Jogar à porta fechada?  Até ganhar sabe a pouco

Jogar à porta fechada?  Até ganhar sabe a pouco

Jogos em estádios vazios praticamente só têm implicações negativas. Futebolistas, treinadores e árbitros unem-se aos adeptos nos lamentos. Hoje o primeiro-ministro António Costa deve anunciar o regresso do futebol português e... à porta fechada.

O futebol à porta fechada não faz amizade com ninguém. Se os clubes são prejudicados financeiramente, às equipas faltam os estímulos que só o público pode dar e aos adeptos privam-nos dessa vontade de apoiarem os jogadores que os representam. Mas o cenário que ganha cada vez mais força por cauda da pandemia de Covid-19 também mexe com os futebolistas, com os treinadores e com os árbitros. Principalmente com estes, talvez. É outro jogo quase: "Nem sentimos a vitória ou a derrota da mesma fora", salienta Luís Castro, o treinador que esta época já vivenciou essa experiência ao serviço do Shakhtar Donetsk.

Hugo Almeida também é voz mais do que autorizada para descrever o que espera os futebolistas. De um currículo imenso também constam "vários jogos à porta fechada". A maior diferença: "Não tens pressão, quase". E isso pode ser um problema. "É possível que os jogadores entrem mais relaxados. Se até acontece em jogos à porta aberta, à porta fechada ainda pior. Os teus níveis de concentração podem não ser tão grandes", comenta o ex-internacional português.

Falta a emoção, claro. O barulho, os cânticos, os assobios, os incentivos. "A motivação tem que sair a 100% dos jogadores", diz Hugo Almeida. "O futebol vive das emoções. As grandes fotografias são de momentos de euforia ou de tristeza. E nós também não somos indiferentes a isso. É um vazio", resume Luís Castro, que acredita ter saído beneficiado por defrontar o Wolfsburgo à porta fechada - "há estádios que vivem da emoção dos adeptos", diz. E esse contexto pode prejudicar as equipas visitantes? "Claramente! Os jogadores também se motivam nesses ambientes adversos", realça o treinador do Shakhtar Donetsk, que vislumbra um aspeto positivo para treinadores. "A comunicação para dentro do campo é muito mais limpa e isso é uma pequena vantagem", refere.

E se se pensa que jogar num estádio vazio facilita o trabalho dos árbitros, também não será bem assim. "Sob o ponto de vista técnico, a arbitragem é mais fácil porque as pancadas ouvem-se nitidamente, o problema é tudo o resto. Como não há pressão, é fácil cair no facilitismo", vinca Duarte Gomes, que não esquece o eco, quase insuportável, do apito naquele "estádio enorme" na Sérvia. Enfim, "uma experiência deprimente", com um bem: "Ouve-se tudo, as pancadas, os insultos, e por isso os jogadores protestam menos".

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