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Ex-selecionador Rolando Freitas e a estreia de Quintana na seleção lusa

Ex-selecionador Rolando Freitas e a estreia de Quintana na seleção lusa

O ex-selecionador nacional de andebol Rolando Freitas mostrou-se firme há quase sete anos face à contestação gerada pela estreia do naturalizado guarda-redes do F. C. Porto Alfredo Quintana, que morreu esta sexta-feira, aos 32 anos.

"Foi um passo que demos, entre a direção da Federação de Andebol de Portugal, o F. C. Porto e a equipa técnica, no sentido de fazer algo que já acontecia noutros países. Quando nos juntámos para decidir que jogador deveríamos naturalizar, eu disse imediatamente: Alfredo Quintana", rememorou à agência Lusa o técnico, de 55 anos.

O primeiro cubano a jogar no campeonato português foi identificado pelo diretor portista José Magalhães durante o Campeonato Pan-Americano de 2010, no Chile, e demorou pouco a impor-se na baliza azul e branca e a adquirir nacionalidade portuguesa.

"Foi uma decisão sem dúvidas e com certezas de que ele nos iria ajudar muito no futuro, como felizmente se confirmou pelo extraordinário desenvolvimento que ele deu ao crescimento do andebol nacional", valorizou Rolando Freitas, em alusão à estreia de Alfredo Quintana a 29 de outubro de 2014, numa derrota frente à Hungria (31-30).

Se a seleção estava a iniciar uma infrutífera qualificação para o Euro2016, o guardião começava um "percurso notável" ao serviço de Portugal, abrilhantado pelas melhores classificações de sempre, com o sexto lugar no Euro2020 e o 10.º no Mundial2021.

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"Apesar das vozes discordantes que existiam no início, ele ajudou a pacificar todo o ambiente da seleção através da sua simplicidade, profissionalismo e entrega. Claro que houve muitas outras pessoas que contribuíram para isso, mas tornou-se uma figura incontornável pela disponibilidade, amizade e humildade demonstradas", notou.

Ao longo de uma década de residência em solo luso, Alfredo Quintana contabilizou 67 jogos e 10 golos pelas quinas, seis campeonatos, uma Taça e duas Supertaças ao serviço dos dragões e defesas notabilizadas por companheiros de equipa e rivais.

"É um dia extremamente triste para a família do Alfredo e do andebol. O nosso coração estava a sangrar desde segunda-feira. Infelizmente, os piores prognósticos vieram-se a confirmar e a recuperação tornou-se impossível. Foi uma semana difícil e triste, sempre com a esperança de que um milagre pudesse vir a suceder", lamentou Rolando Freitas.

O ex-selecionador português (2012-2016), rendido no cargo por Paulo Jorge Pereira, e atual coordenador técnico da Associação de Andebol de Israel garante que o malogrado guarda-redes, que completava 33 anos em 20 de março, "estará sempre no coração".

"O legado é incontornável para o andebol português. Afirmei há pouco tempo que não conseguíamos obter resultados internacionais sem um grande guarda-redes. Ele trouxe esse degrau extra à seleção e ao clube. Vou recordá-lo como um amigo, um excelente profissional e alguém que, se lhe pedisse alguma coisa, dava algo mais", concluiu.

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