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Fome, racismo e noites no ginásio: a história de Giannis Antetokounmpo

Fome, racismo e noites no ginásio: a história de Giannis Antetokounmpo

Giannis Antetokounmpo é hoje uma das maiores estrelas da NBA, liga norte-americana de basquetebol, mas a vida nem sempre foi sorridente para o grego. Conhecido atualmente como "Greek Freak", cresceu nas ruas de um bairro perto de Atenas onde convivia com a fome e dificuldades financeiras, mas a sua história de trabalho e superação serve como motivação para os jovens da Grécia.

As origens complicadas

Os pais de Giannis emigraram da Nigéria para a Grécia anos antes de ele nascer. Não estavam legais no país, recebiam ameaças frequentemente e a pobreza atormentava a família. Desde muito novo que conviveu de perto com o racismo, sendo filho de emigrantes africanos, era habitual ouvir comentários negativos e ameaças de deportação para a Nigéria, país que Giannis nunca conheceu.

Spiros Velliniatis, treinador de basquetebol, descobriu Giannis a jogar num parque local com os irmãos e rapidamente percebeu estava ali talento, pela altura e dimensão corporal. Tentou convencê-lo a começar a jogar basquetebol, mas Giannis era fã de futebol, por causa do pai, que foi jogador profissional. Então acordou começar a treinar se Spiros encontrasse trabalho para os pais, e assim foi.

Até à data, a situação da família Antetokounmpo era tão precária que os filhos menores tinham de vender desde óculos de sol a carteiras nas ruas de Atenas para colocarem comida na mesa. Com os progenitores a receberem cerca de 500 euros por mês, Giannis começou a praticar a modalidade, motivado pelos pais estarem, finalmente, empregados.

O Filathlitikos foi a primeira equipa onde treinou. Caminhava 8 quilómetros diariamente para treinar e, muitas vezes depois dos treinos, ele e o irmão Kostas estavam tão cansados que dormiam no ginásio, referiu Giorgos Panou, um dos agentes do jogador, em entrevista à TNT. Giannis tinha apenas um par de sapatilhas, que usava todos os dias para treinar e que tinha de partilhar com o irmão.

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Antetokounmpo confessou que por volta dessa altura, ia até a um café no bairro de Sepolia, onde vivia, para ter acesso a 30 minutos de internet por um euro. O objetivo era ver vídeos de Allen Iverson, jogador que idolatrava, para imitar as suas fintas e até o penteado com tranças.

A transição para a NBA

Aos 18 anos já media mais de dois metros e era a estrela do Filathlitikos, da segunda divisão grega, quando começou a ser observado por olheiros da NBA. Alex Saratsis é o atual agente de Giannis, que referiu que andava a ser contactado acerca de um jovem talento na Grécia. Sendo ele grego ficou interessado, mas só após cinco chamadas é que ficou convencido que a opinião geral era positiva. Viajou até ao país e depois de ver Antetokounmpo a jogar percebeu que estava ali algo de diferente, especial.

Com tanta qualidade e interesse de olheiros da NBA, Giannis foi informado que iria participar no draft da liga, onde as várias equipas selecionam um jovem talento para ingressar na principal competição de basquetebol a nível mundial.

No início, após o entusiasmo natural, o grego não queria viajar até aos Estados Unidos porque não podia ser acompanhado pela família, até que o pai o convenceu, explicando que poderia vir a ser algo bom para ele e para a família.

Foi escolhido em 2013 para os Milwaukee Bucks com apenas 18 anos, ano em que recebeu a cidadania grega. Os primeiros tempos na NBA não foram fáceis e chegava a dormir no pavilhão de treinos porque sentia que não tinha motivos para ir para casa, porque estava sem a família. "Foi uma fase stressante porque ele queria ter a família com ele, mas não conseguiam viajar", revelou Alex Saratsis à TNT.

Os pais e irmãos de Giannis tinham no máximo três tentativas para conseguir um visto americano. As duas primeiras foram recusadas, mas à terceira é de vez e finalmente puderam viajar para os Estados Unidos e ver o filho/irmão a competir no maior palco do mundo.

A ascensão ao topo da NBA

Giannis foi evoluindo com o passar do tempo e desenvolvendo as suas capacidades físicas, aumentando em grande quantidade a massa muscular, e as suas habilidades técnicas e qualidades como jogador.

Começou a ser uma força defensiva, com destaque para a sua capacidade de bloqueio, e ofensivamente tornou-se numa presença ameaçadora, pela forma como consegue romper em velocidade até ao cesto e afundar com violência.

Em 2017, na quarta época na NBA, foi eleito o jogador com maior evolução e competiu pela primeira num jogo All-Star, onde jogam os melhores atletas da Liga. Em 2019 conquistou o galardão individual mais importante do basquetebol, sendo considerado o melhor jogador do ano. Repetiu o feito em 2020 e juntou-lhe o prémio de melhor defesa.

Giannis guiou os Bucks até às finais da NBA esta temporada. Na série de sete jogos, perderam os dois primeiros para os Phoenix Suns e o futuro via-se complicado. No entanto, a equipa uniu-se e conseguiu sair por cima nos quatro jogos seguintes, conquistando o campeonato.

Depois de marcar uns incríveis 50 pontos na última partida, o "Greek Freak" foi considerado o melhor jogador das finai e chegou o tão aguardado título da NBA para juntar aos restantes troféus na sua estante.

A influência de Giannis na Grécia

A história de Antetokounmpo é vista como uma motivação para todos os jovens gregos que pretendam alcançar os seus sonhos. Sobretudo para aqueles que são imigrantes, inclusive negros, que frequentemente são alvo de racismo, como conta Jackie Abhulimen ao "The New York Times". "A mesma pessoa que apoia o Giannis é aquela que me insulta na rua".

O caminho ainda é longo na Grécia, mas Giannis é visto como um modelo a seguir, pela adversidade que enfrentou ao longo da vida, pela postura humilde que tem e pela ética de trabalho que sempre o acompanhou.

"Quando nos focamos no passado, é o nosso ego a falar. Quando nos focamos no futuro, é o nosso orgulho. Eu foco-me no momento, no presente, e isso é humildade. Tento ser humilde todos os dias", disse Giannis após uma partida das finais da NBA.

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