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Corrida

Sedentarismo versus Atividade física: qual o mais perigoso?

Sedentarismo versus Atividade física: qual o mais perigoso?

A corrida constitui um grande desafio para o nosso corpo. Mas, a longo prazo, os benefícios serão muito maiores do que não sujeitar o corpo ao risco desse esforço.

A atividade física envolve um esforço extra para todos os sistemas fazendo com que haja uma maior probabilidade de ocorrer um evento cardíaco ou o desenvolvimento de uma lesão durante a sua realização, em relação a uma pessoa que esteja sentada.

O sedentarismo - a falta de atividade física regular - acarreta menores riscos no presente, uma vez que a pessoa não está a sobrecarregar os diferentes sistemas do corpo. No entanto, poderá promover uma diminuição da quantidade de massa muscular e uma maior probabilidade no desenvolvimento de patologias cardíacas, obesidade, diabetes, ansiedade e cancro.

Já a atividade física promove adaptações no corpo que, associadas à adoção de um estilo de vida mais saudável, permitem reduzir os fatores de risco para o surgimento de doenças cardíacas, neurológicas, de cancro, diabetes, entre outras. Essas adaptações do corpo vão permitir melhorar a capacidade para a realização de exercício, isto é, para uma mesma distância e o mesmo tempo, a pessoa sente menor sensação de esforço.

A corrida constitui um grande desafio para o nosso corpo. Indo por partes: no sistema cardiorrespiratório é exacerbada a necessidade de fornecer oxigénio (O2) aos músculos e eliminar os produtos tóxicos por eles produzidos; no sistema músculo-esquelético aumenta a necessidade de produção de força; e no sistema metabólico acentua-se a necessidade de produção de energia. Ou seja, a exposição regular a estas necessidades desafiantes culmina em diferentes adaptações do organismo.

De uma forma geral, pode dizer-se que ocorrem alterações estruturais que permitem que o coração contraia de forma mais eficiente; existe também um aumento da força e da resistência dos músculos, assim como do número de capilares sanguíneos (pequenos vasos sanguíneos) por fibra muscular, e do número e tamanho das mitocôndrias - local onde o oxigénio é transformado em energia.

Estas adaptações permitem melhorar o nosso VO2 máximo, isto é, a capacidade máxima de consumir oxigénio para produzir energia durante determinada atividade física, o que se traduz numa melhor tolerância ao esforço. O VO2 máximo está intimamente associado à aptidão cardiorrespiratória. Na verdade, é um dos seus melhores indicadores, de tal forma que um baixo valor de VO2 máximo é um fator de risco para a saúde.

Assim, as adaptações do nosso organismo à corrida associadas à adoção de um estilo de vida mais saudável vão potenciar o aumento da esperança de vida e longevidade. Estudos recentes confirmam esta informação, especificando que bastam 5 a 10 minutos de corrida de baixa intensidade (ritmo lento) regularmente para se aperceber destes benefícios - leia bem, regularmente! O abandono da prática regular da corrida pressupõe a perda dos ganhos conquistados até então.

Afinal, apesar de no momento presente a corrida apresentar mais riscos, a longo prazo os benefícios serão muito maiores.

De que está à espera? Vire costas ao sedentarismo e faça-se à pista, ao caminho, à estrada. A andar ou a correr.

* Fisioterapeuta ROPE / Clínicas Nuno Mendes