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A. F. Porto

Grosso, o médico que joga no futebol distrital

Grosso, o médico que joga no futebol distrital

Médio voltou ao Aves para ajudar o clube no escalão mais baixo da A. F. Porto. Durante anos, o jogador levou uma vida dupla para conciliar os estudos com a prática do futebol.

Pedro Grosso tinha decidido abandonar os relvados há cinco anos para se dedicar à medicina e jamais lhe passava pela cabeça voltar. Mas uma chamada do Aves, a pedir o regresso, mudou tudo. O coração voltou a bater forte, ou não estivesse em causa ajudar um grande amor. "Não podia dizer que não. Era impossível", contou ao JN o médio. Tinha chegado a hora de tirar tudo da gaveta e regressar aos relvados.

A carreira de Pedro é invulgar mas movida de paixão. O médio começou, como tantos outros, a jogar cedo - aos sete anos ingressou na formação do Aves - e por lá fico até aos 29, com dois anos de interrupção passados na Académica e no Leça. Parece um percurso igual a tantos outros, não é? Mas não. Durante este tempo, Grosso levou uma "vida dupla", ao conciliar a carreira futebolística com o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. "É uma paixão igual à que tenho pelo futebol", disse.

Por isso, em 2014/15, decidiu pendurar as chuteiras para se dedicar ao curso. E a constituição da SAD no Aves também ajudou à decisão: "Terminei contrato e fui falar com os responsáveis. Foi no ano que entrou a SAD. Pela forma como me abordaram, achei que era altura de deixar de jogar. Não saí chateado, tínhamos apenas ideias diferentes".

A ligação contratual terminou, mas o amor de Pedro pelo Aves continuou intacto. Passou o gosto ao filho de quatro anos, não perdeu um jogo acompanhado do cachecol favorito e foi ao Jamor, onde vibrou com a conquista da Taça de Portugal frente ao Sporting: "Não chorei, mas vontade não faltou!". Só que depois vieram os dias negros, com as polémicas entre a SAD liderada por Wei Zhao e o clube. Aí, foi sofrer a bom sofrer. "Foi angustiante. Sofri bastante. Ver as notícias e não poder fazer nada foi revoltante".

Agora, já com o curso terminado, o médio aceitou o desafio do Clube Desportivo das Aves 1930 da série 1 da 2.ª Divisão da A. F. Porto, pelo menos até janeiro, quando começa o internato geral. Só estranha "a carga horária dos treinos", que é diferente do que estava habituado, mas não podia estar mais feliz. "Esta foi a minha casa durante anos, fiquei muito feliz por voltar. Era impossível dizer que não ao Aves. É uma paixão muito grande", vincou.

E ainda dizem que já não há amor pela camisola.

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