Memória

Fernando Gomes: nove momentos de um goleador inesquecível

Fernando Gomes: nove momentos de um goleador inesquecível

Nove momentos de um número nove genial: Fernando Gomes, vencedor de duas bolas de ouro, um símbolo do F. C. Porto e do futebol português.

Na sombra do ídolo Cubillas
Quando ingressou na equipa principal do F. C. Porto, Gomes foi ganhar 12 contos (60 euros) por mês e jogar ao lado do ídolo Cubillas. Esta estrela do futebol ganhava dez vezes mais. O miúdo de 17 anos não teve complexos e, já depois de o craque peruano ter saído do clube, foi um dos grandes obreiros do bicampeonato (1978 e 1979), que matou o jejum portista de 19 anos sem o título.

Do "Verão Quente" e do Gijón
Perdido o "tri" para o Sporting, em 1980, o F. C. Porto entra em crise. Fernando Gomes e outros 14 jogadores seguem Pinto da Costa, chefe do futebol, e José Maria Pedroto, treinador, em dissidência com o presidente, Américo de Sá, acusado de ser muito dependente dos poderes de Lisboa. No verão de 1980, o avançado muda-se para o Gijón. Voltaria às Antas dois anos depois, pela mão de Pinto da Costa e cheio de fome de golos.

Estreia espanhola em grande
No jogo de estreia na liga espanhola, Gomes não podia ter deixado melhor impressão: marcou os cinco golos da vitória sobre o Oviedo (5-1). Aos 23 anos, o atacante tinha o mundo pela frente, mas as lesões complicaram-lhe a vida nas Astúrias. Houve médicos que lhe disseram que nunca mais podia jogar. Recorreu a todas as medicinas, até as alternativas, e um especialista alemão recuperou-o.

A primeira bota de ouro em 1983
A primeira época após o regresso às Antas acaba sem títulos para o F. C. Porto, mas Gomes brilha com 36 golos no campeonato, o que lhe vale o troféu de melhor marcador da Europa. Dois anos depois, então com a equipa campeã nacional, marca 39 e volta a conquistar a Bota de Ouro.

Lesão antes de Viena em Maio de 1987
Nas vésperas da final da Taça dos Campeões Europeus, que o F. C. Porto ganhou ao Bayern, por 2-1, Fernando Gomes lesionou-se num treino e falhou o jogo da primeira grande consagração internacional dos dragões. Quando confrontado com essa desdita, o mítico 9 deu sempre a mesma resposta: "Não estive nessa final, mas foi o ponto mais alto da minha carreira".

Glória em tóquio no meio de um nevão
Recuperado da lesão, Gomes capitaneou a equipa portista que, em dezembro de 1987, foi a Tóquio disputar a Taça Intercontinental com o Peñarol. Num jogo inesquecível, pelo incrível nevão que se abateu sobre a capital japonesa, o avançado abriu caminho à vitória portista com o golo do 1-0. Madjer fez o 2-1 no prolongamento e Gomes levantou o troféu ao lado do grande amigo Lima Pereira, que também já faleceu, em janeiro de 2022.

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A frase célebre de Ivic: "Gomes é finito"
Tomislav Ivic, treinador do F. C. Porto, não calcula no que se mete e diz que "Gomes é finito". Em janeiro de 1988, na 2.a mão da Supertaça Europeia com o Ajax, o técnico croata substitui Gomes por Jorge Plácido e impede o capitão de erguer um troféu internacional nas Antas. Levou a maior vaia da carreira e arranjou ainda mais anticorpos no clube.

Quinito: "Gomes e mais dez"
Na sucessão de Ivic, chegou às Antas Joaquim Lucas Duro de Jesus. Na exaltação do momento, Quinito, como era conhecido no mundo da bola, emendou o croata e garantiu que com ele era "Gomes e mais dez".
A afirmação era muito bem-intencionada, mas os maus resultados que se seguiram comprovaram que também era
manifestamente exagerada.

Final de carreira em Alvalade
Em junho de 1989, Gomes provocou uma enorme deceção no universo portista. Aos 33 anos, o ídolo azul e branco assinou pelo rival Sporting e por lá permaneceu até encerrar a carreira, dois anos depois. Jogou uma vez de verde e branco nas Antas, entre aplausos e assobios.

Palmarés:

Duas Botas de Ouro: 1982/83, 1984/85
Seis Bolas de Prata: 1976-77, 1977-78, 1978-79, 1982-83, 1983-84, 1984-85.
Taça dos Campeões Europeu (1), 1986-87
Taça Intercontinental (1), 1987
Supertaça Europeia (1), 1988
Campeão Nacional (5), 1976-77, 1978-79, 1984-85, 1985-86, 1986-87
Taça de Portugal (3), 1976-77, 1983-84, 1987-88
Supertaça Cândido de Oliveira (3), 1983. 1984, 1986

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