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Inglaterra rejeita processar Mo Farah após este dizer que foi traficado para o país

Inglaterra rejeita processar Mo Farah após este dizer que foi traficado para o país

O governo britânico assegurou, esta terça-feira, que não vai processar o fundista e campeão olímpico Mo Farah, de 39 anos, que no dia anterior contou ter chegado ilegalmente ao Reino Unido enquanto criança.

"Nenhum processo será instaurado contra 'Sir' Mo Farah", afirmou um porta-voz do ministério do Interior britânico, citado pela agência noticiosa AFP, apesar de legalmente, o governo poder remover a nacionalidade britânica a uma pessoa se a cidadania foi obtida por meios fraudulentos.

Na segunda-feira, no excerto de um documentário da BBC que será exibido na quarta-feira, o britânico Mo Farah, detentor de quatro títulos olímpicos, seis mundiais e quatro europeus, entre os 5000 e os 10000 metros, revelou ter sido traficado ilegalmente para o Reino Unido, onde foi escravo doméstico.

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"Durante anos fui mantido em cativeiro. Estive anos preso", relatou "sir" Mo Farah, em entrevista à BBC, na qual anunciou que o seu verdadeiro nome é Hussein Abdi Kahin e que não pôde ir à escola, tendo sido forçado a trabalhar para poder comer.

Apesar de ter dito sempre que tinha ido para Inglaterra com os pais, desde a Somália, Mo Farah confessou agora que veio do Djibuti (África Central), aos nove anos, com uma mulher que não conhecia, que lhe atribuiu o nome de Mo Farah e que, no Reino Unido, o obrigou a cuidar dos filhos de outra família.

O ex-campeão olímpico em Londres2012 e Rio2016 contou que os pais nunca estiveram no Reino Unido e que a mãe e dois irmãos vivem numa fazenda da família, no estado separatista de Somalilândia, que declarou a independência em 1991, mas não é reconhecido internacionalmente.

Aos "oito ou nove anos" foi levado de casa para ficar com a família no Djibuti, acabando por ser levado para o Reino Unido pela tal mulher que não conhecia e não era sua parente, e que lhe disse que o levava para a Europa para viver com parentes.

Quem o levou ilegalmente apresentou às autoridades documentos falsos com o nome Mohamed Farah, instalando-o posteriormente num apartamento a oeste de Londres, em Hounslow, altura em que lhe roubou um papel que tinha os contactos dos seus familiares.

"Para ter comida na boca", "Sir" Mo disse que teve de fazer tarefas domésticas e cuidar de crianças, sendo ameaçado e obrigado a "nada dizer, se queria ver a família novamente".

Só foi autorizado a ir para a escola quando tinha cerca de 12 anos, altura em que se matriculou no sétimo ano no Feltham Community College, tendo os funcionários sido informados de que era refugiado da Somália.

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