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Águia sofre para vencer um grande

Águia sofre para vencer um grande

O Benfica venceu o Leixões pela diferença mínima (2-1) e aproximou-se da liderança da Liga. Num duelo intenso e bem jogado, o onze de Quique realizou uma exibição agradável na fase inicial e soube sofrer a jogar com 10.

A imagem de marca dos encarnados no jogo de ontem recordou o espectro da última conquista na era Trapattoni. A equipa sofreu a bom sofrer para ultrapassar o Leixões, especialmente no último quarto de hora, no qual jogou com menos uma unidade - face à lesão de Carlos Martins. Todavia, foi solidária, humilde, lutadora e resistiu perante um adversário grande. O estatuto sugerido por Quique Flores assenta plenamente à formação de José Mota, que jogou e mostrou mentalidade e ambição de uma formação que reclama a luta por um dos lugares de topo da Liga 2008/2009.

Quique Flores idealizou três alterações em relação à estrutura do clássico. Miguel Vítor substituiu naturalmente Sidnei, afastado da convocatória, Cardozo regressou ao eixo do ataque, face à lesão de Suazo, enquanto Di María foi eleito para suprir a ausência de Yedba, castigado. A entrada do argentino motivou a deslocação de Rúben Amorim no eixo do meio-campo.

José Mota, por sua vez, lançou Roberto Sousa e Zé Manuel, em detrimento de Chumbinho e Rodrigo Silva, respectivamente.

Com Katsouranis e Rúben Amorim no eixo, o coração benfiquista parece bater de forma mais pausada e a temporização dos lances convidou Pablo Aimar a recuar e a tornar-se mais influente nas decisões da equipa. Esta pequena, mas importante transformação, transfigurou a filosofia benfiquista dos últimos encontros - transições rápidas e directas para os extremos -, concedendo ao conjunto capacidade de raciocínio e posse de bola para exercer o domínio do jogo.

A tendência manteve-se nos primeiros 20 minutos, perante um Leixões bem organizado e apostado em explorar a mobilidade dos três elementos mais adiantados - Zé Manel, Braga e Diogo Valente. A ascendência benfiquista gerou a vantagem num lance em que Laranjeira falhou uma intercepção e Elvis acabou por fazer autogolo, ao tentar evitar que Cardozo marcasse.

O onze de José Mota reagiu como uma equipa grande na personalidade e na coragem. Todavia, o desenho inicial, essencialmente vocacionado para a pressão sobre o adversário, não contemplava qualquer referência ofensiva. O técnico percebeu e colocou Rodrigo Silva. Apesar de as oportunidades terem rareado, a discussão desencadeou-se num ritmo elevado e com ascendente para os leixonenses.

O panorama manteve-se na fase inicial do segundo tempo. O Leixões acentuou a pressão, tentou aproximar-se da área do Benfica e ser mais incisivo. Zé Manel falhou uma ocasião clara para empatar, numa fase em que já existia menor rigor defensivo e mais espaço, não só face ao adiantamento leixonense, como a algum cansaço que dividia o bloco encarnado em duas linhas. O panorama acabou por favorecer a águia, que ampliou a vantagem numa combinação entre Cardozo e Nuno Gomes que substituíra Reyes. Pensou-se que o embate estava decidido. Puro engano. Primeiro, Carlos Martins lesionou-se e deixou os encarnados com menos uma unidade, momentos depois de Rodrigo Silva ter reaberto a discussão. Até ao final, em superioridade, o Leixões encostou os encarnados às cordas e fez o sofrer os mais de 30 mil adeptos que se deslocaram ao recinto.

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