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A ASICS quer pôr-nos a correr como os masai?

A ASICS quer pôr-nos a correr como os masai?

Foram precisos dois anos de investigação aos cientistas e designers do Instituto de Ciências do Desporto da ASICS, em Kobe, no Japão, para criar, antes de mais, um objeto que parece pura arte. Vermelho e ouro em fundo negro, uma concha surpreendente, ao preço da arte. Mas será arte que se pretende quando a ideia é sair para correr?

Falamos das MetaRide, a última progenitura da ASICS, lançada há algumas semanas em edição pouco mais que limitada, para que o mundo, além dos profissionais do teste, diga de sua justiça. Ainda que a um preço proibitivo - 250 euros (ouch!).

A marca cedeu-nos um par. Corremos umas largas dezenas de quilómetros, porque se eles precisaram de dois anos, nós precisámos de muitas dezenas de milhares de passos para perceber, minimamente, ao que vamos.

Assim de repente, a primeira coisa que ocorre à mente quando se agarra nas MetaRide é aquela sapatilha que fez furor há uns anos, inspirada nos chinelos feitos de pneu dos masai do Quénia e da Tanzânia (Masai Barefoot Technology). A curva da sola é idêntica e isso quer dizer, simplesmente, que é preciso bem mais do que um par de dezenas de quilómetros para aprender a usar as MetaRide. Aliás, a conclusão rápida a que chegámos foi que primeiro teríamos que caminhar, no dia-a-dia, para perceber a mecânica da coisa. E é estranha. A sensação é a de que o pé no seu todo não precisa de se mexer muito, porque o sapato faz o serviço.

Alega a marca que a nova joia pretende reduzir o cansaço da corrida em longas distâncias. E a verdade é que, passado o desconforto inicial de uma experiência de calçado novo, termina-se uma corrida com alguma frescura muscular.

Explica a ASICS que a redução do movimento se produz na articulação do tornozelo, "uma das áreas que mais consome energia na corrida". Como? Empurrando o corpo para a frente, deslocando o peso para uma posição de corrida, por obra da dita sola em concha. É aí que reside a inovação tecnológica.

Chamam-lhe "guidesole" e somam-na aos mais recentes desenvolvimentos da espuma "Flytefoam" na sola intermédia para amortecer o impacto e do gel no calcanhar - seria este necessário quando o calcanhar é convidado a não existir na passada? Talvez não. É uma sapatilha pesada para a atual média de peso do calçado de corrida (cerca de 250 gramas para senhoras, 300 para homens), a que não serão alheios esse gel e a proteção de plástico rígido que estabiliza o calcanhar, já experimentada noutros modelos da marca. Mas outra verdade é que as MetaRide pretendem reduzir o cansaço e aumentar a quilometragem, não bater os recordes da nossa rua.

Outra sensação estranha é a rigidez da sapatilha. Tentem: não conseguirão dobrar a sapatilha com as mãos. Certo, a sola faz o serviço, como dissemos, pelo que não será necessário flexibilidade, mas que a adaptação não se faz de um quilómetro para o outro, não.

Em compensação, as MetaRide apresentam uma característica inédita para nós: zero drop, que é como quem diz 31 milímetros à frente e atrás, nenhuma diferença entre calcanhar e dedos. Como quando caminha um masai sobre pneu cortado de um rodado. E isso sabe bem, porque sabe natural. O pé pousa radicalmente no centro e balança automaticamente para a frente, dando até uma certa sensação de empurrão. Apetece brincar com o balanço e lançar a passada mais longe, acelerá-la. E a camada inferior da sola, extremamente aderente, ajuda a estas sensações.

Resta dizer que o corpo da sapatilha é em malha respirável e ajustada ao pé.

Sim, termina-se o treino menos cansado. Não sabemos se tanto quanto apregoa a ASICS (20% de poupança de energia). Valerá isso 250 euros? A ideia da marca será, sobretudo, aferir da aceitação da inovação tecnológica para democratizá-la. A promessa é de que esta é a "Ride 1" e que no outono virão mais, mais baratas. A ver vamos. A experiência, pela parte que nos toca, é... engraçada.

Nota: O produto foi facultado pela marca.