História do Mundo

A falta que o fémur não faz quando se sonha alto

A falta que o fémur não faz quando se sonha alto

Ricardo Benitez estava condenado a nem sequer conseguir andar, mas, aos 18 anos, é a nova estrela do futebol americano.

Fémur. É o osso mais longo e mais resistente do corpo humano. É o osso que acompanha a coxa em toda a respetiva extensão e, por isso, serve ainda de elo entre o tronco e a perna, do joelho para baixo. O fémur é isso tudo e também é o osso que falta, desde sempre, a Ricardo Benitez. Só que, em vez de lhe dificultar a vida, mais não fez do que ser a causa maior de uma vontade de ferro que, contra todas as expectativas, fez deste jovem a mais recente estrela do futebol americano.

Quando, há cerca de 18 anos, no Texas, lhe disseram que o mais certo seria o filho que carregava na barriga nunca conseguir andar, a mãe encolheu-se perante a previsão médica e convenceu-se que sim, que àquele que viria a ser Ricardo Benitez não lhe restaria alternativa a não ser resignar-se a uma existência com mais problemas do que seria suposto e mais dificuldades do que facilidades. Que, no início, o olhariam de lado, até incomodados com a deficiência. Que, talvez, o tivesse de carregar, ao colo ou de outra forma, para todo o lado. Parte das inquietações confirmaram-se. As outras nem por isso.

Primeiro, Ricardo conseguiu pôr-se de pé. Depois, deu os primeiros passos. Começou a correr. E nunca mais parou. Por esta altura, já ele se tinha apaixonado pela bola oval do futebol americano. Mais: já tinha metido na cabeça que, um dia, jogaria a nível competitivo, contra atletas tão mais altos e tão mais fortes fisicamente do que ele. Esse dia chegou esta semana, mas já lá vamos. É que antes de ser contratado pela Universidade de Baylor, Ricardo Benitez, de 18 anos - nunca é demais recordar -, falou em conferências, de desporto e não só, e foi chamado por treinadores para dar palestras de motivação a equipas e jogadores profissionais.

Mas foi este mês que tudo começou a fazer sentido. Em Baylor, no mesmo Texas onde ele cresceu e já é nome consagrado, acenaram-lhe com o sonho. O problema? Precisava de 20 mil dólares para ser integrado como jogador não-estudante. Sem o dinheiro disponível, fizeram-lhe a cabeça para lançar uma campanha que o ajudasse e a mesma não esteve assim tanto tempo aberta até atingir o supremo objetivo.

No seu perfil no Twitter, Ricardo Benitez escreve: "A única deficiência neste Mundo é a má atitude". Talvez seja mesmo. Agora, mesmo sem fémur, é tempo de concretizar o sonho.

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