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Algarviana Ultra Trail

E se correr fosse uma desculpa para descobrir o Algarve?

E se correr fosse uma desculpa para descobrir o Algarve?

A corrida de trilhos mais longa de Portugal acontece entre os dias 24 e 27 de novembro. São 300 quilómetros do Cabo de São Vicente a Alcoutim, com uma proposta para todos: conhecer o interior do Algarve.

Organizado pela Algarve Trail Running (ATR), o Algarviana Ultra Trail (ALUT) percorre sensivelmente a GR13 - Via Algarviana, essa Grande Rota Pedestre que convida todos os amantes de Natureza a uns dias de passeio.

O percurso muda de sentido de dois em dois anos, para "diversificar o desafio" e oferecer, assim, "dois recordes a bater", explica a organização. O ultramaratonista português João Oliveira, vencedor da mítica Spartathlon (245,3 km na Grécia) em 2013 e vencedor do primeiro ALUT, em 2017, regressa aos trilhos algarvios, para lutar contra o francês Stevan Pavlovic. Do lado das mulheres, a francesa Claire Bannwarth é a estrela a acompanhar, dado que já venceu a outra grande corrida em Portugal, a PT281.

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Atravessar uma região e um país

E se percorrer 300 km com 7000 metros de desnível positivo a solo parece desafiante, há sempre a possibilidade de participar em estafetas de quatro elementos, com a agravante da logística e das trocas, em locais definidos para isso e dos quais só se arranca a horas fixas. Mas com uma mais-valia: os corredores podem aproveitar para incursões na região enquanto esperam pela vez. Trata-se, explica-nos Bruno Rodrigues, da organização, de criar uma espécie de prova por etapas.

Porque tem noção da dureza do desafio, a ATR aponta a importância do apoio aos participantes. "Ter pessoas a assistir e a incentivar é uma mais-valia para todos", pelo que "convida todos os que puderem a vir passar o fim de semana ao Algarve e a apoiar estes bravos".

A proposta é apoiar-se no sistema de acompanhamento em direto dos atletas, que indicará a familiares e amigos os locais e horas previstas de passagem para que possam "realizar um programa próprio por terras algarvias e estar sempre no sítio certo à hora certa".

300 km nos caminhos de peregrinos

Bruno Rodrigues decidiu, com um amigo, transformar os trilhos que sempre percorreu em treinos numa prova longa, consciente de que há atletas que gostam de se desafiar em distâncias longas. "Pelo desafio pessoal e para conhecer o território". Porque se atravessa toda uma região, mas também se atravessa um país, da fronteira do rio Guadiana ao Cabo de São Vicente que cai para o oceano Atlântico.

O atleta insiste que não é um desafio gigantesco. Até porque os trilhos são pré-existentes, não foram criados para haver dureza.

Os cerca de 300 km da Via Algarviana foram marcados "há 11 anos, com base nos caminhos de peregrinação de São Vicente, na ótica de os caminhantes ficarem o final de cada dia numa povoação". Atravessam 13 municípios, as três serras algarvias (Caldeirão, Monchique e Espinhaço de Cão), o Barrocal, a Beira-Serra e parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

A manutenção da GR13, a cargo da associação Almargem, pretende promover os territórios de baixa densidade do interior algarvio e criar uma alternativa ao turismo de sol e mar, contribuindo para a economia local.

Um roteiro serras adentro

A organização sugere um roteiro para quatro dias, ao longo do percurso da prova, que arranca em Sagres, onde é dada a partida às 16h30 do dia 24. Aí, para lá de património histórico como as fortalezas de Sagres, do Cabo de São Vicente e de Beliche, o Forte de Nossa Senhora da Guia e os faróis do Cabo de São Vicente e de Sagres, há a paisagem única do extremo sudoeste da Europa.

O traçado segue por Barão de São João - Bensafrim, no concelho Lagos, onde se pode visitar o Parque Zoológico, a Pedra do Galo, a Mata Nacional de Barão de São João, a Igreja Matriz e as chaminés algarvias da freguesia e a Capela do Monte, da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira.

Já em Monchique esconde-se o Marmelete, território de medronho, mel e enchidos, a degustar entre visitas à Santinha, à Capela de Santo António, à Igreja Matriz e à Fonte Velha e desvios ao Miradouro dos Picos e à Barragem da Bravura. Na vila de Monchique encontram-se as Caldas e as suas águas com poder curativo e exemplares perfeitos de arquitetura algarvia. E, claro, várias igrejas merecedoras de um desvio.

Em Silves, que foi capital do Reino do Algarve durante a ocupação Árabe da Península Ibérica e chegou a ser conhecida como a Bagdade do Ocidente, há... laranjas. E as muralhas e o castelo. Além da Catedral e vários museus, entre os quais a Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica e o Centro de Interpretação do Património Islâmico de Silves. Um passeio à Quinta Pedagógica de Silves e ao Rio Arade são opções na Natureza.

Mais adiante nas margens da GR13, descobre-se a Igreja de São Bartolomeu de Messines e as ermidas de Nossa Senhora da Saúde, São Sebastião, São Pedro e Sant"Ana.

Imersão no mundo rural

Entre o Barrocal e a Serra, a freguesia de Benafim inclui as povoações de Querença e Tôr, aldeias típicas e com tradições de gastronomia e cultura popular. A ruralidade está nos moinhos de vento, nos lagares, nas noras, nas eiras e nos açudes, enquanto o passado mineiro se revela nas minas de cal e de gesso. As Grutas da Salustreira, junto à Fonte da Benémola, e a Ponte Romana da Tôr são locais de visita obrigatória.

Em plena Serra do Caldeirão, o Barranco do Velho faz jus ao Barrocal algarvio, com a paisagem dominada por sobreiros, azinheiras e medronheiros, o que fez dele sítio da rede Natura 2000. Daí, a Via Algarviana segue até Salir.

Ainda na Serra do Caldeirão, a freguesia de Cachopo, já candidata às Maravilhas de Portugal, é tida como a mais típica do Nordeste algarvio. Tem uma igreja datada de 1535 e as chamadas "casas circulares" ou "palheiros", edifícios de pedra e telhados de palha de origem pré-histórica. Moinhos, a Fonte Férrea ou as antas das Pedras Altas e da Masmorra completam a visita.

Nas Furnazinhas das casas de xisto, prove-se pão caseiro e queijo da Serra Algarvia e, com tempo, desvie-se até Castro Marim para conhecer o Castelo, a Igreja e o Forte de São Sebastião, ou a Casa do Sal ou Casa Balalaica, que explica a salinicultura do concelho.

A meta é em Alcoutim, nas margens do Guadiana, de onde se vislumbra Sanlúcar de Guadiana, já em Espanha. A barragem romana de Álamo, o Povoado Calcolítico do Cerro do Castelo, a Fortaleza de Alcoutim, a vila romana do Montinho das Laranjeiras, o Castro de Santa Bárbara e os Menires de Lavajo são perfeitos para preencher as horas entre a chegada dos atletas.

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