Corrida

Armando Teixeira, o regresso do veterano às competições

Armando Teixeira, o regresso do veterano às competições

É sábado de manhã. Armando Teixeira está num treino aberto promovido por uma loja de corrida do Porto. Entre amigos que se conhecem há centenas de quilómetros, o veterano do trail falou-nos do regresso à equipa Salomon/Suunto e às competições.

Passados dois anos, porquê voltar?

Não houve uma motivação extra para regressar. Tudo isto faz parte de momentos e timmings que me levaram a tomar a decisão.

Há dois anos, o contexto onde estava inserido criou-me a possibilidade de abraçar dois projetos.

Ao final destes dois anos vejo que esta mudança foi natural. Na altura foi importante para mim abraçar novos projetos porque também quis voltar a estudar. Estou agora a terminar o terceiro ano da licenciatura em Treino Desportivo.

Aquilo que recebi da parte da Salomon foi uma abordagem para voltar à equipa. Aqui sinto-me em casa. Estou numa fase da vida em que quero mais estabilidade. Já caminho para os 44 anos e quero focar-me em ajudar a marca e continuar a correr e competir. Sinto falta disso.

O que mudou no trail?

Nunca estive afastado da modalidade nem da competição. Não estive tão exposto. Aquilo que estes dois anos me permitiram foi ver a modalidade mais de fora para dentro. Antigamente sentia a modalidade como atleta e muitas vezes como atletas estamos focados na tarefa, no treino diário, vamos à competição e há coisas que nos passam ao lado. Mas estar de fora deu para perceber que a modalidade está a crescer de uma forma massificada. Há marcas a apostar em atletas, e melhoram as condições em que podem treinar, há treinadores, médicos fisiatras...

A economia mexe muito. Os patrocinadores estão atentos porque veem que esta modalidade acaba por ter muita visibilidade. Já há aqui um recrutamento de forma natural.

Acredito cada vez mais que a base disto tudo é uma base pedagógica. Isto tem de ser algo incutido por parte do ensino. Também pensamos numa base de recrutamento, porque a faixa etária destes atletas continua entre os 35 e os 45 anos. Há muitos atletas novos a aparecer com muito valor, mas comparativamente com França, Espanha e Estados Unidos e com a qualidade que temos, merecíamos ter um maior número de atletas entre os 12-14.

E o futuro? O que podemos esperar das competições?

Ainda estou a enquadrar-me e a pensar na minha carreira profissional enquanto atleta. Acredito que ainda tenho muito para dar a este desporto. Enquanto sentir prazer e paixão por este desporto já me sinto realizado. Para mim será sempre o maior troféu.

Mas estou a pensar para o próximo ano relançar a minha carreira em ultras distâncias que é aquilo em que me sinto mais à vontade. Ainda não tenho bem definido o calendário, mas irei fazer duas provas grandes de renome internacional porque me sinto bem a competir no meio dos melhores, mas também fazer mais provas aqui em Portugal