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Racismo

Há três arguidos no caso Marega mas são da bancada errada

Há três arguidos no caso Marega mas são da bancada errada

O Ministério Público já constituiu três arguidos no processo por insultos racistas proferidos contra o jogador Moussa Marega, em Guimarães. Nenhum é da bancada nascente, de onde vieram os cânticos racistas que levaram o avançado do F. C. Porto a sair do campo.

Os três arguidos estavam na bancada Sul do Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, a 16 de fevereiro, no jogo que opôs o Vitória Sport Clube ao F. C. Porto. Ao minuto 69, Moussa Marega estava junto à bancada nascente quando ouviu cânticos racistas provenientes da zona central desta bancada e decidiu abandonar o jogo. Os três adeptos que agora foram constituídos arguidos estavam a mais de 50 metros, na bancada Sul, habitualmente destinada à claque vitoriana.

O JN sabe que os adeptos foram presentes ao juiz de instrução esta sexta-feira para conhecerem as medidas de coação, enquanto aguardam despacho de acusação ou arquivamento por parte do Ministério Público. A sessão foi interrompida e continua no dia 2 de outubro. Foi-lhes proposta a suspensão provisória do processo mediante o pagamento de uma multa e interdição de entrada em recintos desportivos durante um ano, mas estes rejeitaram o acordo.

O abandono de campo por Marega ganhou contornos mediáticos internacionais e atirou o tema do racismo para a ribalta em Portugal, motivando críticas ao racismo no Desporto provenientes de todos os quadrantes, incluindo do Governo e da Presidência da República.

A investigação a cargo de uma equipa especializada, destinada a identificar os autores dos cânticos, inclui várias forças da autoridade, incluindo a PSP de Guimarães, e dois procuradores do Ministério Público, também ligados ao projeto-piloto contra a violência no Desporto que está em curso na Comarca de Braga.

Desde cedo que a investigação aos insultos racistas proferidos contra Moussa Marega foi conduzida com poucas informações públicas oficiais por se encontrar em segredo de justiça. Com essa justificação, a Procuradoria-Geral da República e a PSP escusaram-se a prestar esclarecimentos e a divulgar quantos adeptos já tinham sido identificados.

O JN sabe que não existiam arguidos no processo até há cerca de dois meses e que nenhum adepto da bancada nascente está identificado no processo. Foi dessa bancada que vieram os sons que imitavam símios, dirigidos ao jogador, nos momentos em que o avançado portista abandonava o campo e nos minutos anteriores.

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Nos primeiros dias após os acontecimentos, a equipa de investigação muniu-se de testemunhos e imagens de videovigilância das câmaras do estádio que permitiram encontrar adeptos suspeitos na bancada nascente.

No entanto, a investigação deparou-se com uma dificuldade que ainda está a tentar ultrapassar e que se prende com o áudio das câmaras de videovigilância instaladas no D. Afonso Henriques. É que nas imagens é possível ver adeptos que parecem estar a cometer o ilícito, mas o som não é percetível, pois o barulho era enorme na altura em que tudo aconteceu. Para perceber como tudo se passou, a investigação utilizou ainda o áudio da Sport TV, que transmitiu o jogo.

A verificação das imagens de videovigilância não foi o único método utilizado pelas autoridades, mas é um dos principais, e sem o som fica prejudicada a prova para os acusar no âmbito do processo que ficou conhecido como "caso Marega".

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