Eles não acreditam em bruxas

Futebol de rituais e superstições

Futebol de rituais e superstições

Entrar com o pé direito, benzer-se antes de um jogo começar, levar o dedo ao terreno de jogo e aos lábios quando se sobe ao relvado - todos os que acompanham o futebol aprenderam a encarar estes gestos como naturais.

Mas, se estes exemplos podem ser explicados com a fé e a força do hábito, casos há que entram diretamente para o campo das superstições. Certo é que o facto de a sorte ter muito que ver com o fenómeno da bola ajuda (e de que maneira) a explicar tudo isto.

Como sublinha Jorge Silvério, doutorado em Psicologia do Desporto, este tipo de procedimento acaba por ajudar a "regular os estados emocionais, de ansiedade e confiança".

"No fundo, o que pode influenciar é o facto de as coisas fugirem ao controlo dos jogadores. Por exemplo, quando um atleta se esquece de se benzer e começa a pensar que o jogo já não vai correr tão bem, não está completamente concentrado", justifica. No fundo, é um bocadinho como a expressão que Cervantes celebrizou, no D. Quixote: "Não acredito em bruxas, mas que as há...".

Eusébio

A moeda da sorte

Quem não recorda nitidamente a imagem de Eusébio, no Euro 2004, a incentivar Ricardo, nos penáltis frente à Inglaterra, com uma toalha branca na mão? Sim, esse será provavelmente o amuleto do Pantera Negra que mais presente está na memória dos portugueses. Mas muito antes disso, enquanto espalhava magia pelo relvado, já o ex-craque do Benfica tinha outro: antes de entrar em campo, Eusébio fazia questão de pegar numa moeda de sorte e colocá-la... na bota direita. Para se entender com as balizas, pois claro.

Paulo Futre

Dos chinelos às pulseiras

No caso de Futre, as superstições eram várias e, garante o próprio, ficaram-lhe todas da altura em que esteve no F. C. Porto. Desde logo, os chinelos, no balneário, que nunca podiam estar ao contrário. Depois, o hábito de fazer três cruzes com álcool de cada vez que se partia alguma coisa. Mas não acaba aqui: pulseiras, por exemplo, só no pulso direito, que era para garantir a estrelinha. E se quando iam no autocarro passasse um carro funerário? Silêncio absoluto, não fosse o diabo tecê-las. Ah! Manteve estes cuidados até ao final da carreira.

Fernando Santos

Fé... e não só

Que o selecionador português é um homem de uma fé inabalável não é propriamente novidade. Basta recordar o crucifixo que sempre faz questão de levar para o banco de suplentes, durante um jogo. Ou as muitas vezes que reza ao longo do dia. Mas também tem as suas superstições e isso percebeu-se no Euro 2016. A história é simples de contar: na sala onde se reunia (informalmente) com os jornalistas depois dos jogos, as mesas estavam sempre em U. Ora, depois da meia-final... não estavam. E foi vê-lo a arregaçar as mangas e a tratar ele mesmo de as recolocar no sítio. Para que a sorte não abandonasse a seleção.

Rui Vitória

Nada de marcha atrás

O técnico do Benfica até será hoje um pouco mais desprendido de superstições ("taras e manias", como ele lhes chama) do que um dia foi, mas vale a pena recordar algumas que o próprio admitiu. Ora, se um jogo corre bem, gosta de repetir as rotinas - sejam os lugares que cada um ocupa no autocarro ou mesmo a camisa que veste. Por falar em autocarro... se o quiserem ver bem-disposto, não façam marcha atrás. E para os penáltis tem uma tática, que lhe ficou do tempo em que, no Fátima, eliminou o F. C. Porto, na Taça da Liga: virar costas.

Paulo Fonseca

O poder de umas meias

A época 2012/13 brilhará sempre no currículo de Paulo Fonseca como aquela em que conseguiu deixar o Paços de Ferreira no terceiro lugar da Liga. Mas a proeza teve alguns truques e nem todos táticos. É que, vendo que as coisas estavam a correr bem, o técnico usou as mesmas meias em todos os jogos da Liga - sem as lavar. Já em Braga, na última época, agarrou-se a outra superstição: uma vez que os resultados desportivos até eram melhores quando conduzia um Suzuki do que um Mercedes, na semana da final da Taça ficou-se pelo primeiro. E... pois, não é que ganhou?

Cristiano Ronaldo

Primeiro no avião

Não fala deles, mas até o capitão da seleção portuguesa tem "rituais" que gosta (ou gostava) de seguir. O facto de gostar de ser o primeiro a desembarcar quando anda de avião (mas, pelo contrário, o último a abandonar o veículo quando viaja de autocarro) e até a mania de mudar qualquer coisa no penteado no intervalo dos jogos - muito notória no Mundial do Brasil - fazem parte da lista. Depois, no Real Madrid, por exemplo, gosta de ser o último a entrar em campo, algo que não pode fazer na seleção, por ser o capitão de equipa.

Jorge Jesus

Ai de quem se antecipar

Sim, já todos sabemos: Jorge Jesus é um treinador mandão, forte a pôr os jogadores na linha e capaz de ameaçar as próprias cordas vocais para que estes cumpram as suas indicações. Ora, há uma regra de ouro que ninguém se atreve a furar: a da tolerância zero às antecipações. Como assim? Bom, com o técnico dos leões no banco, ai de quem se atreva a gritar golo antes de a bola ter efetivamente cruzado a linha de baliza. E ninguém fará muita questão de o ver furioso...

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG