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Futebol contra os impostos pela competitividade

Futebol contra os impostos pela competitividade

Portugal é segundo no ranking fiscal do futebol europeu, só atrás de França. Fernando Gomes está preocupado.

A semana que agora termina começou com uma reunião, em Fátima, entre os líderes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga e os presidentes de 16 dos 18 clubes do escalão principal, na qual Fernando Gomes manifestou a disponibilidade para liderar um processo de reivindicação, junto do Governo, para a diminuição da carga fiscal no futebol português. Em causa está a preocupação do dirigente federativo com a falta de competitividade das equipas lusas nas provas europeias e a consequente perda de lugares na Liga dos Campeões, motivada pela queda para o sétimo posto do ranking europeu, atrás da Rússia e dos cinco países com as ligas mais fortes (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França).

No campeonato dos impostos, segundo um estudo realizado no ano passado pela empresa KPMG, Portugal está numa posição bem mais alta: só em França os clubes pagam mais ao Estado, entre IRS, Segurança Social e taxa social única. E se Portugal está atrás de Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália no ranking da UEFA, ao nível fiscal está à frente. O estudo deu um exemplo bem claro para se perceber o impacto dos impostos no que os clubes dos diferentes países europeus podem pagar aos jogadores: em Portugal, um salário líquido de um milhão de euros por ano tem um custo real de 2,46 milhões, valor mais baixo do que em França (2,74 milhões), mas bem mais elevado do que o que se verifica em Inglaterra (2,12), Holanda (2,08), Itália (1,97), Espanha (1,91) e Alemanha (1,90). O regime fiscal mais favorável da Europa verifica-se na Turquia, onde os clubes desembolsam 1,19 milhões de euros por um salário anual de um milhão, menos de metade do que em Portugal. Na China, que nos últimos anos se tornou um destino de eleição para muitos futebolistas bem cotados internacionalmente, esse custo é de 1,78 milhões.