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Gigantes do futebol chegam a acordo para Superliga europeia

Gigantes do futebol chegam a acordo para Superliga europeia

Um grupo dos clubes de futebol mais ricos do Mundo concordou com um plano para criar uma competição europeia mais restrita que pretende, caso venha a ser concretizada, desafiar a UEFA.

A notícia é avançada este domingo por vários meios de comunicação social internacionais, entre os quais o "The New York Times".

Após meses de negociações secretas, os clubes de elite, que incluem Real Madrid e Barcelona de Espanha, Manchester United e Liverpool de Inglaterra, e Juventus e AC Milan de Itália, podem fazer o anúncio da Superliga europeia já este domingo, avança o jornal norte-americano.

O momento do anúncio parece ter sido planeado para ofuscar o plano do órgão dirigente do futebol europeu, a UEFA, de oficializar na segunda-feira o novo formato da Liga dos Campeões, a maior competição de clubes, que seria dizimada pela saída de grande parte das equipas a partir de 2024.

A UEFA já reagiu às notícias que dão conta da criação de uma Superliga europeia, num comunicado conjunto com as Federações inglesa, espanhola e italiana e as ligas desses três países, condenando um projeto "cínico" e que "só zela os interesses de alguns", reiterando que os clubes que participarem nessa prova serão alvo de várias sanções.

Pelo menos 12 clubes terão sido inscritos como membros fundadores ou manifestaram interesse em ingressar no grupo, incluindo seis equipas da Premier League - o jornal inglês "The Sunday Times" fala em cinco, Manchester United, Liverpool, Arsenal, Chelsea e Tottenham, com a possibilidade de entrar também o City -, três de Espanha e três de Itália, de acordo com pessoas que conhecem os planos, revela o "New York Times".

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A UEFA e a FIFA já ameaçaram com sanções os clubes que participem em competições não reconhecidas pelos dois organismos e o "The Sunday Times" fala num possível recurso aos tribunais.

Segundo o "New York Times", este grupo de elite vem tentando fazer com que outras equipas importantes, como os alemães do Bayern de Munique e do Borussia Dortmund, se comprometam, mas até agora esses e outros clubes recusaram virar costas aos principais organismos do futebol.

O campeão francês Paris Saint-Germain, por exemplo, foi convidado a entrar, mas até agora resistiu. O presidente do clube, Nasser al-Khelaifi, tem lugar na direção da UEFA e também dirige o beIN Media Group, a rede de televisão sediada no Qatar que pagou milhões de euros à UEFA pelo direito de transmitir jogos da Liga dos Campeões.

As equipas comprometidas com o plano da Superliga estão, de momento, limitadas a quase uma dúzia de clubes da Espanha, Itália e Inglaterra. Um conjunto de seis equipas inglesas representa o maior grupo de um único país. O Atlético Madrid será outra equipa espanhola que terá apoiado o projeto, enquanto os italianos do Inter de Milão e A.C. Milan se juntariam à Juventus.

O "New York Times" afirma que contactou vários clubes envolvidos nos planos da nova competição, mas todos se recusaram a comentar ou não responderam. Um porta-voz da UEFA também não quis comentar o assunto.

Entre as equipas ​​deste grupo de elite está a Juventus, campeã italiana. O presidente do clube, Andrea Agnelli, também lidera a Associação Europeia de Clubes, órgão que reúne mais de 200 clubes dos principais campeonatos, a maioria dos quais ficará de fora da proposta da Superliga. Agnelli também é membro do conselho executivo da UEFA. Quando questionado pelo "The Times" este ano para discutir o seu papel nas negociações de uma liga separatista, o presidente da Juventus descartou a ideia dizendo tratar-se apenas de um "rumor".

No entanto, de acordo com documentos analisados ​​pelo "The Times" em janeiro, os planos para a Superliga ganharam força desde o verão. Os principais clubes procuraram tirar vantagem da incerteza na indústria do futebol causada pela pandemia para abrir um novo caminho que lhes garantiria um certo grau de estabilidade financeira, mas que também levaria certamente a uma significativa perda de valor e receita para equipas excluídas do projeto.

Cada um dos membros da Superliga está a receber uma proposta de 350 milhões de euros para se inscrever, revelam esses documentos.

Nessa proposta, os jogos da Superliga seriam realizados a meio da semana, à semelhança da Liga dos Campeões, e seriam disputados por 16 clubes de topo como membros permanentes e mais quatro equipas classificadas através das respetivas competições nacionais. Os clubes seriam divididos em dois grupos de 10, com os quatro melhores de cada grupo a classificarem-se para a fase de eliminatórias, culminando numa final que aconteceria num fim de semana, tal como a Champions.

De acordo com os documentos, a prova geraria centenas de milhões de euros em receitas adicionais para as equipas participantes, que já são os clubes mais ricos do Mundo. O grupo havia entrado em negociações com a empresa JPMorgan Chase & Co. para receber financiamento para o projeto. Até ao momento, a empresa recusou comentar a possibilidade.

UEFA, Federações e Ligas reiteram sanções a clubes que participarem na Superliga

A UEFA encontrou na FIFA uma poderosa aliada para combater esses planos. O órgão regulador global do futebol alertou que qualquer jogador que participasse numa liga não sancionada seria proibido de participar no Campeonato do Mundo. A ameaça foi feita depois de o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, ter pedido o apoio do seu homólogo da FIFA, Gianni Infantino, após especulações sobre um possível apoio da FIFA à nova Superliga.

A UEFA, as Federações inglesa, espanhola e italiana e as ligas desses três países emitiram este domingo um comunicado conjunto a condenar as notícias que dão conta da criação de uma Superliga europeia por parte de clubes ingleses, espanhóis e italianos

Os organismos anunciaram que vão usar todas as ferramentas desportivas e judiciais ao seu dispor para travar um projeto "cínico" e que "só zela os interesses de alguns", reiterando que os clubes que participarem nessa prova serão alvo de várias sanções.

"A UEFA, a Federação Inglesa, a Premier League, a Federação Espanhola, a La Liga, a Federação Italiana e a Serie A ficaram hoje a saber que alguns clubes ingleses, espanhóis e italianos podem vir a anunciar a criação de uma liga fechada, denominada de Superliga. Se o projeto for avante, os organismos que assinaram este documento querem reiterar que vão permanecer unidos na missão de travar este projeto cínico, criado para o interesse de alguns numa altura em que a sociedade precisa de mais solidariedade do que nunca", lê-se no comunicado conjunto.

"Vamos considerar todas as medidas à nossa disposição, quer desportivas, quer judiciais, para impedir que isto aconteça. O futebol é baseado em competições abertas e determinadas por mérito desportivo: não pode ser de outra maneira", acrescentam. "Como foi previamente anunciado pela FIFA e as suas seis Federações, os clubes em questão serão banidos de jogar noutras competições, seja a nível doméstico, europeu ou internacional, e aos jogadores desses clubes poderá ser negada a oportunidade de representarem as suas seleções".

Os organismos deixaram ainda uma palavra de apreço pelos clubes que rejeitaram a ideia. "Agradecemos a todos os outros clubes, nomeadamente aos alemães e aos franceses, que recusaram assinar a ideia da Superliga. Apelamos a todos os amantes do futebol, adeptos e políticos para se unirem a nós na luta contra este projeto, se ele for anunciado. A persistência do interesse próprio de alguns já dura há demasiado tempo. Chega", concluem.

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