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O maior trail de Portugal vai atravessar Monchique

O maior trail de Portugal vai atravessar Monchique

Falamos com Bruno Rodrigues da ATR (Algarve Trail Running), responsável da organização do ALUT - Algarviana Ultra Trail, uma corrida por trilhos de três coroas e a prova nacional de maior distância que faz questão de não se desviar da destruição deixada pelo incêndio de Monchique.

O ALUT é É o único trail que que atravessa Portugal entre pontas horizontais e percorre uma região na íntegra. Percorre a Via Algarviana, uma Grande Rota (GR13) que atravessa Portugal na região do Algarve, entre Alcoutim e o Cabo de São Vicente.

Como nasceu este trail?

A experiência de organização de 12 provas ultras e de trails curtos deram-nos o conhecimento para organizar uma prova desta dimensão. Surgiu a ideia de aproveitar a estrutura da via Algarviana, que existe desde 2009, para atravessar Portugal de um lado ao outro, na região do Algarve. Toda a Via Algarviana está marcada. É uma Grande Rota, com a sinalética branca e vermelha homologada para pedestrianismo. Queremos dar a conhecer um outro Algarve, que é muito desconhecido da população geral, mesmo dos algarvios. Ao analisar o percurso, percebemos que a Via Algarviana tem a intenção clara de se distanciar do imaginário comum algarvio. O azul do mar fica guardado para a chegada ao farol do Cabo de São Vicente. O restante percurso são curvas e contracurvas ao longo das Serra do Caldeirão, Espinhaço de Cão e Monchique.

Este ano, o Algarve está brutalmente marcado pelo incêndio de Monchique, que destruiu uma área de 28 mil hectares...

Sim, grande parte do percurso nos concelhos de Silves e de Monchique foi danificado. A Via Algarviana atravessa-os. Há negócios que viram a sua vida melhorada com a instalação desta estrutura. Não abandonando aqueles territórios, continuando a passar por lá, vamos, de certa forma, mostrar que temos de dar esperança àqueles territórios para se regenerarem. Nesse sentido, não mudámos o percurso para outro lado. Vamos garantir que o percurso está limpo e seguro. E vamos fazer com que cada atleta apadrinhe uma árvore para ser colocada naquele local. A Serra D'Arga também ardeu, o Gerês... Não podemos abandonar os sítios só porque queimaram. Temos que continuar a utilizá-los, ser pacientes com a Natureza, que ela regenera. São cerca de 40 Km na parte queimada. Contamos que 90% dos atletas percorram essa zona durante a noite, pelo que o impacto visual não é tão forte. Já não tem cheiro a queimado, e já tem muita humidade durante a noite.

Que experiência retiraram da primeira edição?

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Depois da primeira edição do ALUT, notamos um aumento de pessoas a percorrer a Via Algarviana a correr, por etapas. No ano passado, tivemos dos dias mais frios do ano. Não estávamos habituados a ter de lidar com temperaturas de - 5ºC. Nem nós, nem os participantes, contávamos que isso acontecesse. Este ano vamos ter melhores condições para aquecer os atletas. No ano passado houve um consumo grande de chá quente e sopa. Não quiseram muito abastecimento sólido.

Distância: 300Km
Altimetria: 12.700 D+
Tempo máximo: 72 horas
Partida: 29 de Novembro 2018, 16h30

É uma prova com o limite máximo de 100 inscrições. É uma prova de atletas para atletas?

Queremos tratar os atletas todos pelo nome. Queremos saber quais são as suas necessidades, onde eles andam. Como atletas, também nós gostamos de receber essa atenção quando vamos às provas, especialmente as longas, onde o esforço é acrescido. Eu, como atleta, gosto de saber que tenho ali alguém que me proteja, que esteja a olhar por mim.

Quantas pessoas exige a logística de uma prova desta dimensão?

Na organização somos quatro, o núcleo duro é restrito. No dia, teremos cerca de 40 colaboradores da nossa associação, equipas de apoio médico, aos quais se juntarão colaboradores das juntas de freguesia. Seremos à volta de 70 ou 80 pessoas. É quase uma pessoa por atleta. Todos os abastecimentos são também bases de vida. A maior distância entre bases de vida é logo após a partida é de 38 Km.

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