Volta a França

Experiência de Mollema deu-lhe a etapa, ousadia de Martin o pódio da geral

Experiência de Mollema deu-lhe a etapa, ousadia de Martin o pódio da geral

O francês Guillaume Martin protagonizou, este sábado, um assalto ao pódio da Volta a França, integrando uma fuga de caça-etapas, que permitiu ao holandês Bauke Mollema repetir triunfo na prova, na 14.ª etapa da 108.ª edição.

Quatro anos depois de ter triunfado pela primeira vez no Tour, o holandês da Trek-Segafredo, de 34 anos, repetiu a fórmula vencedora, atacando os seus companheiros de fuga, desta vez a descer, para rumar, com o seu estilo desajeitado, à segunda vitória na Grande Boucle, um momento que, contudo, terá passado quase despercebido aos franceses, entretidos a calcular qual seria o lugar ocupado por Martin na geral no final da tirada.

"Este ano, tenho verdadeiramente vontade de correr riscos e, hoje, eles foram recompensados. Interrogava-me se estaria demasiado perto na geral para que me deixassem sair. Penso que a UAE [Emirates] não está interessada em perseguir todas as 'lebres'. Criei a minha oportunidade", declarou o novo vice-líder da geral, depois de escalar sete posições na classificação, recuperar mais de cinco minutos e ficar a apenas 04.04 do camisola amarela, Tadej Pogacar.

Há 36 anos que um ciclista francês não vence o Tour e, hoje, o filósofo da Cofidis -- escreveu o livro "Sócrates em bicicleta" - deu novas (e quase sempre infundadas) esperanças aos adeptos nacionais, relançando-se na luta pelo pódio final, graças à ousadia de integrar uma fuga que tardou a formar-se.

Foram incontáveis as tentativas nos 183,7 quilómetros percorridos desde Carcassonne, com a frente da corrida, ocupada momentaneamente por Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep), Thomas De Gendt (Lotto Soudal), ou Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma), em permanente mutação, até que, a pouco mais de 100 quilómetros de Quillan, Wout Poels (Bahrain Victorious), Michael Woods (Israel-Start Up Nation) e Mattia Cattaneo (Deceuninck-QuickStep) conseguiram, finalmente, distanciar-se do pelotão.

O trio não ficaria isolado por muito tempo, recebendo mais adiante a companhia de Esteban Chaves (BikeExchange), Omar Fraile (Astana), Louis Meintjes (Intermarché-Wanty Gobert), Patrick Konrad (Bora-hansgrohe), Sergio Higuita (EF Education-Nippo), Mollema e Martin, nono classificado da geral à partida, a 09.29 minutos da camisola amarela.

Na véspera da incursão nos Pirenéus, os favoritos e as suas equipas decidiram poupar cartuxos para o ataque à montanha e deixaram seguir a fuga, à qual se juntaram posteriormente os franceses Élie Gesbert, Quentin Pacher e Pierre Rolland (B&B Hotels) e Valentin Madouas (FDJ-Groupama) - o próprio Tadej Pogacar pediu aos seus companheiros para baixarem o ritmo da perseguição.

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Corajoso a descer, o experiente Mollema, um dos eternos candidatos ao 'top 10' da Volta a França e terceiro da Vuelta2011, destacou-se dos seus companheiros de escapada a 42 quilómetros do final, pouco depois da queda do novo líder da montanha, Michael Woods -- é o primeiro canadiano a envergar a camisola às bolas vermelhas -, ganhando rapidamente mais de um minuto de vantagem.

Perante a conivência da UAE Emirates com a fuga, e com a vice-liderança da geral de Rigoberto Úran a perigar, a EF Education-Nippo assumiu a perseguição, numa altura em que a diferença para Martin já se cifrava em cinco minutos.

Sem sucesso, e sem colaboração, a equipa do português Ruben Guerreiro, que, tal como Rui Costa, chegou integrado no pelotão, desistiu dessa missão e entregou definitivamente o segundo lugar ao líder da Cofidis, que até teve "um problema de desidratação no final" e cortou a meta a 01.28 minutos do feliz vencedor.

"É fantástico. Estou super contente. Sentia-me bem, então pensei 'vou tentar de longe'. Acreditava que podia rolar sozinho e continuar assim durante bastante tempo. Normalmente, consigo gerir muito bem o meu ritmo. Quando cheguei ao topo da última subida [a 16,9 quilómetros da meta] com 50 segundos de vantagem, sabia que conseguiria ganhar", disse Mollema.

O responsável pela primeira vitória da Trek-Segafredo no Tour desde 2018 cumpriu a tirada em 04:16.16 horas, com os seus companheiros de fuga a chegarem a conta-gotas à meta, começando pelo austríaco Patrick Konrad (Bora-hansgrohe) e o colombiano Sergio Higuita (EF Education-Nippo), respetivamente, segundo e terceiro na tirada, a 01.04 minutos, e o pelotão a aparecer em Quillan 06.53 minutos depois.

Assim, no domingo, Pogacar e Martin vão partir nos dois primeiros lugares da geral para a difícil 15.ª etapa da 108.ª Volta a França, uma ligação de 191,3 quilómetros entre Céret e Andorra-a-Velha, que inclui três contagens de primeira categoria, a última das quais a 15 quilómetros da meta.

'Destronado' do segundo lugar, Úran fecha agora o pódio de uma classificação na qual o seu companheiro português é 21.º, a 47.37 minutos do camisola amarela, enquanto Rui Costa subiu 10 posições e é 70.º, a 01:45.36 horas do seu jovem líder esloveno.

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