Doping

Froome junta-se a Simone Biles na lista de vítimas de "hackers"

Froome junta-se a Simone Biles na lista de vítimas de "hackers"

O ciclista britânico Chris Froome é a mais recente vítima de um grupo "hackers" russos que tem divulgado os registos médicos privados de atletas. A hiperatividade de Simon Biles também foi denunciada.

A base de dados da Agência Mundial Antidopagem (AMA na sigla em inglês) foi pirateada por "hackers" russos, que depois tornaram públicas informações confidenciais de atletas norte-americanos que competiram no Rio2016.

Entre os dados revelados pelo grupo de espionagem cibernética Tsar Team (APT28), também conhecido como Fancy Bear, estavam relatórios médicos da campeã olímpica de ginástica, Simone Biles, novo ídolo dos norte-americanos, e atletas como Venus e Serena Williams, as irmãs que têm reinado no ténis mundial.

No caso dos atletas olímpicos americanos, os piratas revelaram supostos resultados positivos de Biles e das irmãs Williams em controlos antidoping, insinuando que a AMA tinha manipulado os resultados para não as excluir.

O Comité Olímpico Internacional (COI) lamentou a insinuação, considerando que "se destina a manchar a reputação de atletas limpos". O COI "confirmou que os atletas em questão não infringiram qualquer regra antidoping nos Jogos Olímpicos".

De acordo com a explicação do COI, os resultados analíticos adversos daqueles atletas são explicados pela presença de uma autorização de uso terapêutico. Nesses casos, a presença de uma substância proibida nas colheitas é considerada justificada e não há positivo.

O vencedor da Volta a França em bicicleta, Chris Froome, que também faz parte do grupo de atletas com isenções terapêuticas, é o nome mais recente no pelotão dos visados pelos piratas russos, numa lista que já engloba 25 atletas de oito países.

Para além de Froome, também os seus compatriotas Bradley Wiggins (ciclismo), Charley Hull (golfe), Sam Townsend (remo) e Heather Fischer (râguebi) viram os registos médicos confidenciais tornados públicos sem o seu consentimento.

A isenção de uso terapêutico (TUE) existe para permitir a atletas com problemas médicos reconhecidos - como a asma no caso do ciclista campeão olímpico Bradley Wiggins, e a hiperatividade no da ginasta multimedalhada no Rio2016 Simone Biles - poderem tomar substâncias proibidas para competir ao mais alto nível.

"Tenho discutido abertamente com a Comunicação Social as minhas isenções de uso terapêutico e não tenho qualquer problema com a fuga de informação, que só confirma o que tenho afirmado", referiu Chris Froome.

O ciclista, de 31 anos, acrescentou ainda que, em nove anos como profissional, recorreu apenas por duas vezes a essa prorrogativa, a última das quais em 2014, num quadro de um ataque exacerbado de asma.

"A AMA lamenta profundamente esta situação e está consciente da ameaça para os atletas", refere um comunicado assinado pelo diretor geral da AMA, Olivier Niggli.

Na terça-feira, a aquela agência reconheceu que o grupo "Fancy Bear" acedeu ilegalmente à base de dados do sistema de administração e gestão antidopagem (ADAMS), criado para seguir os controlos feitos aos atletas.

Este é já o segundo ataque do grupo desde agosto contra o sistema de gestão e localização (ADAMS) da agência, criado para seguir os controlos feitos aos atletas.

Após compilar dados, e de acordo com o diretor geral da AMA, Olivier Niggli, o organismo não tem dúvidas de que os ataques em curso constituem uma forma de retaliação contra a agência e o sistema antidopagem mundial, devido ao relatório McLaren, divulgado a 18 de julho, que revelou a existência de um esquema de "doping" patrocinado por Moscovo.

O ministro russo dos Desportos, Vitaly Mutko, negou qualquer envolvimento do Governo no ataque cibernético, que terá sido feito através de uma conta do Comité Olímpico Internacional (COI), criada a propósito dos Jogos Rio2016.