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Hakan Sukur, lenda do futebol turco, fugiu do país e é condutor da Uber nos EUA

Hakan Sukur, lenda do futebol turco, fugiu do país e é condutor da Uber nos EUA

A lenda do futebol turco Hakan Sukur fala sobre as contas congeladas, desavenças com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o novo trabalho nos Estados Unidos da América.

O ex-jogador turco Hakan Sukur tem agora 48 anos, vive em Washinghton e é condutor da Uber. Marcou um número impressionante de 322 golos na carreira e passou por clubes como o Parma, Inter, Torino e Galatasaray, onde pendurou as botas em 2008. É também o recordista do golo mais rápido na história dos Mundiais, com a camisola da Turquia, seleção pela qual marcou 51 golos. Em entrevista à revista alemã "Focus", aborda os episódios ocorridos nos últimos anos da sua vida e como "a vida mudou radicalmente de um dia para o outro".

Sukur entrou no mundo da política, em 2011, pouco tempo depois de deixar o futebol, no partido AKP, liderado pelo atual presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Depois de uma experiência conturbada, marcada por escândalos de corrupção, incluindo no futebol, Sukur abandonou o cargo dois anos depois e foi aí que começaram os problemas.

A vida de Hakan tornou-se sufocante, como relata na entrevista: "Atiraram pedras à loja da minha mulher, os meus filhos foram assediados na rua, recebi ameaças depois de cada declaração que fiz. Quando deixei o país, prenderam o meu pai e tudo o que eu tinha foi confiscado." O seu pai foi detido no momento em que o ex-avançado foi viver para o continente americano, e só foi libertado por sofrer de cancro, tal como a sua mãe.

O regime de Erdogan tirou tudo a Sukur. Os seus ativos foram congelados, não pode arrendar propriedades e teve de fechar um café que abriu quando se mudou para os EUA, por ser abordado por indivíduos suspeitos. "Não tenho nada em nenhuma parte do mundo. Erdogan tirou-me tudo, o meu direito à liberdade, o direito a expressar-me, a trabalhar..."

Atualmente é condutor da Uber na América e vende livros para conseguir viver. No final da entrevista lançou uma mensagem para o presidente turco: "Regresse à democracia, à justiça e aos direitos humanos. Seja alguém que se preocupa com os problemas dos indivíduos. Torne-se no presidente que a Turquia precisa".

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