A 14.ª Maratona do Porto junta amanhã 15 mil pessoas, seis mil delas para a prova rainha. O apresentador João Montez é um deles. Começou a correr depois de desafiado por uma marca desportiva.

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"Ok, vamos lá correr 42 quilómetros e qualquer coisa"

"Ok, vamos lá correr 42 quilómetros e qualquer coisa"

Certo. João não estará na primeira linha da partida da 14.ª Maratona do Porto, amanhã de manhã. Não. Nem, seguramente, na primeira linha da chegada, amanhã por volta da hora de almoço. Essa é para nomes impronunciáveis como Kimaiyo e afins quenianos. Mas se João chegar mesmo ao Queimódromo estará cumprido o objetivo: terminar uma maratona. Mas, perguntam - e bem - quem é João?

João é João Montez, o jovem apresentador de televisão, 26 anos e uma paixão incontrolável pelos desafios. Essa é, de resto, a única explicação que o coloca amanhã de manhã à beira mar de uma realidade por descobrir, num emaranhado que 15 mil pessoas, cerca de seis mil delas prontas a gastar solas ao longo de 42,195 Km. Por uma simples razão: correr não era coisa que lhe assistisse, como diria o outro.

"Há dois, três meses, fui desafiado por uma marca desportiva, a Asics". Porquê? Porque, além de rosto da TVI, a imagem de João é associada ao desporto e à cultura do corpo, um "vício saudável" que, admite ao JN Running, desenvolveu na sua altura de estudante em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde viveu dois anos. "Para não estar muito sozinho", enfiou-se no ginásio, aprendeu com os melhores, transformou-se corporalmente e hoje já não concebe viver sem treinar, mas sem correr para lá dos sprints para completar os treinos de alta intensidade e "queimar algumas calorias".

"O que aconteceu então repetiu-se agora com a corrida, porque, até à data, não tinha grande paixão por correr", quanto mais longas distâncias. Pois que João, que se diz ser curioso, disse imediatamente que sim - "Ok, vamos lá correr 42 Km e qualquer coisa daqui a dois meses". E, nesses dois meses, fez uma preparação que resume numa palavra: "dolorosa". Aqui, os mais profissionais entre os amadores gritarão "aqui-d"el-rei" que isso não se faz. E, na verdade, quem arrancar do nada sabe, de antemão, que terminar uma maratona pode ser uma miragem. Mas João Montez conta com anos de uma certa preparação física e, neste intervalo, com a ajuda preciosa do preparador físico Fábio Soares.

E como foram esses dois meses? "Difíceis. Inicialmente, correr seis quilómetros era complicado, ficava logo cansado. E eram só seis! Agora, nos últimos treinos fazia cerca de 20, dia sim, dia não, e treinos intervalado, porque estou consciente de que isto não é só correr uma grande distância, implica ritmos e termos uma noção do nosso corpo". O resultado é um aparente emagrecimento ("Como fazia treino de ginásio com peso livre e com o peso do meu próprio corpo, teria um maior volume muscular que perdi") e a expectativa de ser um dos mais de cinco mil atletas que a organização da Maratona do Porto quer ver cortar a meta dos 42 e qualquer coisa. Porque para os restantes, dos 15 Km e dos 6 Km, terminar é praticamente um dado adquirido.

Antes da estafa de amanhã, João é hoje um dos convidados a falar da experiência de uma preparação in extremis para "uma completa novidade". Estará a partir das 16 horas na plateia das palestras da Expo Maratona, na Alfândega do Porto, com a também apresentadora Isabel Silva, que há dois anos se estreou na distância precisamente nas margens do Douro.

Quanto à prova, essa, tem este ano a melhor das novidades, ainda que só sirva as elites: pela primeira vez, os prémios têm o mesmo valor para homens e mulheres.

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