Wings For Life World Run

Dia 9 é dia de correr pelos outros

Dia 9 é dia de correr pelos outros

Já que corremos todos cada um por si, mesmo sem provas, por que não correr pelos que não podem no dia 9 de maio. A Wings for Life World Run está de volta, ao alcance de uma aplicação.

A enorme vantagem da Wings for Life World Run foi, sem o querer, ter antecipado estes novos tempos pandémicos. Depois de algumas edições com corridas organizadas em dezenas de países do Mundo para angariar fundos destinados à investigação da cura das lesões da espinal medula, a Fundação Wings For Life optou por reduzir as provas físicas. Mas manteve a chama da única corrida no Mundo que se faz ao contrário com a criação de uma aplicação para telemóvel. Há vários anos que se corre pelos outros assim em Portugal, à espera de um apito no telefone.

Ora, a iniciativa está de regresso, às 12 horas do dia 9 de maio, hora de Portugal, ao mesmo tempo que o resto do Mundo nos mais diversos fusos horários. E com um recorde já estabelecido: o número de equipas inscritas, que já se aproxima das 3900. No total, os inscritos já passam os 50 mil, que se juntam assim aos mais de um milhão de corredores que já aderiram à iniciativa em 193 países desde a sua criação, em 2014.

O objetivo da Wings For Life é financiar projetos de investigação em lesões da espinal medula, muitas vezes encaradas como definitivas e pouco atraentes para a aposta científica das grandes multinacionais farmacêuticas. Até este ano, a ideia recolheu mais de 29 milhões de euros e apoiou cientistas de 239 projetos, 59 dos quais ainda a investigar. Trata-se de procurar uma eventual cura, ou, pelo menos, a melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Um deles envolve a Universidade do Minho (UM), em parceria com a Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e a Universidade de British Colombia (Canadá). De acordo com António Salgado, da Escola de Medicina da UM, trata-se de "investigar novas vias que permitam induzir neuro-proteção no tecido afetado da espinal medula após uma lesão traumática". Em causa está o papel de um fármaco como agente neuro-protetor.

Também a Universidade do Porto está a colaborar com a Fundação Wings for Life, num projeto dirigido pela investigadora Mónica Sousa e que pretende identificar as moléculas e mecanismos que permitem a regeneração dos axónios após a transecção completa da espinal medula.

E agora, a corrida: É ao contrário, na medida em que não se chega a uma meta - é-se apanhado por ela. Nas corridas físicas, um carro-meta arranca da partida 30 minutos depois do início da prova. Os participantes terminam a corrida mal sejam ultrapassados pelo carro, que segue a uma velocidade tranquila que vai subindo e que permitirá a um corredor amador mediano (a um ritmo de 6:07 minutos por quilómetro) chegar aos 15 km e ser apanhado ao cabo de 1,31 hora de corrida. À falta de carro, é a aplicação oficial que dá o sinal de meta.

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O recorde global da prova foi batido pelo sueco Aron Anderson: numa cadeira de rodas convencional, percorreu a distância de 89,95 km. Portugal também já contribuiu para os recordes, com a atleta do Sport Lisboa e Benfica Vera Nunes a conquistar o título feminino mundial em 2018, com 53,78 km. No dia 9, estará entre os portugueses a correr pelos outros. Com Vera, ainda que não ao lado dela, pandemia oblige, estarão o campeão da Europa de Bodyboard, Hugo Pinheiro, a campeã nacional de Surf, Teresa Bonvalot, e o jogador de hóquei em patins do Barcelona Hélder Nunes, entre outros.

Colin Jackson, diretor desportivo da Wings for Life World Run, explica o entusiasmo sentido este ano com o facto de o Mundo estar cansado de confinamentos. "Penso que as pessoas estão muito abertas a experiências partilhadas. Depois de meses em confinamento, fora da escola, da universidade ou do escritório, o formato digital da nossa corrida faz todo o sentido".

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