássica de Vieira do Minho".

O controlo que agora lhe valeu dois anos de suspensão foi realizado em 19 de Maio de 2008, durante uma operação conjunta da Polícia Judiciária e do Conselho Nacional Antidopagem (CNAD) à LA-MSS, da qual resultou a apreensão de substâncias dopantes e levou, posteriormente, a FPC a suspender nove pessoas da equipa.

João Cabreira, que entretanto ganhou o Campeonato Nacional (a 29 de Junho de 2008, ainda pela LA-MSS), e Bruno Pires foram os únicos corredores portugueses da equipa que não foram imediatamente suspensos na sequência da operação da PJ e do CNAD.