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Guarda-redes recorda tragédia na Indonésia: "Tememos pela nossa vida"

Guarda-redes recorda tragédia na Indonésia: "Tememos pela nossa vida"

Maringá, guarda-redes brasileiro que já passou pelo futebol português, confessou que temeu pela própria vida após os confrontos no estádio Kanjuruhan, na Indonésia. "Foi um desastre. A FIFA tem de intervir", sublinha o jogador.

Maringá, guarda-redes do Arema, onde atuam o português Sérgio Silva e o internacional guineense Abel Camará, relatou ao sítio "Globo Esporte" os momentos de terror vividos no estádio Kanjuruhan, após a derrota no dérbi local frente ao Persebaya Surabaya (3-2), a contar para a liga da Indonésia.

O antigo jogador de Pinhalnovense, Beira-Mar e Vilafranquense explicou que a equipa se refugiou da ira dos adeptos no balneário. "Os polícias tentaram conter a invasão, mas não conseguiram, eram poucos para tanta gente. Depois de matarem ou pisarem dois agentes, a revolta dos polícias foi grande e começaram a lançar bombas. Foi aí que começou a selvajaria", relatou.

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Maringá recorda momentos de angústia no interior do balneário. Foram "cinco ou seis horas" sem saber em concreto o que se passava no exterior, durante as quais "só se ouviam gritos e barulho de bombas". "Tememos pela nossa vida dentro do balneário. Pensávamos que iam invadi-lo e matar quem estivesse lá dentro", acrescentou.

Entretanto, começaram a ser encaminhadas para os balneários pessoas já sem vida, aterrorizando quem ali se encontrava. "Aí, desesperei e pensei que ia perder a minha vida num jogo de futebol", desabafou Maringá.

A chegada do Exército indonésio ao estádio ajudou à resolução da situação. "Quando saímos, vimos o desastre. Nunca tinha presenciado uma coisa destas na minha vida. Pessoas mortas como animais. E o número só aumenta, porque há muitas pessoas nos hospitais que estão por um fio. Estamos sem cabeça para jogar futebol e temos medo. A FIFA tem que intervir", apela Maringá.

Depois do jogo entre o Arema e o Persebaya Surabaya, a contar para a liga indonésia de futebol, que terminou com uma derrota da equipa da casa por 3-2, centenas de adeptos entraram em confrontos com a polícia local.

De acordo com os números oficiais, que foram revistos no domingo após uma série de erros na contagem, 125 pessoas morreram, incluindo 32 crianças, e 323 ficaram feridas em graus variados, numa das maiores tragédias da história do futebol mundial.

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