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Fernando Santos: "Se não conseguir o apuramento, eu saio"

Fernando Santos: "Se não conseguir o apuramento, eu saio"

O selecionador nacional de futebol deu esta noite de quarta-feira uma entrevista à TVI e falou sobre a seleção nacional ter falhado o acesso direto ao Mundial2022.

"Não podemos dizer que tem sido a seleção ideal, tem tido oscilações desde 2018 para cá, com esta nova geração de jogadores, com características diferentes, pois deixamos de jogar num 4-4-2 como fazíamos em 2016. A verdade é que houve sempre uns altos e baixo e um período no qual baixamos como nunca tinha acontecido. Há dois anos, esta mesma equipa, com os mesmos jogadores, ganhou a Liga das Nações", começou por assinalar o selecionador nacional.

E prosseguiu: "Fizeram grandes jogos, ganharam à Itália, que desde aí para cá teve 32 jogos sem perder. Ao mesmo tempo fizemos alguns jogos razoáveis e dois maus. Com a Irlanda, aqui em Portugal tivemos muita dificuldade na primeira parte. E depois tivemos dois jogos maus, maus: com a Alemanha, no europeu, para mim talvez o pior jogo de todos, e este jogo com a Sérvia".

Fernando Santos reconheceu falhas: "Para a Irlanda levei jogadores em quem confiava bastante, mas que nunca tinham jogado todos juntos. Não é uma tentativa de desculpar, mas é verdade que não foi um bom jogo. Com a Sérvia a primeira parte foi muito má".

Relação com jogadores é boa

Apesar da exibição não ter sido bom, o técnico defendeu o grupo de trabalho. "Os jogadores, atitude, vontade, concentração e determinação, tiveram, não é por aí que se pode apontar nada. Eles quiserem fazer melhor. Uma das coisas que não funcionou foi o plano. As ideias estratégicas para o jogo, as ideias para o jogo. Não terá passado a ideia clara para o jogo? Então aí a responsabilidade é minha por não ter transmitido os princípios básicos da nossa equipa, que é o pressionar na frente, não deixar o adversário jogar, estar concentrada e com sentido ofensivo, que é o que costumamos fazer", enumerou o técnico de Portugal.

"Com a Sérvia entramos muito bem, fizemos logo um golo, com essa atitude de pressão ao adversário e a partir daí jogámos nos últimos 30 metros, algum que não me lembro de acontecer comigo desde que estou na seleção. Temos de dar mérito à Sérvia", acrescentou.

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A qualidade dos jogadores versus a falta de qualidade de jogo foi abordada por Fernando Santos. "Sempre que defrontámos equipas a quatro [defesas], isso nunca se notou com essa facilidade. Temos sempre dificuldades a jogar contra equipas a cinco, que jogam com três defesas, com a exceção do jogo lá com a Sérvia onde fizemos um grande jogo. Com a Bélgica tivemos dificuldades, com a Suíça também", explicou.

Dificuldades e, defrontar equipas que jogam com três defesas

E continuou: "Um dos problemas da equipa foi não encontrar as soluções certas para sair com bola e isso tem sido um obstáculo quando o adversário nos impõe estas condições. Com a Bélgica não chegámos ao empate por mero azar e neste jogo com a Sérvia na segunda parte a equipa equilibrou e o jogo já não foi igual à primeira parte. Não fizemos uma grande exibição, mas em termos de bola de bola, a equipa foi mais compacta e mais organizada, conseguiu jogar. O tempo é curto, vou ter dois ou três dias para preparar o jogo, mas sei que vou conseguir resolver e alterar essa situação, pois vou colocar os jogadores numa posição clara para eles, que eles se sintam confiantes para expressar toda a qualidade, que têm muita e talento, em campo e não tememos nenhum adversário".

E o selecionador nacional deixou claro que o relacionamento com os jogadores é bom. "Não há qualquer desgaste. A minha relação pessoal e de trabalho com os jogadores é excelente", frisou, para logo acrescentar: "Se a pergunta é outra, tenho 34 anos de trabalho como treinador, já passei por muita coisa. Quando os jogadores de qualidade não jogam assiduamente há sempre insatisfação. Na seleção nacional, em que são todos de grande qualidade, se não são opção hoje ou amanhã iam ficar satisfeitos? Mau seria se assim fosse".

Qualidade do grupo "é boa dor de cabeça

O treinador das quinas acrescenta que ter jogadores de tanta qualidade é uma "boa dor de cabeça". "Mal seria e ficaria muito preocupado se os jogadores da seleção nacional que não jogam com tanta regularidade, que acham que devia jogar pela sua qualidade, não ficassem insatisfeitos", completou.

Em relação ao benfiquista Rafa e aos rumores de que não estaria tão dedicado à seleção nacional, Fernando Santos negou categoricamente essas notícias. "Foi convocado para os dois últimos jogos. O Rafa está comigo desde 2015, foi campeão da Europa, esteve na Liga das Nações. Nas duas últimas convocatórias foi visto por mim e pelos médicos e não estava a jogar nas a 100% das condições. Ele faz parte não dos 40, mas dos 30 jogadores. Conto com ele para março e é um jogador que conto sempre com ele", realçou.

O técnico também contestou a ideia de que a sua visão estratégica e tática do futebol esteja ultrapassada. "Não concordo nada com isso. Respeito todas as críticas e a análise dos comentadores, mas não tenho de concordar em absoluto", atirou, anotando que continua "a passar a mensagem para os jogadores".

"Veja-se as críticas a Rúben Amorim após a derrota com o Ajax. Vieram dizer que já não se pode jogar assim, que o futebol na Europa já não é assim, mas esqueceram-se de dizer que o Coates não jogou. Nos outros jogos já entrou e o Sporting ganhou os dois jogos seguintes, mas o sistema de jogo é o mesmo", apontou.

Demissão se Portugal não se qualificar

Quanto a uma possível saída depois da derrota no Estádio da Luz, o selecionador deixou uma garantia: se Portugal não se apurar para o Mundial, em março, demite-se.

"Nunca ponderei sair da seleção, nem depois do jogo com a Sérvia. Se um dia não conseguir um objetivo, eu saio, Até agora, todos foram conseguidos. Quantas vezes Portugal esteve num play-off? Se não conseguir o apuramento, eu saio. Se houver um objetivo a não ser cumprido, nem é preciso conversas com o presidente da Federação. Eu saio sozinho. Mas não vai ser tão cedo. Em em março, vamos estar apurados", concluiu.

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