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Paulo Miranda: "O Tondela é uma equipa de milagres"

Paulo Miranda: "O Tondela é uma equipa de milagres"

Começou a frequentar Tondela há dez anos, quando os sogros se mudaram para lá, e depressa se apaixonou. Paulo Miranda, jornalista da Rádio Comercial, confessa uma fé imensa na permanência.

Como é que um lisboeta se torna adepto do Tondela?

Frequento Tondela há cerca de dez anos, porque os meus sogros se mudaram para lá. Na altura, comecei a ter simpatia pela região e, depois, pelo clube. Gosto muito de futebol e acabei por desenvolver uma paixão pelo Tondela, apesar de também ser adepto do Benfica. Comecei a acompanhar o clube ainda na segunda divisão. Quando jogam em Lisboa, vou ver sempre que posso. E quando estou em Tondela e jogam em casa também.

É o homem do trânsito na rádio onde trabalha. Tem sido uma época demasiado congestionada para o Tondela?
Sim. Não era previsível que se passasse pelo sufoco da época passada. Olhando ao plantel, à forma como foi construído, e mesmo à estabilidade que advém da época passada, os adeptos acreditavam que a coisa já estivesse mais tranquila, por esta altura. Mas até ao meio da época, não foi fácil. Entretanto, houve jogadores que subiram de rendimento, como o Kaká e o David Bruno. E acho que o Heliardo é um bom avançado, apesar de ainda só ter marcado um golo.

Muitos nervos para o encontro de amanhã?
Claramente. Que termine o jogo rapidamente. Mas estou com uma fé enorme na permanência, por toda uma conjugação de factos: a subida de forma da equipa, a motivação, aquela claque... toda essa força é transmitida para o campo. E vejo o Moreirense a ter alguma dificuldade em conseguir os três pontos.

Já na última época, o Tondela garantiu a permanência na última jornada. Isto de sofrer até ao último minuto dá mais sabor às conquistas?
Claro que sim. A partir de dada altura da época, quando os resultados não aparecem, acaba por haver uns momentos de frustração. Mas, quando se chega ao fim e se percebe que a equipa tem qualidade, e luta até ao fim, é extraordinário.

Os milagres já se tornaram um hábito em Tondela?
Pode dizer-se que sim. No ano passado, o rumo à permanência começou já tarde e, neste ano, quase aconteceu a mesma coisa. O clube chega ao final do campeonato com uma única vitória fora. Por isso, sim, o Tondela é uma equipa de milagres.

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É mais difícil ser adepto do Tondela do que de um grande?
Claramente. Por todas as dificuldades. Consegue-se perceber isso através das decisões da arbitragem e da tendência de benefício dos clubes grandes. Em momentos de decisões complicadas, é muito mais fácil pender para o lado deles. E a verdade é que o Tondela tem sido muito prejudicado.

É possível que um clube de uma cidade do interior do país um dia chegue a outro patamar?
É difícil. Quer queiramos quer não, em Portugal são os três grandes. Às vezes, lá aparece um clube de média dimensão. Depois, para um clube do interior, há uma dificuldade ainda maior, que é a ida dos jogadores para aquelas regiões. Não é fácil fixá-los. Os três grandes funcionam na política do eucalipto. Secam tudo à volta.

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