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Fernando Santos: "O resultado é mais do que justo"

Fernando Santos: "O resultado é mais do que justo"

O selecionador nacional Fernando Santos realçou a justeza do triunfo de Portugal sobre a República Checa (2-0), em Alvalade, na terceira jornada do Grupo B da Liga A da fase de grupos da Liga das Nações.

"É sempre importante não sofrer golos, então, quando se marca, mais importante é porque garante a vitória. O resultado é mais do que justo, a vitória é justa. Nos primeiros 20 minutos controlámos o jogo, com boa saída, com boa posse, mas pouco produtiva e pouco ofensiva, a circular muito por trás, com pouca profundidade, mas a controlar o jogo e a não permitir as saídas de contra-ataque da República Checa que eram normalmente muito rápidas", começou por analisar o selecionador nacional.

E continuou: "A partir dos 20 minutos, começámos a circular bem, com outra profundidade e com outra objetividade, a chegar à área do adversário e a querer fazer golo, com desmarcações de rutura, com movimentos intermédios muito bem conseguidos. Fizemos dois golos com naturalidade, até poderíamos ter feito mais um ou dois na primeira parte, fruto da dinâmica imposta a partir desse momento. Estávamos a dominar, mas faltava dinâmica no jogo de ataque à baliza do adversário".

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Após o descanso, Fernando Santos, considera que a partida se alterou. E justificou: "Na segunda parte o jogo baixou muito o ritmo, muito controlo de bola, mas voltámos a cair na situação de não conseguirmos atacar a profundidade as vezes que deveríamos ter atacado, para obrigar o adversário a recuar mais. Se não fizéssemos isso, davam poucos espaços e ficava difícil depois combinar jogadas para concretizar golos, apesar de termos mais duas ou três em que podíamos concretizar".

O técnico salienta ainda que a exaustão se começou a apoderar de alguns atletas. "Notou-se algum cansaço. Pelo menos alguns jogadores começaram a ter algum cansaço e já não conseguiram pressionar tanto o adversário, já permitiram que eles jogassem e na segunda parte eles conseguiram ter um bocadinho mais posse de bola do que na primeira, mas que é fruto disso".

Para a partida com a Suíça, no domingo, em Genebra (19.45 horas), o selecionador nacional equaciona fazer mexidas. "Vamos ter de ver, porque na realidade começa a haver algum cansaço, que é, evidentemente, natural. Nuns não se nota tanto, noutros nota-se mais. O Bernardo quando saiu já estava mesmo a ficar com as pilhas gastas e é um jogador muito influente quando está bem e no apogeu de forma, seguramente que está nos dez melhores do Mundo, quando começa a perder o gás começa a ter mais dificuldade, mas não foi só ele. Alguns jogadores começaram a perder gás, o que é normal para quem tem de atacar a profundidade contra uma equipa desta, onde tem de haver muito movimento. Vamos ver agora", anotou, não avançado se irá dispensar ou não alguns jogadores para o encontro.

Sobre a rotatividade dos guarda-redes Diogo Costa e Rui Patrício e em qual vai apostar para o Mundial, atirou: "Sei quem vai jogar no domingo é o Rui Patrício. Isso tenho a certeza absoluta. Entendo que deve ser feita esta rotatividade neste momento porque são dois grandes guarda-redes e temos mais. Temos o Rui Silva aqui também e o José Sá e o Anthony Lopes que também são dois grandes guarda-redes. Isto é mais do que lógico, mais do que natural e mais do que normal".

Fernando Santos realçou, ainda, que a liderança é sempre boa. "Estamos em primeiro e ser o primeiro é sempre ótimo, portanto estamos em excelentes condições, mas os nossos adversários estão aí e também querem ganhar", realçou.

Em dia de centésimo jogo ao serviço da seleção, o técnico recebeu das mãos do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, um troféu alusivo ao momento e mostrou-se orgulhoso pelo percurso.

"Cem jogos, duas grandes vitórias para Portugal, o Campeonato da Europa e a Liga das Nações. Este prémio não me faz melhor nem pior, somos diferentes. O presidente só me ofereceu o troféu dos 100 jogos depois do jogo pois sabe que antes nem queria ouvir falar nisto. Agora, que me enche de orgulho? Claro. Humildade a mais é presunção, já a minha avó me dizia, e de presunção tenho pouco, mas também não sou nada humilde, sou humilde quanto baste. Sei o que quero, para onde vou e vou continuar a fazer o meu trabalho como sempre fiz desde os 17 anos. Tenho 67, há 50 anos que estou no futebol, comecei a jogar a um nível já maior com 17 anos, vou com 67, tenho uma carreira longa quer como jogador, quer como treinador. Agora é óbvio que me enche de orgulho a minha carreira, por tudo o que já fiz", frisou.

E finalizou: "Isto que está aqui [referindo-se ao troféu] não é meu. Quer dizer, é meu, vai para a minha casa e para a minha sala de troféus, mas tem muito a ver, em primeiro lugar, com o presidente. Há oito anos, quando tinha muitos jogos de castigo me convidou e assumiu esse risco. Depois de todos aqueles que fizeram parte da federação e continuam a fazer parte do staff e foram sempre acreditando e trabalhando em conjunto. O 'Nós' é algo que se cimentou e continua a cimentar claramente. Todos aqueles que colaboraram aqui desde 2014 e ainda estão e outros que já entraram, mas principalmente os jogadores, porque sem eles, sem os golos deles, sem a maneira de jogar deles, sem a criatividade deles, sem a capacidade deles, não ganhava ou ganhava menos vezes e, se calhar, já não estava aqui a fazer 100 jogos. Todos juntos, o 'nós', se reflete nestes 100 jogos".

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