Corrida pela alegria do movimento

"Forma de retribuirmos o carinho que nos deram"

"Forma de retribuirmos o carinho que nos deram"

O currículo da ex-atleta Fernanda Ribeiro, de 46 anos, fala por si. Na distância de 10000 metros sagrou-se campeã olímpica em Atlanta (1996) e medalha de bronze em Sydney (2000).

Às conquistas nos Jogos Olímpicos juntou os títulos de campeã do Mundo e da Europa, numa carreira que durou mais de 30 anos, a maioria dos quais a competir ao mais alto nível. Hoje em dia dedica-se à Academia Fernanda Ribeiro, situada na Maia, e a percorrer as escolas para ensinar aos mais novos as técnicas para se tornarem vencedores. Retribui o carinho e apoio que recebeu dando a cara por iniciativas que chamam a atenção para várias causas, como é o caso da Corrida pela Alegria do Movimento, da qual é madrinha.

O que a levou a aceitar ser madrinha da Corrida Pela Alegria do Movimento?

Em primeiro lugar porque trabalho com a FullSport, que é quem vai organizar a corrida, depois porque o "Voltaren" é dos medicamentos que os atletas mais usam durante a carreira para debelar a dor e também porque fui convidada. E sempre que isso acontece tento estar presente, seja em corridas, caminhadas solidárias ou competições. Foi nas corridas que ganhei medalhas e sempre que é possível marco presença.

Tendo em conta a carreira que teve, é importante envolver-se com iniciativas deste género e com quem está a dar os primeiros passos neste desporto?

É muito. É um bocadinho nossa obrigação estar com as pessoas que nos apoiaram durante a nossa carreira, uma forma de retribuirmos o carinho que nos deram e também de ajudarmos os outros. Além disso, chamamos as pessoas, quando são caminhadas ou corridas solidárias, para algumas causas.

Falou em debelar a dor. É um dos grandes inimigos dos atletas profissionais, mesmo depois de terminarem a carreira?

As lesões e dores deixam marcas para sempre. O "Voltaren" é essencial para o nosso bem-estar, porque é o que nos vai aliviando as dores para conseguirmos competir ou fazer o treino.

Considera importante uma ligação entre o desporto e a indústria farmacêutica, no sentido de se encontrarem soluções "legais" para vos ajudar a debelar lesões e dores?

Claro que sim, em especial porque o que, enquanto atletas, mais temos de ter cuidado é a medicação por causa dos controlos antidoping. Mas, em relação ao "Voltaren", todos os atletas de alta competição sabem que ele ajuda a tirar a dor. Por isso estamos sempre à espera que a ciência vá evoluindo, para também conseguirmos ter menos dores e podermos render mais.

No caso da Fernanda, a dor impediu-a de concluir provas?

As pessoas achavam que não terminava as provas porque estava cansada. O que, muitas vezes, não é verdade. Sempre assumi quando desisti por cansaço ou por causa de dores. As pessoas não imaginam o que é correr com dores nos tendões, como era o meu caso. Já acabei a carreira e ainda tenho problemas, pois as mazelas ficaram cá. Ninguém imagina o que é levantar-se da cama e andar agarrada às paredes. Muitas vezes tomei "Voltaren" antes da competição porque era a única coisa que enganava a dor, só que chega uma altura em que a lesão vai ficando cada vez mais crónica que já nada faz efeito. As pessoas não compreendem e acham que somos umas máquinas e que temos de estar sempre ao mais alto nível.

A participação na corrida vai-se ficar pelo apoio moral aos participantes ou vai calçar as sapatilhas e correr?

Não sei. Ainda treino, não a sério, mas ainda corro. Entrar para competir já não o faço, mas posso chegar ao dia da prova e participar. Quando era atleta de alta competição sofria, mas agora já não estou para sofrer.

Alguma vez pensou que a corrida iria estar tão na moda?

Não. Quando comecei, há 30 e tal anos, tinha 9 anos, ainda éramos alvo de insultos sexistas. O atletismo era visto como uma modalidade pobre, praticada e em meios rurais pequenos e pobres. Qualquer pessoa tinha umas sapatilhinhas e ia correr. Foi assim que comecei. Hoje em dia, vê-se engenheiros, doutores, atores e passou a ser uma modalidade mais rica.

Diz que o atletismo era uma modalidade pobre. Isso, por outro lado, significa que está ao alcance de todos?

Sim. Lembro-me que quando comecei a correr tinha umas sapatilhas de 200 escudos (menos de um euro), que eram duras, mas era o que podia ter na altura. É claro que com uma sapatilha melhor, não se tem tantas lesões. Mas é uma modalidade que ainda se pode praticar sem gastar muito dinheiro.

Quando vai às escolas, qual é a reação dos jovens e que temas mais despertam a atenção deles?

Perguntam sempre o que é ganhar uma medalha de ouro e o que se sente quando se ouve o hino no pódio. Aliás, esta questão é-me colocada não só pelas crianças, mas também pelos adultos. Os mais jovens recorrem à internet para se informarem mais sobre a minha carreira e a prova que mais veem é a dos Jogos Olímpicos. Quando digo que corri 25 voltas ficam muito admirados, porque acham muito.

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