Desporto

Federação Portuguesa de Kickboxing suspensa pela WAKO por "défice democrático"

Federação Portuguesa de Kickboxing suspensa pela WAKO por "défice democrático"

Presidente da federação refuta as acusações e diz que a suspensão "não tem qualquer efeito prático".

Agora sim, é oficial. A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai (FPKMT) está definitivamente suspensa da condição de membro da federação internacional (World Association of Kickboxing Organizations, WAKO), que tutela o kickboxing a nível mundial, por "défice democrático, e incompatibilidade estatutária nos procedimentos das sucessivas direcções pela forma como são conduzidos os processos eleitorais", pode ler-se no documento que sustenta esta decisão da WAKO.

Esta suspensão surge na sequência de dezenas de queixas de clubes e treinadores - entre os quais está o antigo campeão do mundo José Pina, atual presidente do Ginásio Clube Mirandelense - relativas às ações e decisões dos órgãos sociais da federação portuguesa.

O documento acrescenta que a federação portuguesa "não tem um processo eleitoral democrático que garanta, de forma transparente e com igualdade, os direitos dos membros no que diz respeito à eleição dos delegados".

A decisão inicial já tinha sido comunicada em carta enviada à federação lusa, no passado dia 3 de setembro, mas a WAKO esperou pela resposta da federação para posteriormente levar a cabo uma deliberação final, que aconteceu na passada quinta-feira.

Apoiada em pareceres jurídicos de entidades portuguesas e internacionais, a WAKO avançou agora para a confirmação definitiva da suspensão.

Para evitar a exclusão do lote de membros da WAKO, a direção da Federação terá de convencer a federação internacional de que está disposta a alterar estatutos e procedimentos eleitorais.

PUB

Federação refuta acusações

Confrontada pelo JN com esta suspensão, a federação liderada por Nuno Margaça, respondeu, via correio eletrónico, referindo que esta decisão da WAKO "não tem qualquer efeito prático no desenvolvimento da vida federativa, de acordo com o vertido no nº 3 do artigo 15º dos Estatutos da WAKO, ou seja, a FPKMT perde o seu direito de voto mas mantém todas as obrigações como membro, nomeadamente o pagamento das anuidades internacional e europeia e a obrigatoriedade de participação nas actividades da WAKO e nos campeonatos internacionais", escreve Nuno Margaça.

O líder da FPKMT adianta que a posição da WAKO "representa um total desrespeito pelas nossas instituições, legislação portuguesa e conceitos de ética, deontologia e fair play, e, por isso, em nada conforme com os conceitos vertidos nos seus estatutos, o que contraria totalmente os princípios do Comité Olímpico Internacional e do Desporto em Geral".

Aliás, o líder da federação diz mesmo que, até ao momento, "a WAKO não enviou à FPKMT qualquer prova, qualquer documento ou queixa, pelo que se ignora integralmente o teor das mesmas".

Tal ausência de conhecimento ou de partilha da prova alegadamente existente "põe em causa o princípio do contraditório, que abrange a proteção de dois direitos do visado, neste caso a FPKMT: direito a ser ouvida e expressar a sua posição antes de uma decisão final, assim como o direito a conhecer a prova produzida para que se possa pronunciar sobre a mesma".

Ainda assim, em relação "às alegadas queixas apresentadas, Nuno Margaça refere que a FPKMT "nunca praticou qualquer irregularidade em nenhuma das matérias invocadas pela WAKO ou em qualquer outro assunto", pelo que refuta, por completo, "tais imputações vagas e genéricas, não se podendo concluir das mesmas outra intenção que não seja uma manifesta tentativa de difamação e ofensa à honorabilidade desta Federação e dos seus corpos sociais".

Nesta resposta, Nuno Margaça escreve ainda que os estatutos da FPKMT, "além de cumprirem a legislação aplicável, são aprovados em Assembleia Geral, registados em cartório e publicados em Diário da República pelo que estão em consonância com a legislação portuguesa".

A finalizar, o presidente da federação entende que se tivesse cometido "alguma das alegadas irregularidades, já teria perdido o estatuto de utilidade pública desportiva e, consequentemente, o financiamento e representatividade institucional".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG