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Futre com fé para a Champions

Futre com fé para a Champions

Campeão europeu de 1987 prevê uma bela e longa caminhada do F. C. Porto na Champions.

Libertado da angústia da escolha entre dois amores, agora que o F. C. Porto riscou o Atlético Madrid, Paulo Futre torce de coração inteiro pelo Dragão, a quem adivinha grandes feitos: "Pode ir muito longe na Champions".

O Estádio do Dragão - onde o ex-futebolista campeão europeu pelo F. C. Porto participa, como professor, num curso de formação de directores desportivos -, não é o mesmo palco dos sonhos e realizações daquele rapaz de 18 anos que chegou às Antas em 1984 e que de lá saiu, três anos depois, consagradassímo com a vitória na Taça dos Campeões Europeus e reconhecido como o mais genial pé esquerdo do futebol continental. Mas nem decorridos 22 anos sobre a transferência do F. C. Porto para o Atlético lhe apagam as belas memórias. E muito menos "os sentimentos", como diz o próprio, pelo portismo.

Naquela casa, Futre respira e enche os pulmões de nostalgia. E tão depressa viaja ao passado como se transporta para o futuro, prevendo e desejando grandes façanhas ao F. C. Porto na Champions. "Tal como ano passado, confesso que também este ano torci pelo Atlético, porque o F. C. Porto já foi duas vezes campeão da Europa e uma delas bem recentemente, em 2004. Foi difícil, porque tive de escolher entre dois amores e porque, finalmente, tive de seguir o meu filho, que é adepto do Atlético. Mas, agora que o F. C. Porto afastou o Atlético, o meu coração está todo com o F. C. Porto, que é uma grande equipa, que é um exemplo entre os grandes clubes e que pode ir bem longe nesta Liga dos Campeões", disse o genial esquerdino do Montijo.

E a propósito de canhotos, ninguém como Futre para falar de outro craque com a mesma tracção lateral. Esse mesmo, "The Amazing Hulk", que voltou a espantar Madrid e o Vicente Calderon com o terceiro golo portista na baliza do desamparado Asenjo. "Foi um golo extraordinário, de um futebolista extraordinário. O Hulk é um avançado poderosíssimo, que joga sempre na vertical, que enfrenta o um--a-um sem medo e que tem remate fácil e explosivo. Lamento muito ter de dizê-lo, mas acho que não ficará muito tempo por cá. O futebol português não tem possibilidade de manter uma força da natureza como é o Hulk. Mais tarde ou mais cedo, ele irá para outro grande clube, de um grande campeonato europeu", prevê Futre.

Já por ele, que despertou a mesma cobiça e a inevitável debandada para Madrid, em 1987, não prevê caminho inverso, ou seja, o regresso a Portugal, nem mesmo para o dirigismo, ele que acumulou experiência nas funções de director desportivo do Atlético durante três épocas. Nem mesmo no F. C. Porto... "A minha vida é em Espanha. E está cá o homem, que é um génio", disse Futre, referindo-se a Pinto da Costa como "o maior dirigente de sempre do futebol".

E nem mesmo o Sporting que o viu nascer e crescer. "Falou-se disso nos jornais, mas não houve nada. Não fui contactado por ninguém. Está lá o Sá Pinto, que foi empossado para director do futebol. Sinceramente, não sei bem o que isso é", disse Futre, com a mesma frontalidade e a mesma agudeza com que entortava os desgraçados defesas que lhe apareciam pela frente.

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