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Brexit provoca terramoto na premier league

Brexit provoca terramoto na premier league

Federação e Liga colocam-se em posições opostas. Clubes já atuam com cautelas no mercado de transferências.

A enorme indefinição quanto ao acordo que levará à saída do Reino Unido da União Europeia, que tem vindo a ser constantemente adiada, está a ter fortes repercussões também no futebol inglês, com especial ênfase no mais mediático campeonato de futebol do Mundo.

As posições são claras e provocam divisão: de um lado está a Federação, que pretende usar o Brexit como colete à prova de balas para avançar com uma reestruturação no futebol inglês, restringindo o número de jogadores estrangeiros (dos 17 atuais para 12) com a perspetiva de oferecer mais oportunidades aos futebolistas nascidos em terras de Sua Majestade, o que, alegadamente, beneficiaria as diversas seleções do país; e do outro surge a Liga inglesa (Premier League), que tenta a todo o custo evitar essa situação, não só devido a uma perspetiva financeira, que certamente tem um enorme peso na tomada desta posição, mas também com o argumento de que o jogador inglês não beneficiaria com a redução dos jogadores estrangeiros nos diversos clubes, e até sairá prejudicado, pois deixaria de competir todas as semanas com e contra os melhores futebolistas do Mundo.

Certo é que o debate está lançado, apesar da falta de esclarecimentos. Neste momento, as implicações que o Brexit terá no futebol inglês são impossíveis de prever, mas a opinião generalizada garante que não serão tão profundas quanto noutras áreas da sociedade, até porque o desporto-rei vive dias de glória ao nível da FIFA - a seleção conseguiu um terceiro lugar no Mundial da Rússia, o melhor resultado desde o título de 1966 - e UEFA. Nos quartos de final da Champions, Inglaterra está representada por quatro equipas: Liverpool, que defrontará o F. C. Porto, Man. United, Man. City e Tottenham. Na mesma fase da Liga Europa, a Premier League ainda tem em cena Arsenal e Chelsea. Em traços gerais, todas as equipas inglesas que participaram na presente edição das competições europeias continuam em prova e todas partilham a particularidade de terem um grande número de jogadores comunitários, alguns deles ao abrigo da dupla cidadania.

Investidores atentos

Mesmo num plano administrativo, os clubes ingleses "vivem" suportados por investidores estrangeiros e têm acordos televisivos de valores elevadíssimos que, na eventualidade de virem a perder a escala global na constituição dos diversos planteis, podem baixar consideravelmente, o que prejudicaria as finanças do país, devido aos encaixes feitos nos impostos. Aqui poderá estar a prova de que o futebol e a política andam cada vez mais de mãos dadas.

A verdade é que o desinvestimento já se nota devido a todas as indefinições relacionadas com o Brexit. Em 2018/19, os 20 clubes da Premier League gastaram 1600 milhões de euros em transferências, abaixo do que foi despendido na época anterior, na ordem 2214 milhões. Mais um sinal de que o Brexit está a provocar um terramoto no futebol inglês.

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