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Águia agarra Dragão

Águia agarra Dragão

Dois golos de bola parada fizeram o resultado do clássico, num jogo que o Benfica chegou a ter controlado, mas que um penálti inexistente tratou de empatar. O 1-1 deixa tudo na mesma, mas Quique Flores terá mais razões para sorrir.

Este domingo, no Dragão, como na Luz, na primeira volta. Ou seja, 1-1, também com um penálti marcado por Lucho. E se, no encontro de Lisboa, os portistas terminaram com o sentimento de que podiam ter colhido maiores dividendos, no Porto, foi a vez de os benfiquistas acabarem com a sensação de poder ter garantido o 0-1 até ao fim, ainda que, na primeira parte, o grosso das oportunidades tenha cabido aos dragões.

Pelo que se viu em campo, de nada (ou pouco) terá valido a Jesualdo Ferreira as poupanças na Taça da Liga, na quarta-feira passada. Se esse era um trunfo guardado para ontem, não resultou. Mais: ainda que a "norma" existente no balneário portista proíba duas derrotas seguidas, o certo é que o objectivo só foi conseguido pela metade.

O técnico sabe o que valia este embate para os adeptos, também por isso a igualdade tenha sabido a pouco. Quase a derrota, em termos afectivos. Pois, na prática e na matemática, tudo ficou na mesma na classificação, com o F. C. Porto à frente das águias e mais distante do Sporting, derrotado em casa, pelo Braga.

Aliás, os ouvidos, no Dragão, também estiveram em Alvalade. Cada golo arsenalista foi festejado pelo público, com estrondo.

O Benfica não acusou a pressão do ambiente, nem se rebaixou à tal "genética" do adversário. Com valores individuais que nada ficam a dever aos portistas, o mínimo que se pode dizer é que a equipa da Luz conseguiu um jogo dividido.

Como prometido, apresentou--se concentrada e cortou os espaços ao tridente ofensivo do F. C. Porto. Aimar foi solidário e recuou quando foi preciso, reforçando a, já se si, fortalecida linha média.

Com o evoluir do tempo, o onze foi respirando cada vez melhor, até porque os azuis e brancos não marcavam, e subiu no terreno. Um lance para golo, no primeiro tempo, não aproveitado por Reyes, por mérito do guarda-redes Helton, a efectuar uma excelente defesa, foi o sinal de que algo tinha mudado, em comparação com a superioridade azul e branca ao longo de mais de meia hora.

Muito se falou de Suazo e de Hulk, porém ambos não fizeram a diferença. Ainda que Hulk tenha estado mais em acção. No entanto, as suas explosões foram infrutíferas. O F. C. Porto, é inegável, teve hipóteses para abrir o marcador, mas os tricampeões sofrem com a menor produtividade de Lisandro, a quem Maradona vai dar minutos, esta semana, na selecção. Para Rodríguez, se pretendia fazer a vida negra ao ex-clube, a noite também não foi produtiva.

Os golos surgiram de bola parada. O do Benfica num momento crucial, em cima da ida para o intervalo. Uma vez mais numa bola pelas alturas, em que a defesa portista claudicou.

A segunda parte trouxe uns dragões com pouco sentido colectivo, em contraste com o primeiro tempo, e com as individualidades a quererem resolver só por si. Mariano, entrado e a exibir-se a baixo nível, nada ajudou. Desiludiu.

O empate só surgiu de penálti, num lance polémico. Yebda, que tão bem tinha estado no 1-0, acabou por ter participação directa no 1-1, ainda que o árbitro tenha avaliado mal.

A vida continua para F. C. Porto e Benfica, mas quem sorriu foi a águia, com um resultado e uma exibição a contento, num terreno historicamente adverso.

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