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Dragão vinca posição vencedora do milénio

Dragão vinca posição vencedora do milénio

A duas jornadas do final do campeonato, o F. C. Porto conquistou o título de campeão nacional e vincou a sua força como o clube nacional mais dominador do milénio. Desta vez sem a excelência da época passada, incapaz de produzir o mesmo futebol sedutor e salpicado por golos, mas à custa de uma eficácia e de uma frieza de espírito de quem nunca claudicou nos jogos decisivos.

Talvez tenha sido esse um dos segredos da equipa orientada por Vítor Pereira, muitas vezes a dar sinais de aparente fragilidade nos encontros mais fáceis, mas a mostrar uma faceta equilibrada e tenaz nos grandes duelos. Ganhou ao Benfica no jogo do título, passando para a frente do rival à 21.ª jornada e cravou, logo aí, um caminho mais retilíneo para êxito; e triunfou em Braga diante da equipa sensação da prova, aproveitando o deslize das águias em Alvalade.

Um título muito difícil

Olhando para trás, talvez tenha sido o título mais difícil do F. C. Porto deste milénio, ao precisar da paciência de quem corre a maratona para atacar nos momentos chave, quando os adversários davam sinais de fraqueza. Terminou a primeira volta com menos dois pontos do que o líder Benfica, antes de bater no fundo dois jogos depois: perdeu com o Gil Vicente e ficou a cinco pontos do pódio. Recuperou-os, aproveitando os deslizes das águias e indiferente às críticas ferozes de quem não acreditava no sucesso azul e branco.

Mesmo que a SAD tenha investido 54,6 milhões de euros no início da época, o plantel nem sempre se mostrou equilibrado e foi notória a falta de um ponta-de-lança para ombrear com o estatuto goleador de Falcao, transferido para o Atlético de Madrid.

A agravar o quadro, muitos jogadores sonharam com transferências milionárias e isso prejudicou-os quando era necessário apresentar o melhor rendimento no arranque da época. A tudo isto juntaram-se críticas às opções de Vítor Pereira, um treinador que não reúne a simpatia dos adeptos, mas manteve sempre a confiança de Pinto da Costa.

Inverno em boa altura

A ascensão na segunda volta também se explica pela forma como a SAD equilibrou o plantel com o regresso de Lucho González, um médio experiente e com a responsabilidade de incutir uma nova liderança no balneário; pela chegada de Janko, uma referência na área; pela promoção de Paulinho Santos, um adjunto que conhece a mística da casa. Porque o sucesso é sempre a soma de várias partes e o título do F. C. Porto é um bom exemplo dessa matemática.