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"A volta ao mundo em 80 corridas"

"A volta ao mundo em 80 corridas"

Rita Canas Mendes propõe aos amantes da corrida 80 opções dentro e fora de portas para dar corda às sapatilhas e aproveitar para ver as vistas. Eis "A volta ao mundo em 80 corridas"

Começar um livro com uma memória da mais saudada atleta portuguesa só pode abrir o apetite. Diz Rosa Mota que começou a correr devagarinho. Até acelerar e, um dia de 1982, entrar sozinha no estádio que era a meta da primeira maratona feminina oficial da história. Em Atenas, na Grécia de Pheidippides.

Ora, Atenas é uma das mais icónicas maratonas do mundo e, claro está, uma daquelas de que um livro elencando o mundo que se pode ver de sapatilhas calçadas não pode passar ao lado.

"A volta ao mundo em 80 corridas" é a nova proposta de Rita Canas Mendes e, muito mais do que uma listagem de provas, é um menu de rebuçados que nos deixam literalmente a salivar. No fundo, trata de demonstrar a democratização do maraturismo.

A proposta da autora, que começou a correr em 2012, é convencer o leitor de que "uma prova pode ser uma ótima desculpa para conhecer melhor outras regiões". Quem diz regiões diz o mundo. "Correr em prova permite apreciar a paisagem de outro modo. Quem já correu sobre a Ponte 25 de Abril sabe do que falo."

E, em boa verdade, o equipamento de corrida não pesa e as sapatilhas com que corre todos os dias são, acreditem, as melhores companheiras de viagem.

O livro de Rita é publicado pela Arte Plural Edições e oferece 80 ideias de corrida-viagem. Vinte delas são em Portugal, porque antes de conhecer o mundo dos outros importa conhecer o nosso, e abarcam estrada e montanha, de norte a sul até às ilhas. Seguem-se as corridas irónicas no mundo. É aí que encontra a de Atenas, com passagem pela história que as civilizações partilham e com fim apoteótico no Estádio Olímpico. Mas esse é também o capítulo de Nova Iorque, Londres, Paris ou Berlim. Ou da mais desafiante Muralha da China.

Sim, admitimos, estas corridas são tão icónicas que encontrar lugar na partida é difícil. Para contornar os obstáculos - e enquanto vamos fazendo pré-inscrições até as organizações terem pena de nós - podemos viajar para outras latitudes. Temos as corridas deslumbrantes (em cidades ou na selva, junto de maravilhas da natureza ou no perfeito isolamento da Savana), as originais (leia-se loucas), as exigentes (o Monte Branco, as Areias de Marrocos, o gelo de Baikal) e as solidárias, cuja mais famosa é, claro, a Wings for Life.

A obra fecha-se com um espaço em branco, a preencher. Do primeiro ao mais recente quilómetro de todas estas viagens. Porque, lembra a autora, citando Hans Christian Andersen, "viajar é viver".

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