Provas

Consegue contar as corridas de S. Silvestre? Nós nem por isso

Consegue contar as corridas de S. Silvestre? Nós nem por isso

Uma investigação não exaustiva chegou a um total de 35 corridas de São Silvestre este ano. Uma conta feita certamente muito por baixo.

Santa Maria da Feira, Aveiro, Seide (Famalicão), Alqueidão da Serra (Porto de Mós), Figueira da Foz, Santo Tirso, Felgueiras, Gondomar, Nisa, Oliveira do Hospital, Batalha, Almada, Sado (Setúbal), Ovar, Ponta Delgada, Lousada, Santa Maria Maior (Lisboa), Braga, Gerês (Terras de Bouro), Famalicão, Viana do Castelo, Olivais (Lisboa), Golegã, Avis, Lisboa, Amares, Porto, Torres Novas, Coimbra, Vila Real, Pinhel, Amadora, Espinho, São Pedro do Sul, Esmeriz (Famalicão) e pedimos desculpa se nos passou alguma menção, certamente terá passado, dada a manifesta impossibilidade de listar exaustivamente todos os eventos de corrida deste tão pequeno e, afinal, enorme país, tão grande como este parágrafo que já dizia ao que vem, não?

Já terão certamente percebido que falamos - naturalmente e porque é dezembro e dezembro é chuva ou Natal e fim de ano, das duas três - das São Silvestres com que nos honram os organizadores de provas de atletismo multiplicados por uma infinidade.

Contámos, assim de relance e atentando em três ou quatro páginas de Internet com agenda de corrida, 35 corridas de São Silvestre entre os dias 2 de dezembro e 6 de janeiro. Trinta e cinco! E se algumas, poucas, apresentam uma respeitável idade, a maioria vão na primeira, segunda, vá, terceira edição.

Se mais fosse preciso, aqui está a prova de que a corrida amadora se instalou a sério na vida dos portugueses, afoitos na preparação destas míticas corridas dos frios finais de tarde da dobragem dos anos.

Sem querer destacar qualquer delas, até porque seria preciso corrê-las todas para poder, sequer, ousar comparar, façamos referência a uma em particular - e pela simples razão de que é a mais antiga do país, pelo menos entre as que encontrámos, ficando a ressalva inicial de que não sabemos tudo: Ponta Delgada, em S. Miguel, nos Açores. Tem umas provectas 53 edições, prepara-se para a 54.ª no próximo sábado, 16 de dezembro, e difere da maioria das outras pela distância, 6,2 quilómetros, nem mais nem menos cem metros.

Uma história com 93 anos

Ainda assim, a corrida açoriana é um jovem ao pé da primeiríssima São Silvestre - primeira com esse nome, entenda-se, que a corrida, bem, já Pheidippides a imortalizara, morrendo, em 490 a. C., diz a lenda - de que há memória. Aconteceu no Brasil, inventada pelo jornalista de S. Paulo Cásper Líbero, em 1925.

Numa viagem a Paris, criador da "Gazeta Esportiva" (uma crónica que em 1947 virou jornal) viu gente a correr à noite com tochas para iluminar o percurso. Decidiu replicá-la no Brasil e não encontrou melhor data que o último dia do ano, batizado de São Silvestre porque foi no 31 de dezembro de 335 que faleceu o papa Silvestre I. Curiosidade: era proibido beber (!?).

Começou com 60 inscritos e uns escassos 37 classificados (em 2016 contou 23 806), nunca falhou um 31 de dezembro e abriu-se à participação feminina em 1975, Ano Internacional da Mulher determinado pelas Nações Unidas e já várias luas depois de Kathrine Switzer ter entrado à socapa na Maratona de Boston.

Outra curiosidade: a portuguesa Rosa Mota é a recordista desta São Silvestres, pelas vezes que a correu - e venceu: seis, de 1981 a 1986. Última curiosidade: o percurso começou com 8,8 quilómetros, desceu aos mesmos 6,2 da corrida micaelense e vai atualmente nos 15.

Por cá, a seguir a Ponta Delgada, a São Silvestre da Amadora leva a palma, com a sua 43.º edição a correr-se no dia 31 de dezembro.

E, afinal, vamos destacar uma, pela ideia de génio que lhe está associada. Com tamanha quantidade de provas, quem não tem um armário a abarrotar de equipamento? Pois bem, trata-se de doar material desportivo a quem precisa.