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Futuro em xeque por inclinações suspeitas

Futuro em xeque por inclinações suspeitas

Depois dos adeptos do Rayo Vallecano, agora são os do Oviedo que não querem Zozulya por supostas ligações nazis.

Para além de fazer carreira profissional no futebol, Roman Zozulya ainda tem uma espécie de radical dentro dele. Nunca o escondeu. E quando, ali por 2014, a Ucrânia começou a dividir-se entre pró e antirrussos, também ele se juntou à guerra, empurrado pelo patriotismo que sempre assumiu. Dele até se diz que fundou uma organização militar, aparentemente de extrema-direita e levada para combater na zona de Donbass, e que também que tem tiques neonazis. Os desmentidos de nada lhe valeram e, depois dos adeptos do Rayo Vallecano, agora são os do Oviedo que lhe batem com a porta na cara.

Os problemas de Zozulya em Espanha começaram mal lá chegou. Tudo por causa de uma tshirt que foi notícia devido a um desenho suspeito que, mais tarde, veio a saber-se não ter nada a ver com o noticiado. Afinal, aquela não era uma imagem com conotações nazis. A notícia foi apagada, mas a fama, pouco abonatória, ficou. Nesses dias conturbados de 2016, também foram divulgadas fotos do jogador de metralhadora em punho e rodeado de soldados, as mesmas que meses depois os adeptos do Rayo Vallecano mostraram para impedir a contratação do futebolista, cedido pelo Bétis. O contrato ainda foi assinado, só que o ambiente tornou-se de tal forma pesado e perigoso que não restou outra alternativa.

Zozulya foi à vida dele e prosseguiu. Dentro do possível, claro. Na época passada, representou o Albacete sem qualquer sinal de controvérsia. Deu-se bem, marcou golos, enfim, confirmou os pergaminhos de um internacional ucraniano. O futuro estava prometido ao Oviedo, mas misturou-se outra vez com o passado e está aí para atormentar-lhe o presente. Se os responsáveis do emblema asturiano pensaram mesmo em avançar para a contratação de Zozulya, logo terão sido ficado de pé trás, tal a reação dos adeptos. As redes sociais, sempre elas, não demoraram a encher-se de comentários, fotografias, hashtags e outras modernices depreciativas para com o avançado ucraniano. "No al fichaje de Zozulya, vinculado a grupos neonazis y paramilitares ucranianos" ou "#ZozulyaNo" tornaram-se rapidamente virais.

Chegados aqui, não se sabe o que o futuro tem reservado para o jogador formado no Dínamo Kiev, mas uma coisa é por demais evidente: o passado terá sempre algo a dizer. Seja verdade, mentira ou uma meia-verdade.

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