Teste de produto

E agora, Saucony em dose dupla

E agora, Saucony em dose dupla

ISOFIT e EVERUN são as evoluções da Saucony para este ano. Testámo-las em monte e na estrada.

A Saucony é uma marca repetente no JN Running, mas é a primeira vez que experimentamos um modelo de trail. E em boa verdade, a análise visual nas provas leva-nos a crer que os atletas amadores, bem como os profissionais, apreciam a marca mais na sua vertente de trail.

Ao abrir a caixa, a primeira impressão é estranha. O esquema de cores das sapatilhas não é propriamente apelativo, parecem pesadas e a sola faz lembrar os clássicos "monster-trucks" americanos. Pesam cerca de 366 gramas, o que é consideravelmente pesado.

A vista lateral engana, porque parece que a sapatilha tem um drop (diferença de altura entre o calcanhar e ponta do pé) enorme. Na verdade, é de 4 mm, bem abaixo da média. Atenção, isto não é necessariamente mau. Na verdade, há estudos que comprovam que sapatilhas com drops baixos, também conhecidas como "minimalistas", reduzem o risco de lesão em atletas com excesso de peso e ocasionais.

Calçar e seguir para o monte

Quando calçamos as sapatilhas, percebemos logo duas coisas. O sistema ISOFIT, que trocando por miúdos é como calçar uma meia, veio para ficar. É uma característica de que rapidamente aprendemos a gostar.

Sentimos o peso, ele está lá. Mas, em compensação, há uma excelente sensação de conforto e flexibilidade. A Saucony desenvolveu uma tecnologia de espuma, a EVERUN, que tem como propósito utilizar os pontos de impacto da passada e distribuir a pressão ao longo da sola. Para os técnicos mais entusiastas, a Saucony garante uma resposta até 83% na resposta de amortecimento. Acreditem, os vossos joelhos e lombares vão agradecer.

A instabilidade do tempo possibilitou-nos o teste em terrenos de todo o tipo, de secos a molhados. O comportamento das sapatilhas no monte, em terrenos mistos de pedra e terra, é fantástico. Não há o mínimo de insegurança no ataque ao terreno, a tecnologia aplicada (PWRTRAC + XT900) faz da sola um monstro do monte. Fizemos descidas em piso molhado e a tração foi ótima. Não houve escorregadela nem queda.

Mas, nas transições em paralelos molhados, por exemplo, o pé foge nos desníveis. Para percursos de trail com passagem por ambiente urbano em dias de chuva, evite-se.

Em resumo, a Xodus ISO 3 vem de uma linhagem de sapatilhas que, pela sola, não enganam: se os tratores são para lavrar, estas sapatilhas são para terrenos duros e técnicos. Não são pneus "all-terrain", mas até os pilotos de rally mudam de pneus para os diferentes pisos. Custam 160€

E porque a corrida não é só trail...

Testámos, também, a evolução das Freedom ISO para os treinos de estrada. E foi amor à primeira vista. A diferença para a versão interior está na malha superior. A marca chama-lhe ISOKNIT e anuncia-a como promotora de frescura e maior liberdade de movimento.

Mas vamos por partes. Só por si, a caixa fechada é uma excelente opção para aproveitar para arrumos, branca salpicada de cinza, um objeto de arte. Como a sapatilha, a brilhar igual entre o celofane quando se abre a tampa. Um pormenor maior: o modelo cedido pela Saucony é mesmo muito branco.

Ora, dizem quando a vêm no nosso pé, antes de um percurso num parque citadino, nããã, branca? Pronto, é verdade. Nas estradas de Portugal, o branco pode não ser a melhor opção. Porque o pó faz parte da nossa vida e, como se sabe, entranha-se com um cancro em toda e qualquer malha branca e aloja-se para todo o sempre. Ao cabo de três ou quatro corridas em perfeitos dias de sol, deixaram de ser brancas. E à primeira ida ao parque, atiraram a toalha da alvura.

Mas não, não será isso que nos demoverá de achar que as Freedom ISO2 são a quase perfeição.

Conforto: nota máxima, graças à espuma estendida à totalidade da sola, a mesma do modelo de trail acima descrito (EVERUN, protegida por uma borracha transparente que dá durabilidade e um toque salmão ou verdinho a tanto branco), graças à largueza da forma que permite que os dedos respirem, graças à língua que não o é, porquanto é a continuação da forma (ISOFIT) e vem almofadada, graças aos cordões elásticos, graças à excelente respirabilidade da malha. Tudo isto oferece a estabilidade necessária para uma passada rápida, confiante e transpirável.

Comportamento: nota quase máxima. O drop é de 4 mm, a sensação de minimalismo está lá e, confessamos, é a que as nossas articulações preferem. Mas - tinha que haver um mas, certo? - são mais pesadas do que algumas concorrentes e do que as antecessoras. E isso as articulações apreciam menos. 269 gramas nos modelos masculinos, 235 nos femininos, peso para que contribui a dita sola de borracha e a maior quantidade de espuma (tanta que a sapatilha é mais alta do que a ISO 1). O maior senão? O preço recomendado: 180€.

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