Modalidades

Elas trocam as férias por um lugar no Europeu

A seleção portuguesa de futsal defronta a Rep. Checa, Finlândia e Sérvia no apuramento|

 foto Tony Dias/Global Imagens

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A fase final do primeiro Europeu de futsal feminino joga-se em fevereiro de 2019 e Portugal quer lá estar. Para o conseguir, tem de vencer o grupo 4 de qualificação, que conta também com a República Checa, a Finlândia e a Sérvia.

"São seleções criadas recentemente", refere Luís Conceição, um selecionador confiante no apuramento. "As expectativas passam por superarmos a fase de grupos e estarmos na final four", salienta, ele que não esconde uma certa curiosidade por estar prestes a estrear "uma prova nova, numa modalidade que está a crescer".

A fase de apuramento joga-se entre quarta-feira e sábado, em Oliveira de Azeméis, cidade que traz boas recordações à comitiva. "Já vivemos aqui várias experiências muito positivas", recorda Pisko. A maior de todas foi o Torneio Mundial de 2012, que teve casa cheia na maioria dos jogos. A ala espera que seja novamente assim durante a próxima semana, ela que, à semelhança das suas colegas, teve de fazer alguma ginástica na sua agenda pessoal para estar presente nesta fase de apuramento.

"O mais difícil é ter dispensa do trabalho", conta a radiologista. Não foi a única a ter de fazê-lo. Na convocatória de Luís Conceição há uma empresária, uma funcionária na área do têxtil e outra no calçado, uma barmaid em part-time ou até quem exerça medicina. É o caso de Inês Fernandes. "Quis sempre compatibilizar os estudos com o futsal para, quando deixar a modalidade, poder fazer algo que me deixe feliz", conta, ela que vai gastar as férias às custas do apuramento para o Europeu. "Há objetivos a cumprir, e seria inconcebível estar aqui quatro semanas e ainda ter férias. Nem seria justo para alguns colegas. Então, achei por bem esgotar algum tempo das minhas férias aqui", explica.

A lista de ocupações das internacionais lusas contempla ainda as áreas da optometria e do design, mas também da gestão, caso de Ana Azevedo. "Tive de trabalhar muito antes de vir. Mesmo cá, ainda estou mais ou menos a trabalhar. É sempre complicado, mas quando se gosta tenta-se gerir ao máximo. Isso não é problema". Já foi nomeada por várias vezes para melhor jogadora do planeta, mas nunca abandonou o Vermoim. "É o clube pelo qual amo a jogar. Ao longo da vida, aprendi que o dinheiro não é tudo". Aprendeu Ana e a sua mãe. "Ela perguntava-me: Porque é que vais se não ganhas nada? Mas eu dizia-lhe que quando dou a minha palavra isso vale mais do que tudo". Pelo futsal, Ana Azevedo até saiu a meio do casamento da irmã, mas a família "sempre compreendeu e apoiou" o seu sonho.