Mundial 2022

Duelo histórico entre as duas Coreias não teve golos nem espectadores

Duelo histórico entre as duas Coreias não teve golos nem espectadores

Acabou sem golos o histórico primeiro duelo oficial em Pyongyang entre as duas Coreias, realizado esta terça-feira, e que não teve espectadores nas bancadas do Estádio Kim Il-sung, com capacidade para 50 mil pessoas, segundo informação avançada pelos dois funcionários da Federação Sul-Coreana, os únicos dos 30 elementos da comitiva autorizados a entrar na Coreia do Norte com meios tecnológicos (telemóvel e câmara fotográfica).​​​​​

Ou melhor, teve pelo menos um espectador, e especial, o presidente da FIFA Gianni Infantino, que chegou a Pyongyang esta terça-feira para assistir a um jogo que também não teve transmissão televisiva em direto para nenhum país.

Enganaram-se redondamente todos aqueles, se calhar a começar por Gianni Infantino, que acreditavam que este jogo seria uma forma de reaproximar as duas Coreias. E a culpa nem será da Coreia do Sul, mas do fim abrupto das conversações entre o regime de Kim Jong Un e os Estados Unidos sobre o programa nuclear norte-coreano, depois de cancelada sem grandes explicações a última cimeira prevista entre Kim Jong Un e Donald Trump

Os problemas começaram logo com a viagem da seleção sul-coreana. Os homens de Paulo Bento só conseguiram viajar para Pyongyang via Pequim, sendo que futebolistas, técnicos e outros membros do staff tiveram de deixar os telemóveis na embaixada da Coreia do Sul na capital chinesa, depois de avisados que não poderiam entrar com eles na Coreia do Norte.

Se adeptos e jornalistas sul-coreanos não foram autorizados a entrar na Coreia do Norte, o que ninguém estava à espera é que nem os adeptos locais fossem autorizados a assistir ao encontro, que, assim, acabou por se desenrolar sem espectadores, como se de um jogo à porta fechada se tratasse. "Fotografias enviadas pelos funcionários mostram que não havia ninguém nas bancadas. Não sabemos porque a Coreia do Norte fez isso", contou Park Jae-sung, dirigente da Federação Sul-coreana de Futebol, entidade que disponibilizou as fotos do estádio vazio às agências internacionais.

Ainda assim, foi avançada por um responsável governamental da Coreia do Sul, ligado aos ministério de trata das relações entre os dois países, que existia a hipótese de os adeptos sul-coreanos virem a assistir à partida em diferido. Isto se os norte-coreanos fornecessem, como prometido, um DVD do jogo à comitiva da Coreia do Sul antes desta abandonar Pyongyang.

Se a Coreia do Norte venceu o primeiro jogo entre as duas Coreias em Pyongyang, um amigável em 1990 - é, aliás, o único triunfo que tem sobre os rivais do Sul -, desta vez a estreia da capital norte-coreana em partidas oficiais desde o fim da guerra (ainda não oficialmente encerrada, pois o que está em vigor desde 1953 é um armistício) produziu o oitavo empate em 16 confrontos entre os dois países.

O nulo mantém as duas Coreias igualadas no topo do Grupo H da segunda eliminatória de qualificação para o Mundial de 2022, no Catar. As duas seleções, que continuam sem sofrer golos, somam sete pontos em três partidas, mais quatro que o Turquemenistão e o Líbano, sendo que este último tem menos um jogo realizado. O Sri Lanka ocupa o quinto e último lugar, com três derrotas noutros tantos encontros.

Os primeiros classificados dos oito grupos seguem diretamente para a terceira eliminatória, para a qual se apuram ainda os quatro melhores segundos desta segunda fase. Se o Catar ganhar o seu grupo ou ficar entre os melhores segundos, uma vez que já está apurado como país anfitrião, será o quinto melhor segundo classificado a ocupar o seu lugar na fase que apurará as quatro equipas com entrada direta no Mundial e o representante da Ásia nos play-offs intercontinentais.

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