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200 atletas em projeto de basquetebol em Gondomar

200 atletas em projeto de basquetebol em Gondomar

O Club 5Basket nasceu a 25 de julho de 2012, em Rio Tinto, Gondomar, com o objetivo de desenvolver um projeto de formação desportiva de qualidade no basquetebol, dirigido a crianças e jovens.

"Surgiu por ideia do presidente e meu amigo Vasco Silva. Tentámos criar um espaço basquetebolístico muito próprio, com as ideias que tínhamos acerca de como deve funcionar um clube, os aspetos de organização, quais os objetivos a curto, médio e longo prazo. Um dia decidimos por mãos à obra a esta empreitada", explica Eurico Brandão, vice-presidente e coordenador desportivo do 5Basket.

Com uma carreira como basquetebolista "sem expressão, mas com uma persistência muito grande", este dirigente anota que foi na experiência que teve como treinador, diretor-técnico regional, selecionador distrital, colaborador das seleções nacionais e treinador de um centro de treino que se baseou "para construir um processo de formação de jovens jogadores".

Cinco anos volvidos, o 5Basket conta com quase 200 atletas, dos sub-8 aos seniores em masculinos e até aos sub-19 em femininos. "Temos todos os escalões, esta época de 2017/18 criámos mais um, o de sub-19 feminino, para completarmos os escalões de formação que existem. Falta-nos o de seniores femininos, que potenciamos ter daqui a dois anos, quando as atletas que agora estão a representar as sub-19 forem seniores", salientou o vice-presidente.

Se lidar com parte humana deste projeto é para Eurico Brandão "tarefa fácil", já a gestão dos espaços obriga a uma organização muito apertada, com os treinos e jogos a decorrerem em seis pavilhões. "Temos tido sucesso porque temos a sorte de ter treinadores e directores com muita qualidade e determinação a trabalharem connosco".

No que aos atletas diz respeito, o Club 5Basket tem sempre a porta aberta para todos. "A prospeção é muito simples, quem quiser jogar basquetebol que venha jogar no 5Basket", refere Eurico Brandão, justificando: "Costumo dizer que não há seleção de talentos, há desenvolvimento de talentos. Isto é, os miúdos aparecem e a nós cabemos trabalhar com eles. Quem gosta e quer, continua. Quem não quer, ou deixa de jogar ou vai para outros clubes".

Quanto aos objetivos, o coordenador aponta como principal "o desenvolvimento pessoal e desportivo de jovens basquetebolistas". "Temos uma dimensão social muito importante. Apesar de treinarmos em seis pavilhões e estarmos dispersos há uns namoricos entre atletas rapazes e raparigas. E isso agrada-nos, porque é gente que sente o clube como ponto de união. Depois, como é evidente, um clube desportivo tem de ter de lutar pelos seus resultados. Nenhuma equipa entra em jogo para perder, por isso também gostamos de ganhar e ter os melhores resultados".

E no que à equipa sénior se refere, "embora a subida de divisão e os títulos não sejam uma missão", se isso acontecer ficarão todos "muito satisfeitos. No entanto, ressalva: "Sendo um clube vocacionado para a formação, os seniores têm de ser um espaço de entrada de jogadores da nossa formação", finaliza Eurico Brandão.

Seniores criados há dois anos

Para já esse pressuposto está a ser parcialmente cumprido, pois a equipa principal está a entrar no segundo ano de existência e ainda carece de jogadores experientes para poderem medir forças com rivais mais competitivos.

"No ano passado, foi maioritariamente o escalão de sub-18 que fez parte da equipa sénior. Este ano temos algumas aquisições, porque é uma diferença muito grande a mudança em termos de competição. Quisemos trazer alguma qualidade, também com outros objetivos que a equipa e o clube têm, nomeadamente melhorar a classificação do ano anterior. E isso talvez não fosse conseguido com uma equipa só de sub-18", referiu o treinador Rui Silva, para logo salientar: "Mas a base é mesmo essa, que no futuro o plantel sénior seja formado só por jogadores da formação do 5 Basket".

Para a nova temporada que se avizinha, o plantel será composto por "uma mistura de jovens com atletas já mais velhos, para dar essa mescla de juventude e maturidade". "Nesta fase de preparação da época tem corrido bem. Os jogadores mais velhos têm ensinado os mais novos, que também têm ouvido e penso que demos um salto qualitativo em relação à época passada", anotou o técnico.

Por isso, os objetivos são mais ambiciosos e a subida é a meta. "Se nos deixarem, penso que vamos conseguir, pois temos uma boa equipa. Se não for este ano, temos de pensar mais a longo prazo e provavelmente na próxima temporada. Espero que o trabalho que for feito este ano seja um bocadinho melhor do que aquele que fizemos no ano passado. E construir esta base para um futuro próximo mais risonho", avançou Rui Silva, que no Club 5Basket desde o início.

"O professor Eurico convidou-me para iniciar o projeto com os sub-14 femininos, treinei dois anos este escalão, depois treinei os sub-18 masculinos, alguns deles treino agora nos seniores", contou sobre o percurso ao longo destes cinco anos, anotando que o que o move é ajudar os jogadores a melhorarem todos os dias.

Com esforço consegue-se prosperar

Um dos jogadores que procura aprender com os ensinamentos do treinador é o capitão Tomás Ferreira, 19 anos, estudante de engenharia electrotécnica e de computadores, no Instituto Superior de Engenharia do Porto.

"Comecei desde pequeno a jogar basquetebol. De 2004 até agora já são muitos anos. Entrei ao mesmo tempo que o meu irmão mais velho e para o mesmo clube. Foram os meus pais os principais responsáveis, pois sempre me deixaram fazer o que quis a nível do desporto, e não só, e optei pelo basquetebol. Adorei a modalidade e continuei a praticar", conta o base, defendendo a sua "dama": "É um desporto que está em crescimento e que trás muitas alegrias. Se uma pessoa se esforçar bastante consegue prosperar nesta modalidade e poderá vir a ser um talento".

Apesar de ser ainda muito jovem, é com orgulho e entusiasmo que fala da importância de ser o líder do plantel. "Com 19 anos ser capitão de uma equipa sénior é muito bom, então neste clube é excelente", afirma Tomás, continuando sobre o papel que desempenha: "Tento motivar ao máximo os meus colegas e nunca lhes "dar na cabeça" e no balneário tento passar os padrões deste clube, mostrar o que ele quer e o que faz por nós, para que possamos atingir o objetivo".

O base reconhece que a equipa "é nova e tem vários jogadores jovens", mas nem por isso deixa de assumir a subida de divisão como meta a alcançar. "Vai ser difícil, mas todos queremos o mesmo e estamos a dar tudo em campo e fora para o conseguirmos alcançar. Estamos na CNB2 e queremos subir à CNB1, pois é mais competitiva", complementaDesporto muito completo

Ambição em chegar mais longe ainda tem também outro capitão, Rui Ramos, mas do escalão de sub-18. "Espero chegar à Proliga quando estiver nos seniores. Já era um sonho realizado", diz o jovem de 17 anos, que frequenta o 12.º anos e deseja ingressar no curso de engenharia mecânica quando for para a universidade, pois sabe que esta modalidade, em Portugal, salvo raríssimas exceções, dificilmente permite o profissionalismo.

Os primeiros passos no basquetebol foram dados na escola, no Desporto Escolar. Entretanto ouviu falar do projeto do Club 5 Basket e foi convidado pelos dirigentes para experimentar jogar. Gostou tanto da sensação, que continua de "pedra e cal" de emblema ao peito.

Hoje é o capitão dos sub-18, uma função de "grande responsabilidade". "Sempre que é preciso qualquer coisa sou eu que trato, ajudo o treinador, desde os exercícios no ginásio, aos planos de treinos, passando pelos exercícios de aquecimento. Se algum colega está distraído tento chamá-lo à atenção para correr melhor o treino e os jogos", anota, com orgulho.

Quando instado a deixar uma palavra de encorajamento para os jovens que querem começar a dar os primeiros dribles, atira pronto: "O basquete é um desporto muito completo, pois trabalhamos quase todo o nosso corpo. Braços, pernas, tudo. É um desporto que exige muito de nós, mas também é muito recompensador e divertido".

Projeto de formação ambicioso

É exatamente com jogadores como Rui Ramos que o técnico dos sub-18, Rui Vitória, prefere trabalhar, pois pode lapidar os diamantes em bruto que lhe chegam às mãos. "Nós queremos sempre que o nosso trabalho seja visível nos outros. Quando são jovens conseguimos que eles cresçam mais ainda do que um jogador sénior", explica o treinador de 38 anos, que deixou os Açores para vir trabalhar para o Porto, aproveitando para se juntar ao Club 5Basket.

"Mesmo estando longe, já tinha ouvido falar do projeto. É um projeto jovem, mas ambicioso. O clube está no bom caminho, está a progredir todos os anos e são esses projetos que procuro: ambiciosos e que têm pernas para andar", salienta Rui Vitória, que no arquipélago já teve a cargo equipas seniores.

"Há muitos treinadores que chegam aos seniores e não querem voltar para a formação, mas eu já fiz esse percurso várias vezes na minha carreira. Já fui treinador sénior durante cinco ou seis anos, voltei para a formação para os sub-14 e fiz o mesmo percurso até chegar aos seniores outra vez, onde voltei a ficar cinco anos", aponta o técnico, que agora volta a comandar uma equipa da formação.

"Pessoalmente até gosto mais de treinar os sub-18 ou sub-16, porque são escalões onde os atletas aprendem mais e conseguimos transmitir mais os nossos conhecimentos. É sempre bom treinar jovens, é sempre bom que eles aprendam e evoluam", justifica Rui Vitória, complementando: "Normalmente os seniores são uma equipa com mais vícios e não querem corrigir muito".

Sonhar com a seleção nacional

Quem tem uma enorme sede de aprender a ser cada vez mais uma melhor basquetebolista para ter um futuro na modalidade é a jovem Carolina Moura. Tem apenas 13 anos, mas a base é a atleta feminina mais antiga no clube.

"Comecei mal o Club 5Basket foi criado, em 2012, e tem sido uma experiência maravilhosa", atira a jogadora, que representa o emblema gondomarense nos escalões de sub-16 e sub-19.

"Em termos físicos noto diferenças, pois não tenho tanta altura em relação às outras raparigas. Mas consigo adaptar-me. Também já jogo há muitos anos e tenho experiência", apressa-se a esclarecer a jovem, que sonha representar a seleção nacional.

Carolina aproveita para desmistificar a ideia de que a modalidade é só para homens, de preferência com mais de dois metros de altura.

"Costuma-se dizer isso, mas com o trabalho e à medida que vamos treinando, cresce o amor pelo basquete e vamos aperfeiçoando a técnica", refere a basquetebolista, acrescentando: "O basquetebol não é um jogo que se perceba logo, obriga-nos a pensar. Temos metade do campo para jogar, é preciso muito raciocínio e isso trabalha-se a partir dos treinos".

E conclui: "Se treinarmos muito, começamos a jogar melhor".

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