Teste de produto

A quarta geração das Speedgoat. É possível melhorar a perfeição?

A quarta geração das Speedgoat. É possível melhorar a perfeição?

Estamos de regresso aos testes. Aproveitamos este período para fugir para o monte, onde não há álcool gel, máscaras, viseiras, luvas ou fatos de ir ao espaço.

Tivemos a oportunidade de testar um modelo que no universo do trail quase dispensa apresentações.

As Hoka Speedgoat são apadrinhadas por um titã americano do trail que dá pelo nome de Karl Meltzer. No currículo deste cavalheiro, com alcunha de "Speedgoat", encontramos feitos de destaque como o facto de ser o atleta com o maior número de vitórias de ultramaratonas com mais de 160 quilómetros. Coisa pouca.

Para os mais curiosos, recomendamos que vejam o documentário "Made to be broken" de 2016, em que este super homem bateu o recorde do maior trilho dos Estados Unidos, o Appalachian Trail, com cerca de 3524 quilómetros. Aquilo que o comum dos mortais demoraria meses em passeio a percorrer, levou apenas 45 dias, 22 horas e 38 minutos a concluir. Podem procurar na internet, encontram facilmente o documentário.

Mas é de sapatilhas a que este texto se refere.

As Speedgoat 4 sucedem um modelo muito acarinhado pelos atletas de trail, dos "domingueiros" às "lebres". Quem as utiliza refere sempre a durabilidade e a tração da sola às adversidades que o terreno apresenta. Isto deve-se, em grande parte, à Vibram Megagrip que, para quem desconhece, são as solas mais resistentes do mercado. Há outras marcas a usar este tipo de solas e isso reflete-se, obviamente, no preço. Mas será que vale a pena? Nada como testar.

Ao abrir a caixa

Calhou-nos na rifa a versão verde das Speegoat 4. O esquema de cores é apelativo e os olhos também comem. São extravagantes sem serem berrantes. Mas cada cabeça sua sentença...

Um pormenor que salta logo à vista é o apoio na zona do calcanhar. É enorme! Parecem ser sapatilhas com "drop" alto, quando é precisamente o oposto. A diferença de altura entre o calcanhar e a biqueira é de 4 milímetros, o que torna este modelo um minimalista, por aproximar o pé em toda a sua extensão ao solo.

A língua da sapatilha é muito fina, ao contrário da maioria dos modelos que tem acolchoado. Como o pé dilata ao fim de vários quilómetros de corrida, pode ser uma variação interessante em relação ao modelo anterior das Speegoat.

Calçar e correr

A primeira impressão depois de caminhar poucos metros em casa é de que a sola parece ter ventosas. Arriscaríamos dizer que fica a sensação que "cola ao chão" ao caminhar.

Até ao momento, já corremos uma média de 100 quilómetros com elas em treinos com diferentes condições climatéricas. Apanhámos chuva e calor abrasador, o que foi um excelente laboratório de controlo de qualidade para as Speedgoat.

Pela primeira vez, o atleta marreta que assina, pode dizer que se adaptou perfeitamente a um modelo com drop baixo. Sem dores ou desconforto, mesmo depois de um treino longo. As Speedgoat têm a tração de uma cabra do monte a trepar ou não tivessem a alcunha do Meltzer. Não escorregámos mesmo em zonas com pedra coberta por musgo húmido. O escoamento de água, quando volta e meio afundamos o pé nos ribeiros, é muito bom. Após uns metros, desapareceu a sensação de usarmos galochas, que é comum em muitas sapatilhas depois de estarem encharcadas.

Os atacadores parecem ser tudo menos uma ciência exata. Há quem diga que tem a ver com o nó utilizado, outros dizem que só se aperta uma vez e nunca mais se desfazem os nós até ao fim de vida das sapatilhas. No nosso caso, sofremos muitas vezes com os nós a desfazerem-se a meio de uma corrida, o que não é nada simpático. As Speedgoat nunca se desapertaram, por isso agradecemos aos deuses dos atacadores por esta bênção.

Numa nota menos positiva, está o terminal em losango na biqueira da sapatilha. Ao fim destes 100 quilómetros percorridos, começou a descolar. Para uma sapatilha com preço acima da média não é aceitável. Mas, pelo que percebemos, foi um problema que surgiu com as primeiras sapatilhas produzidas.

Apito final

As Speedgoat 4 fazem justiça ao historial de sucesso, sobretudo em relação aos modelos 2 e 3. Ficámos a perceber porque é que tanta gente não anda enganada em relação às Hoka. Ficámos amigos e temos a certeza de que continuaremos a percorrer muitos e bons quilómetros juntos.

Nota: As sapatilhas foram cedidas pela marca.

Preço: 140€

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