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Escola coloca todos a dançar em Valbom

Escola coloca todos a dançar em Valbom

A antiga escola primária da Giesta, em Valbom, continua a ser um local de aprendizagem. Casa da "Dancingstar", desde 2013, em vez de letras e números, as salas de aula são agora inundadas por passos de dança.

"A escola surgiu há nove anos, para dar resposta a tantos pedidos, em Valbom, de meninos e meninas que queriam praticar dança", conta a diretora Maria João Correia, 43 anos, professora de Educação Física, com especialização em Dança.

"Começámos com 40 alunos e num instante passamos para 100. O espaço alugado onde inicialmente estávamos era pequeno, então decidimos candidatar-nos a uma das escolas primárias que estariam a ser encerradas. Tivemos a sorte de conseguir este espaço na Giesta, fizemos algumas obras, conseguimos abrir novos horizontes e aceitar mais atletas. Neste momento, temos cerca de 350, dos três aos 20 e muitos anos, divididos em 17 grupos de danças", salienta a responsável, anotando que a associação está vocacionada para as danças urbanas.

"Temos as vertentes do hip-hop, locking, dance hall, mas também abordamos o jazz, a street dance a MTV dance", explica Ju, como é carinhosamente tratada pelos alunos.

Na escola também há classes de zumba, fitness, strong by zumba - modalidade nova que iniciou este ano -, karaté, teatro e aulas de francês. Além disso, tem programas de ocupação dos tempos livres nas férias do Natal, Páscoa e verão. Como se não bastasse, em janeiro, Maria João pretende abrir uma classe de ballet. "É fundamental para qualquer bailarino que queira seguir a área de dança", justifica.

Com 25 anos de experiência a lecionar dança, a professora desmistifica a ideia do "pé de chumbo". "Com as aulas, ensaios e treinos, se tiverem assiduidade, forem aplicadas e trabalharem aqui e em casa, todas as pessoas têm capacidade para dançar. Até o mais descoordenado motor, passado uns tempos, consegue ter noção de ritmo", defende a diretora da "Dancingstar".

Ritmo e sincronização é o que parece não faltar às alunas de Maria João, a ver pelo ensaio da coreografia que será apresentada na gala de encerramento de Gondomar Cidade Europeia do Desporto 2017, em dezembro, ao qual o JN teve a oportunidade de assistir. Das mais jovens às mais velhas, todas mostram não só ter a coreografia na ponta dos pés, mas também a qualidade que há na dança em Portugal.

"A nível nacional esta arte está muito bem representada. Este ano participamos pela primeira vez no Hip-Hop International, que é a principal competição em Portugal, e foi uma experiência muito interessante, vimos grupos muito bons, que já andam nisto há muito mais tempo e dá sempre para aprender", enaltece a professora de dança, apontando a interação com outros escolas como algo essencial para a evolução da "Dancingstar".

Duas faces do ensino da dança

Com tantos alunos a cargo, Maria João Correia começa a delegar responsabilidade nas monitoras e ainda alunas que a acompanham desde o início da escola, como é o caso de Ana Correia, de 21 anos. "Sou atleta do Dancingstar desde que abriu, mas sou aluna da professora Ju desde os três anos, sempre nas danças urbanas. Já são muitos anos", anota.

Com papéis nos dois lados da aprendizagem, Ana revela que o de monitora "implica uma responsabilidade muito grande". "Neste momento, o grupo de que sou monitora tem 32 atletas. Enquanto alunas temos de entender que o nosso posto é o contrário, que temos de obedecer às ordens e cumprir o máximo possível e da melhor maneira", explica a bailarina, reconhecendo que "às vezes, é complicado abandonar a faceta de líder e adotar a da atleta".

Apesar da grande paixão que tem pelas danças urbanas, Ana Correia está ciente de que, no nosso país, é muito difícil construir-se uma carreira nesta área. "Monetariamente é muito difícil, pois há pouco apoio e dinâmica a nível da dança. Em Portugal é só futebol, desvalorizam um pouco os outros desportos. A dança é um desporto e uma arte. E sinto que, não só na dança, mas também noutros desportos, falta um bocadinho de apoio nacional", afirma, com alguma tristeza, a monitora, mais ainda por ser uma área que "precisa de muitas horas, muito esforço e muita pesquisa".

Basta ver o tempo que demora a levar ao palco os dois espectáculos que a escola organiza por ano. "Fazemos dois saraus, o de aniversário e o de Verão. Começamos em setembro a trabalhar para o de aniversário, que normalmente é em fim de janeiro, princípio de fevereiro, e, depois, nos meses restantes até junho, o de verão, que marca o encerramento do ano letivo", anota Ana Correia.

Tanto trabalho e dedicação depois, na hora de subir o pano e entrarem em palco as alunas, a monitora fica atenta ao mais ínfimo pormenor. E qualquer falha no esquema apresentado não passa em branco ao "olho clínico" de quem ensina. "O público não se apercebe, mas, nós, monitoras, conseguimos detetar se alguém se esquece dos passos, pois construímos as coreografias e os esquemas e percebemos se há ali uma falha, por muito mínima que seja. Quando isso acontece fico frustrada, pois passamos meses a construir uma espectáculo. O que fazemos nessa situação é rever os vídeos e ver o que se poder corrigir", finaliza a monitora.

Nervosismo na hora de subir ao palco

Quando a memória atraiçoa uma bailarina no meio do palco, como já aconteceu com a jovem aluna Rita Teixeira, de 12 anos, só é preciso manter a calma, pois rapidamente a mente volta a entrar no ritmo certo.

"Já me aconteceu esquecer por causa do nervosismo, mas depois lembramo-nos e recuperamos. Quando isso acontece tentamos ajudar-nos umas às outras", ressalva a aluna, que entrou para a "Dancingstar" há sete anos.

"Sempre gostei de dançar e como tinha amigas minhas que andavam aqui e diziam que eram muito unidas, que havia muita brincadeira e que os espectáculos eram bonitos, decidi experimentar", conta Rita.

Na hora dos ensaios as brincadeiras ficam à porta e a concentração é total, pois só assim conseguem ter a coreografia devidamente ensaiada. Por muito bem que conheçam os passos todos, quando sobem ao palco todas sentem "um friozinho na barriga". "Antes de entrarmos ficamos sempre nervosos, mas acho que é normal. Depois, quando começa a música isso passa", afirma a aluna.

Embora gostasse de "fazer carreira na dança", Rita Teixeira avança que, em Portugal, é muito complicado de se conseguir. "Não por falta de qualidade, mas porque a dança é pouco valorizada e apoiada", complementa.

Encaixar os passos nas músicas

A mesma ideia tem Inês Guimarães, de 15 anos. "É um bocado complicado fazer carreira. Não é a única coisa que gostava de fazer, contudo, se tivesse oportunidade, sim gostava de me dedicar a esta arte", confessa esta jovem, contando como chegou há cinco anos à "Dancingstar".

"A primeira a entrar foi a minha irmã, que é mais pequenina que eu. Fui ver bastantes saraus dela e no princípio estava um bocado nervosa, mas depois decidi que queria juntar-me e estou cá até hoje", revela a bailarina.

"As danças urbanas são o estilo em que estou mais à-vontade, mas, no geral, gosto sempre de ouvir coisas novas", explica a jovem aluna, relevando que esta arte está tão interiorizada nela que, mal ouve uma música nova, vêm-lhe logo à ideia as coreografias. "O primeiro pensamento não é pensar na letra, mas na batida, no que está por de trás e que passos é que se podem encaixar na música", acrescenta Inês.

Para além do ritmo, passos e coreografias, o ambiente que se vive na escola de dança é algo que a cativa bastante. "Somos muito unidas e esta família é enorme", finaliza, orgulhosa.

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